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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Os moídos de Samuel Gois, por Vitória Maria



 “O MUNDO É UM MOÍDO” DE SAMUEL DE  GOIS

por Vitória Lima

O intertexto original deste livro de Samuel de Gois, a música de Cartola, que está insinuado no próprio título do livro, “O mundo é um moído”. A intertextualidade não é nenhuma novidade no mundo literário e é amplamente empregado pelos mais diversos criadores. No texto original, o samba de Cartola,  temos “o mundo ´é um moinho”, o que nos conduz diretamente a outro texto, o clássico “Don Quixote”, de Cervantes. Este intertexto se revela e multiplica pelas páginas do livro, através das relações que se desmancham, que são retratadas. 

Diz Cartola:

“Ainda é cedo amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora de partida

Sem saber mesmo que rumo irás tomar.”

E ainda:

“Presta atenção, querida,

Embora saiba que estás decidida

Em cada esquina cai um pouco a sua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és.”


Nos versos seguintes, o intertexto se revela, quando o sambista diz:


Ouça-me bem, amor, presta atenção,

o mundo é um moinho

quando notares estás à beira do abismo,

abismo que cavaste com teus pés.”


Nos versos acima, os intertextos que alimentam o livro de De Gois, o belo samba de Cartola e a obra imortal de Cervantes, se entrecruzam através da palavra moinho, que nos remete  fonética e inevitavelmente a moído, do texto de De Gois... No caso do texto de De Gois, o moído se refere mesmo à relação que se finda, que se esvai dolorosamente no decorrer do livro, produzindo o sofrido moído de que fala o autor. 

Foto: Thaïs Gualberto

Thaïs Gualberto através da sua Editora Guilhotina ficou encarregada da cuidadosa edição e diagramação do livro, que foi revisado por Audaci Junior, editor do Caderno de Cultura do jornal A União, que também publicou erudito artigo no dia 19 de agosto de 2023 sobre o assunto. Nesse artigo Audaci revela seu profundo conhecimento e intimidade com o mundo dos quadrinhos, buscando nomes e referências pertinentes ao mundo em questão, o que já está sugerido no próprio texto de Samuel, que passeia desde as cartas do tarot até os personagens da mitologia grega, como a Medusa e a Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Todo isso revela o amplo espectro por onde se movimenta o quadrinista, além das referências intrínsecas contidas no texto, amplamente discutidas por Audaci Junior no seu texto publicado.

Capa Definitiva - O mundo é um moído

A caprichada edição teve o apoio da Catarse e está à venda na Miramar Livros ou sua loja virtual clicando aqui.

Boa leitura!

sexta-feira, 12 de março de 2021

O homem que matou Corisco está em "Carniça" nova HQ de Shiko





Há algumas semanas, o quadrinista paraibano, Shiko, lançou o volume 1 de sua nova obra intitulada "Carniça e a blindagem mística"(confira nossa resenha ao clicar aqui), que apresenta a participação feminina no cangaço por meio da ficcional cangaceira Mazinha de Beata que ficaria conhecida como "Carniça". 

O primeiro volume da HQ é divido em três linhas narrativas temporais em que personagens distintos são apresentados para nós leitores, porém o inicio da HQ é marcado por um fato ocorrido no começo dos anos 60, quando o renomado escritor e dramaturgo, Ruy Guerra, entrevistou o Coronel José Rufino, também conhecido como o matador de cangaceiros. E para que você tenha a experiência de sentir o que te espera na leitura da HQ, reproduzimos abaixo na integra a entrevista.


O HOMEM QUE MATOU O CANGACEIRO "CORISCO"
Por Ruy Guerra*


O sol do meio-dia fazia da praça de Jeremoabo/BA um imenso deserto.

Lembro-me que tudo se passou naquele ano triste de 1962, ano da morte de Miguel Torres, no acidente desse mesmo jipe agora ali estacionado, coberto de poeira, junto da única loja aberta naquele vazio do mundo.

Só não me lembro como foi que o coronel Rufino surgiu, sentado no bar, esfíngico, vestido de uma camisa e calça caqui, sem atinar muito bem o que queríamos dele. Nós, igualmente calados, sem outro intuito que o de trocar umas palavras com o homem que matou Corisco.

