terça-feira, 7 de setembro de 2010

Os 300 de Esparta, de Frank Miller e Lynn Varley





A história de Leônidas impressionou muita gente através de gerações. O rei e general espartano, diante da ameaça de perder seu território para os persas, decidiu enfrentar o exército gigantesco de Xerxes, mesmo indo contra a decisão de todos os conselhos. "Nós não lutamos durante a Carnéa", disseram os Éforos. Com 300 de seus melhores soldados, Leônidas se posicionou nas Termópilas e esperou que os persas viessem.


Frank Miller não cansa de dizer que "Ninguém em sã consciência jamais o acusou de ser um realista". Apesar de ter ido à Grécia e estudado o terreno para compor Os 300 de Esparta, não foi na história real de Leônidas que ele se inspirou, mas no filme de 1962, que assistiu com os pais quando era criança. Quando percebeu que Leônidas ia morrer e sabia disso o tempo todo, ficou impressionado e mudou sua visão de herói. Já não era mais aquele que fazia atos heróicos, mas aquele que os faziam porque era o certo a se fazer, ainda que precisasse pagar com a vida para isso. Decidiu então que contaria aquela história e baseou muitos de seus principais personagens no Leônidas que viu Richard Egan interpretar.


A HQ não é apenas uma história de heroismo, coragem e honra. Ela retrata também o outro lado da moeda: a vaidade e a corrupção. Desde antes de sair de Esparta já foi traído por seus compatriotas e um espartano desejoso de ser guerreiro mas sem a capacidade física necessária, o deformado Efialtes, engendrou a traição final.


O livro é belíssimamente colorido por Lynn Varley, ex-esposa de Frank Miller. Para contrastar com o preto e o vermelho, ela capricha nos tons terrosos para o dia e nos azulados para a noite. A obra não é apresentada no formato vertical, conforme 1ª ediçao brasileira, mas no horizontal, formato o qual o autor idealizou inicialmente. Frank Miller, ao reunir os cinco capítulos neste livro, procurou aproximar a apresentação à do cinema, crendo que isso enfatizaria o tom épico de sua narrativa.

Através de Frank Miller e de Dílios, narrador da história, a lenda de alguns homens que se colocaram contra muitos em defesa de sua nação continuou viva tendo sido, inclusive, adaptada para o cinema em 2007. Dentre as adaptações de quadrinhos para as telonas, realmente foi uma das melhores já feitas, respeitando desde o desenrolar da história até as cores utilizadas por Varley. Os 300 de Esparta ganhou os prêmios Will Eisner e Harvey Awards.

Os 300 de Esparta, de Frank Miller e Lynn Varley
Publicado em 2006 pela editora Devir/Dark Horse.
Capa dura.
84 páginas.
Formato: 33 x 24 cm
R$ 63,00



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