Mas dali para a frente tudo ficou marcado em mim com uma nitidez que chega a assustar. Cada gesto, cada palavra, cada silêncio, foi ficando através do tempo mais depurado, mais definido, mais exato. Não há um detalhe, uma palavra, um sentimento, de que eu não tenha a serena convicção que foi assim, rigorosamente como tudo se passou.

Pedi um cerveja, que chegou morna.

O coronel Rufino, e não sei porque isso devia me surpreender, pediu um sorvete de morango. O Miguel Torres, por uma dessas maldades da memória, deixou de estar presente. Houve um silêncio largo, desses silêncios de quando estranhos se medem e se perguntam a si mesmos como começar essa aventura que é a de se conhecer.

Do coronel Rufino eu sabia tudo o que me parecia importante saber: que era o maior caçador de cangaceiros ainda vivo, que há muito estava aposentado, que era natural dali mesmo, daquele sertão. De nós, imagino, ele sabia apenas que fazíamos cinema e pensávamos filmar por aquelas bandas. E não parecia particularmente interessado em saber mais. Aceitava o encontro como a inevitável curiosidade que desperta quem traz a marca de ter matado o cangaceiro mais mítico de toda a história do cangaço.

Página da HQ 'Carniça"

Com movimentos pausados, de quem tem toda a velhice diante de si para gastar, ia sorvendo seu sorvete de morango.

O que mais me marcou naquele encontro, logo de saída, foi isso mesmo: o sorvete de morango. A cor desmaiada do sorvete barato, a colherzinha vagabunda na mão grossa, seca, veienta, com o dedo mindinho ridiculamente afastado dos outros dedos.
Por que um sorvete, e ainda mais de morango?

Por causa desse insólito sorvete me custou a lançar a conversa.

Comecei com perguntas banais das quais já conhecia as respostas, e que não justificam o desvio que havíamos feito por aquelas poeiras calorentas do sertão para aquele eventual encontro. Se ele, coronel Rufino, havia comandado muitas volantes atrás de cangaceiros. Se toda a sua vida se havia dedicado a essa caça, se havia perseguido Lampião. Se havia dado voz de sangrar a muito bandido.

A cada pergunta, Rufino ia monossilabicamente confirmando, pausado, aparentemente mais atento ao sorvete de morango que ao óbvio questionário.

- E Corisco? O senhor matou Corisco?
- Matei.

O Coronel Rufino não era um homem alto, nem tinha nada que à primeira vista pudesse impressionar alguém que não soubesse do seu passado. Nos seus, imagino, sessenta e tantos anos, não se sentia nele um grama de gordura. Tinha um rosto marcadamente nordestino, sem emoções visíveis, uns olhos fendidos preparados para os exageros da luz da caatinga e uma voz surpreendentemente jovem.

Parecia desinteressado, embora cortês. Senti que ele estava, não ansioso, mas determinado a terminar o encontro com o final do seu, para mim já irritante, sorvete de morango.

Foi essa certeza e o sentimento da idiotice das minhas perguntas que me fizeram perguntar de supetão gratuitamente:

- O senhor, coronel, torturou muita gente?

- O coronel Rufino parou de comer o seu sorvete, a mão pesada, suspensa no ar, a meio caminho.
Pela primeira vez senti que pensava rápido, embora o tempo durasse. Depois, delicadamente, pousou a colher. Até então ele nunca me havia encarado, e continuou assim.
Limitou-se a olhar a imensa praça vazia, assustadoramente amarelada pela crueza do sol.

- Seu João!

A voz continuava controlada, e embora o tom não tivesse aparentemente subido, atravessou a distância. Foi então que eu notei que um camponês desgarrado estava passando.

O homem entrou no bar. As alpercatas de couro sem ruído, o chapéu de palha agora respeitosamente na mão, um olhar rápido para os forasteiros.

- Sim, coronel? O coronel falou num tom macio, quase afetuoso.
- Seu João, o senhor me conhece há muito tempo, não é verdade?
- Conheço sim, coronel.
- Quem sou eu?

Uma leve estranheza na voz do camponês.

- O senhor?... O senhor é o coronel Rufino.
- Eu persegui muito cangaceiro, não persegui? - Perseguiu, coronel.
- Eu matei muito cangaceiro, não matei? - Matou, coronel.

A voz de Rufino continuou, inalterada.

- Eu torturei muito cangaceiro, não torturei? A voz do coronel Rufino parecia ainda mais mansa, mais paciente.
- Eu torturei muito cangaceiro, não torturei? Os olhos do camponês correram por nós, intrigados.
- Não, coronel... Não, senhor.
- Obrigado, seu João. Pode dispor!

Com um leve aceno de cabeça para todos o camponês afastou-se. O coronel Rufino esperou que o homem desaparecesse no sol da praça e só então me encarou, pela primeira vez.
Os olhos fendidos sem expressão, talvez por isso mais inquietantes, aprisionando os meus. A voz sempre igual, mas onde se podia sentir agora, nítida, uma intensa paixão.

- "Toda a minha vida eu persegui cangaceiro. Prendi muitos, também dei fuga a muito pobre-diabo que se meteu nessa vida por injustiça que sofreu. Mas matei muitos, muitos mesmo. De bala, de faca, de todo o jeito. Era a minha profissão".

Levantou a mão, espalmada, à altura do rosto. Essa mesma mão, que até então tinha servido para comer aquele irritante sorvete de morango. Foi uma pausa curta, mas guardo aqueles breves instantes como os de uma indefinível angústia.

- "Mas esta mão, esta mão que o senhor está vendo aqui, nunca tocou o rosto de um homem, fosse quem fosse, nem do pior bandido. Porque homem a gente mata, sangra..."

Passou a mão suavemente pela própria cara.

- Mas tocar o rosto de um homem, só sua mulher e o barbeiro têm o direito de tocar".

O coronel Rufino retomou a colher e continuou a comer o interminável sorvete de morango. Lembro-me de ter sentido um imenso alívio, como se tivesse vindo de muito longe. E tinha, como compreendi mais tarde.

Daí para diante não me lembro de mais nada. Não sei como nos separamos, se trocamos mais alguma palavra - o que duvido - além de alguma banal despedida. Mas ao longo dos anos comecei a relembrar e a contar, obsessivamente, este encontro. Não com o sentimento de ter escapado de algum perigo - embora ainda hoje não esteja muito certo disso -, mas com a desconfortável convicção de ter ido tão fundo naquele sertão para ingenuamente insultar um homem na sua hospitalidade, na sua memória, no seu mundo.


Texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 1993, e reproduzido do livro "20 Navios", de Ruy Guerra. Editora Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1996, prefácio de Chico Buarque, 228 páginas.

*RUY GUERRA: Cineasta, escritor, dramaturgo, compositor (parceiro de Chico Buarque, Edu Lobo, Francis Hime etc..), ator..etc..

sábado, 2 de janeiro de 2021

É punhal entre os dentes..."Carniça e a blindagem mística" é a nova HQ de Shiko.





O quadrinhista paraibano, Shiko é um espírito inquieto. Em suas produções é possível observar a abordagem de diversos temas e gêneros, porém um ponto em comum entre suas obras é a busca por expor o cotidiano em que personagens muitas vezes estão à margem da sociedade ou se rebelam contra o sistema ou convencionalismos sociais.

E seguindo esta perspectiva, seu novo trabalho, a HQ "Carniça e a blindagem mística" não foge a regra. A obra oriunda de uma pesquisa histórica que envolveu a leitura de matérias publicadas em jornais e revistas da primeira metade do século 20, além de entrevistas e documentos que expõem a pouco abordada presença das mulheres no cangaço. 

Na obra somos apresentados a um surpreendente e impensável grupo de cangaceiros em sua jornada que possuem como companhia o sangue e a morte, além de nos concederem um olhar aguçado ao presenciarmos as desigualdades e injustiças sociais aos que estão esquecidos pela lei e estado, e assim ficando a mercê da própria sorte e da força de vontade para sobreviverem ante inimigos tangíveis ou até mesmo o próprio clima em que predomina o solo seco e trás como companheiros, a fome e os urubus.

Diante do exposto, a força da narrativa textual de Shiko é potencializada com a aplicação de cores fortes que harmonicamente estão conectadas ao clima da região, e com seus desenhos expressivos que ressaltam olhos que exteriorizam o medo e a desesperança, mas que se contrapõe as suas almas indômitas que se recusam morrer sem lutar.

A HQ "Carniça e a blindagem mística" é uma obra que nos concede uma experiência ao nos transportar para uma época em que os excluídos muitas vezes criam suas próprias regras para sobreviverem e que desmonta a ideia do simples maniqueísmo ao apresentar personagens complexos e forjados pelas tragédias pessoais e que os motiva para seguirem quando tudo parece conspirar ao seu redor.


Título: Carniça e a blindagem mística vol 1
Autor: Shiko
Arte: Colorida
Formato: 20,5 x 27,5cm
Capa: Cartonada
Preço: R$ 45,00
Clique aqui para adquirir seu exemplar





quinta-feira, 13 de agosto de 2020

"COELCE. Natália". O meme que se transformou na nova HQ de Paulo Moreira


A HQ resgata um dos áudios mais populares da década ao expor o hilário diálogo da atendente, Natália e uma cliente que deseja a todo custo comprovar o pagamento de suas contas. Caso não nunca tenha ouvido, clique no play abaixo

De inquestionável humor, o diálogo é terreno fértil para @paulomoreirap, que concede elementos visuais e materializa o imaginário de uma comédia privada que transformou-se em pública ao apresentar mais uma face do cotidiano da relação entre atendentes e clientes.

E se gostou do que leu, clique aqui acesse nossa loja virtual e prepare-se para ter um ataque de risos.


Título: Coelce.Natália
Autor: Paulo Moreira
Formato: 15 x 15cm

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Castanha do Pará, um relato da desigualdade e marginalização social.





A obra apresenta um polêmico e contundente retrato de nossa desigualdade social ao narrar a história de Castanha, um menino urubu que vive à margem da sociedade, passa boa parte do tempo nas feiras livres e vive das migalhas que seu dia a dia lhe
proporciona. Entretanto, mesmo oprimido e preso a sua condição social, sua mente e a imaginação lhe concedem o combustível para prosseguir na jornada.

A história repleta de simbolismos e analogias tem seu ponto alto na relação do urubu, uma ave que alimenta-se do que é deixado para apodrecer e de um menino que muitas vezes encontra seu próprio sustento no que é rejeitado pelos outros.

Sua história é narrada por sua vizinha que estranha seu desaparecimento, e assim, aciona a policia para sair em sua busca.

Diante da riqueza textual, a qual é potencializada por sua bela arte pintada, o autor, @gidaltimoura, teve sua obra premiada no renomado Jabuti, tornando-se a primeira HQ a receber este prêmio.

Todavia, a capa da HQ em si já expõe um recorte da realidade, a qual muitas vezes torna-se indigesta para muitos que a visualizam, seja por sua violência ou recusa em observar o cotidiano sem as vendas que nos são impostas sorrateiramente aos nossos olhos e que castram nossa sensibilidade aos que nos rodeiam. E assim, ela tornou-se alvo de repúdio e censura em uma exposição em que ela encontrava-se exposta. O fato ocorreu segundo relato do autor após uma postagem no Facebook, escrita por um policial militar que identifica-se como Cabo Mauro, nela o militar se expressou da seguinte forma “Eu, como policial que trabalha junto com os feirantes do Ver-o-Peso, me senti ofendido. Se ninguém do Comando da PM, associações, ou qualquer representante político não processar, eu vou processar”.

Desta forma, mediante algumas insensíveis reações negativas, a obra de Gildati foi substituída, sem consulta ao autor, por uma página interna do quadrinho.

Entretanto, independente da premiação e polêmicas, "Castanha do Pará" é uma obra necessária para repensarmos a respeito das histórias que nos circundam e de como podemos alterar seus destinos.

E se gostou do que leu, clique aqui e coloque em sua coleção esta belíssima edição capa dura com direito a um autógrafo e um desenho no melhor estilo splash page que o autor fez para cada edição que encontra-se em nossa loja.



Título: Castanha do Pará
Autor: Gidalti Jr
Cada Dura
84 páginas
Formato: 22,5 x 30,5cm
Arte: Colorida/Pintada

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Minna Maná lança a poética e reflexiva HQ "Onde as gaivotas fazem seus ninhos"


Seguidores, nossa sugestão de HQ de hoje é a sensível e poética "Onde as gaivotas fazem seus ninhos" da quadrinista @minnamr.
Na narrativa, Minna Miná, apresenta quatro jovens com histórias distintas, todavia, conectadas pela solidão que os consome, mas providos da esperança lutam bravamente para encontrarem um local de refúgio que os conceda calmaria, completude e felicidade.
Entretanto, Minna Miná, vai além de conceber uma belíssima e edificante história textual quando por meio de inspiradas pinturas que estão em cada página expõe com muita sensibilidade as expressões de angústia, medo e incerteza que estão em nossas faces, mas que lutamos tanto para esconder daqueles que nos cercam.
E se gostou do que leu, clique aqui, e coloque em sua coleção esta inspirada obra concebida para te conduzir ao questionamento do propósito das buscas que realizamos e do poder transformador do coletivismo.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Crimes e distopia são os alicerces da HQ "A Cidade Asfixiada", de Renato Medeiros e Rodrigo Xavier




Seguidores, nossa sugestão de hoje é a HQ distópica "A Cidade Asfixiada" dos quadrinistas Renato Medeiros e Rodrigo Xavier.
Na historia testemunhamos o caos e a devastação causados pela poluição e consumo desmedido dos recursos naturais. Entretanto, a cidade encontra-se também asfixiada por crimes diversos, mas um destes crimes coloca em rota de colisão dois policias com o lado mais sombrio e perturbador de nossa existência e ainda fazê-los ficar frente a frente com seus demônios interiores.
E se gostou do que leu, clique aqui, e coloque em sua coleção esta pérola genuinamente brasileira da HQ de ficção científica.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Semilunar, nova HQ de Camilo Solano chega à Comic House




Maria é uma menina que sofre de disfemia, a popular gagueira. Ela consegue domar essa condição cantando e recitando poesias. A ideia vem de sua mãe, uma grande cantora que nunca conseguiu decolar.

A música é tudo para Maria, mas a vida é muito difícil para uma adolescente que quer viver de música e tem uma condição tão difícil de lidar, além da mãe, que projeta na filha todos os seus desejos e frustrações.

Esse é o ponto de partida de Semilunar, uma narrativa dramática e contemporânea assinada por Camilo Solano, que foca na condição humana e nas dificuldades da vida.

Com dois anos de desenvolvimento, Solano inovou na sua abordagem artística, mesclando diferentes formas de finalização e colorização para marcar a diferentes passagens da história que narra a luta de Maria para se tornar uma musicista.

A inspiração de Semilunar, seu debute publicando por meio de uma editora, veio da junção de duas coisas da memória do autor. Quando pequeno, sempre viajava com sua mãe a Mongaguá, cidade praiana do litoral sul de São Paulo para passar as férias. Era uma praia diferente, mas a única que ele conhecia até então.Uma praia meio cinza, onde deu os seus primeiros passos.Já adulto, trabalhando como desenhista,Camilo desenvolveu uma tendinite que o impossibilitou de desenhar por muito tempo.A dificuldade de encontrar sua voz, sua expressão, naquele momento, deu-lhe o impulso que faltava para compor essa história cheia de significados e busca pela reinvenção e superação.

Título: Semilunar
Autor: Camilo Solano
Páginas: 96 • Formato: 19 x 26,8cm •
Acabamento: Capa Cartonada •
Preço: R$ 35,00
Gostou? Então, compre seu exemplar aqui
















Assista abaixo a um clipe da canção que faz parte da HQ, composta por Solano exclusivamente para o livro.Entretanto, em seu canal no You Tube, é possível assistir outros clipes e animações relacionadas a obra



terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Sessão de Autógrafos com Samuel Gois e Thiago Leal






A Comic House promove, sábado, dia 16/12 mais um evento com quadrinistas nacionais em João Pessoa. Os artistas Samuel Gois e Thiago Leal participam de um bate-papo com o público e ainda de uma sessão de autógrafos de seus quadrinhos.


O bate-papo e a sessão de autógrafos será no sábado, 16/10, a partir das 18h30, na Comic House.



Samuel Gois irá lançar o álbum 'DR' (64 págs., R$ 50,00 capa dura com impressão em serigrafia, miolo em preto e branco e tiragem limitada), que apresenta como o próprio titulo sugere, são as famosas "discussões de relacionamento", e todas as subjetividades que esse assunto sugere. A relevância desta trabalho e inedistismo na forma como é abordado o tema rendeu ao quadrinista o título de Festival do Prêmio Des.grafica e publicado pelo MIS em novembro deste ano. Enquanto isso, o quadrinista, Thiago Leal, autografará sua mais recente obra intitulada 'Zona Neutra' (Independente, 48 págs., R$ 20,00) que apresenta histórias cotidianas sobre um grupo de amigos no centro da cidade.

Os autores, na companhia do mediador, Manassés Filho, e conversam sobre seus trabalhos com o público.

Exemplares autografados podem ser adquiridos antecipadamente por meio da loja virtual (www.comichouse.com.br). Além dos lançamentos, os artistas vão assinar também seus trabalhos anteriores. 


SERVIÇO
Bate Papo e Sessão de autógrafos
Local: Comic House (Avenida Nego, 255, Tambaú)
Data: sábado, 16/12
Horário: 18h30




sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Neurônios a mil com as tirinhas de Samuel de Gois

Existem HQ's para se ler, reler e botar o tico e teco pra funcionar e é nesta categorai que  "O Que Era Nuvem, Ficou Chuva O Que Era Seco, Ficou Despedaçado", de Samuel De Gois, encontra-se inserido. Clique no play e assista. Caso não consiga visualizar, clique aqui



Titulo:O Que Era Nuvem, Ficou Chuva O Que Era Seco, Ficou Despedaçado
Autor: Samuel De Gois
Páginas: 40 • Formato: 14 x 14cm •
Acabamento: Capa Couché •
Preço: R$ 13,00
Gostou? Então, compre seu exemplar aqui

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Holandeses, nova HQ de André Toral apresenta a jornada de dois irmãos em busca de riqueza e sonhos.



Ele, que criou uma legião de fãs com seus quadrinhos na revista Animal e em álbuns como Adeus, Chamigo Brasileiro (Companhia das Letras) e Os Brasileiros (Conrad), chega agora com mais um livro tão impactante pela beleza de seu desenho, quanto importante pela sua pesquisa histórica. Holandeses conta a história de dois irmãos judeus que vêm ao Brasil na época da invasão holandesa no Brasil do século XVII. Um dos irmãos vem para enriquecer no comércio de escravos, o outro vem seduzido pelo mito de que haveria uma tribo perdida de Israel vivendo entre os índios brasileiros. Uma história dramática e surpreendente.

Abaixo, uma interessante apresentação da HQ no programa Metrópolis. Clique no play e assista.



Título: Holandeses
Autor: André Toral
Páginas: 96 • Formato: 24,4 x 17,2cm •
Acabamento: Capa Dura •
Preço: R$ 59,90
Gostou? Então, compre seu exemplar aqui

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Nova HQ de Marcelo D'Salete conta a história de Palmares e a luta de um povo pelo fim da opressão.



Durante onze anos, Marcelo D’Salete, autor de Encruzilhada e do sucesso internacional Cumbe, pesquisou e preparou-se para contar a história dessa rebelião que tornou-se nação, referência maior da luta contra a opressão e o racismo no Brasil. O resultado é um épico no qual o destino do país é decidido em batalhas sangrentas, mas que demonstra a delicada flexibilidade da resistência às derrotas.

Angola Janga, “pequena Angola” ou, como dizem os livros de história, Palmares. Por mais de cem anos, foi como um reino africano dentro da América do Sul. E, apesar do nome, não tão pequeno: Macaco, a capital de Angola Janga, tinha uma população equivalente a das maiores cidades brasileiras da época.


Formada no fim do século XVI, em Pernambuco, a partir dos mocambos criados por fugitivos da escravidão, Angola Janga cresceu, organizou-se e resistiu aos ataques dos militares holandeses e das forças coloniais portuguesas. Tornou-se o grande alvo do ódio dos colonizadores e um símbolo de liberdade para os escravizados. Seu maior líder, Zumbi, virou lenda e inspirou a criação do Dia da Consciência Negra.

Um grandioso romance histórico em quadrinhos que fala de Zumbi, e de vários outros personagens complexos como Ganga Zumba, Domingos Jorge Velho, Ganga Zona e diversos homens e mulheres que compõe o retrato de um momento definidor do Brasil.

Com a palavra, o próprio D'Salete. Clique no play e assista. Caso não consiga visualizar, clique aqui


Título: Angola Janga
Autor: Marcelo D'Salete
Páginas: 432 • Formato: 16 x 23cm •
Acabamento: Capa Dura •
Preço: R$ 89,90
Gostou? Então, compre seu exemplar aqui

terça-feira, 7 de novembro de 2017

HQ premiada no 59º Prêmio Jabuti, Castanha do Pará, de Gidalti Jr., chega à Comic House



O romance gráfico Castanha do Pará é o primeiro quadrinho vencedor do 59º Prêmio Jabuti, a mais importante premiação literária do Brasil. O álbum reconta, em forma de fábula, uma situação cada vez mais comum nos dias de hoje: Castanha é um menino-urubu que vive suas aventuras pelos cenários do tradicional mercado público Ver-o-Peso, em Belém. Mora sob o céu aberto e sobrevive dos furtos e das migalhas de atenção que sobram do mundo ao seu redor.

Em sua estreia Gidalti Moura Jr., apresenta uma narrativa visual que abusa da expressividade na pintura aquarelada para dar vida a este conto urbano, criando uma visão lúdica e ritmada para a poesia da dura realidade.  

Título: Castanha do Pará
Autor: Gidalti Jr.
Páginas: 84 • Formato: 22,5 x 30,5cm •
Acabamento: Capa Dura •
Preço: R$ 68,00
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Sessão de Autógrafos na Comic House - Os convidados


A Comic House promove na próxima semana mais um evento com quadrinhistas nacionais em João Pessoa. Os artistas Rogério Coelho e Juscelino Neco participam de leitura dramática, bate-papo com o público e ainda de uma sessão de autógrafos de seus quadrinhos.

O bate-papo e a sessão de autógrafos será no sábado, 13/8, a partir das 18h30, na Comic House.

Os autores

Rogério Coelho é ilustrador e autor de literatura infantojuvenil e histórias em quadrinhos. Entre seus trabalhos estão os livros de imagem " O Gato e a Árvore" e o "O Barco dos Sonhos" publicados pela Editora Positivo e a graphic novel Louco-Fuga pelo selo Graphic MSP/Panini Comics, além da ilustração de mais de uma centena de livros de literatura. Já recebeu diversos prêmios, entre eles duas vezes a menção "Altamente Recomendável" da FNLIJ-Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e o Prêmio Jabuti. Vive em Curitiba.


Juscelino Neco é quadrinhista e autor das graphic novels "Parafusos, Zumbis e Monstros do Espaço" (2013) e "Matadouro de Unicórnios" (2016), ambas publicadas pela Editora Veneta. Também é autor do livro "Zumbis para Colorir"(Veneta, 2015), publicado nos EUA, França, Rússia, Taiwan e vários outros países. Seu trabalho funde comédia e horror.

Rogério Coelho e Juscelino Neco na Comic House




A Comic House promove na próxima semana mais um evento com quadrinhistas nacionais em João Pessoa. Os artistas Rogério Coelho e Juscelino Neco participam de leitura dramática, bate-papo com o público e ainda de uma sessão de autógrafos de seus quadrinhos.

O bate-papo e a sessão de autógrafos será no sábado, 13/8, a partir das 18h30, na Comic House.

Rogério Coelho vem a João Pessoa para lançar o álbum 'Barco dos Sonhos' (Positivo, 80 págs., R$ 35,50) e 'Louco - Fuga' (Panini, 80 págs, Capa Dura, R$ 32,90).

Juscelino Neco traz os álbums de terror 'Matadouro de Unicórnios' (Veneta, 184 págs., R$ 39,90) e 'Parafusos, Zumbis e Monstros do Espaço'(Veneta, 112 págs., R$ 29,90)

A leitura dramática do sábado, dia 13, ficará a cargo da contadora de histórias e atriz Manu Coutinho, antiga parceira da Comic House. Em seguida, os autores, na companhia do jornalista Audaci Junior, conversam sobre seus trabalhos com o público.

A noite de autógrafos do sábado contará ainda com o sorteio de pôsteres assinados para os clientes que adquirirem as obras em lançamento.

Os exemplares autografados podem ser adquiridos antecipadamente por meio da loja virtual (www.comichouse.com.br).

sexta-feira, 29 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Alê Abreu, diretor da animação "O menino e o mundo" indica Aventuras na Ilha do Tesouro, de Pedro Cobiaco




Caso não consiga visualizar o vídeo, clique aqui

Gostou da dica? Então, clica aqui e garanta seu exemplar autografado!

E não esqueça! Sábado, dia 09/07, às 18h, tem Pedro Cobiaco e Diego Sanchez na Comic House. Por sinal gostaram do cartaz que eles produziram?


sexta-feira, 1 de julho de 2016

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Hermínia, de Diego Sanchez



Por Audaci Jr
A cidade de El Camino se vê invadida por uma estranha névoa, na qual todas as realidades se fundem e se desfazem.

A jovem Hermínia embarca com o desconhecido Arcádio numa fuga por cenários cotidianos, o que acaba se transformando numa jornada na qual é utilizado o fantástico para tratar sobre adolescência, intimidade, transcendência e medo.

Logo nas primeiras páginas de Hermínia, o leitor descobre o quanto as personalidades dos protagonistas adolescentes são diferentes: ela salta sem se preocupar onde cairá; ele, que atende pelo nome de Arcádio, é mais prudente, o que não quer dizer que seja mais seguro de si ou de seus atos.
Quando mais jovem, o rapaz sabe as consequências de ações impensadas: está marcado no seu rosto. E, assim, com sua própria cadência, a HQ avança na desconhecida vida dos dois, até para eles mesmos.

Menos experimental do que Perpetuum Mobile, obra lançada de forma independente e que ganhou recentemente uma republicação pela editora Mino, o álbum do Diego Sanchez ainda carrega um lado simbólico muito forte.
A realidade dissolve suas beiradas por meio da misteriosa e metafísica névoa que toma a cidade de El Camino. Seria uma realidade pré-estabelecida ou uma que ainda está por vir, dependendo dos atos do casal na flor da idade?

Tocando nos assuntos de egos e “infinitas consciências”, a jornada de autoconhecimento pela inadequação no mundo em que os dois vivem, Hermínia remete ao clássico O Lobo da Estepe, do alemão Hermann Hesse (1877-1962). A pista deixada por Sanchez justamente é o nome da personagem-título, que também está presente no romance escrito em 1927, ano situado entre a “névoa” de duas Guerras Mundiais, ou melhor: entre dois “fins de mundo” e suas mudanças.

A condição humana e a busca por identidade também leva ao conto O Aleph, do argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), bem como o nome da cidade conecta a obra homônima do espanhol Miguel Delibes (1920-2010), onde a história também traceja o caminho da vida pelas buscas.

Na escala da curiosidade das referências literárias em Hermínia, o nome do rapaz aponta o universo que funde o fantástico e o real, uma homenagem clara ao clã de José Arcádio Buendía e à mágica Macondo de Gabriel Garcia Márquez (1927-2014), em outro clássico da literatura mundial, Cem Anos de Solidão.

Há também referência ao pintor-filósofo francês Nicolas Poussin (1594-1665), tatuada na pele de Arcádio, cuja expressão em latim – Et in Arcadia – faz ligação com seu nome e, ao mesmo tempo, à morte – também um símbolo de mudança no tarô.

Mais tarde, a tarologia cutânea ainda apresenta ao leitor a efetivação da mudança no jovem quando ele grava o símbolo da “Arte”, originalmente chamada de “Temperança”, um arcano maior das cartas.
Hermínia tem camadas metafóricas complexas e entrelinhas filosóficas, mas isso não a impede de se tornar confusa ou enfadonha para quem não quer “entrar no seu espírito” ou tentar decifrar as suas “pistas”.

Em alguns momentos, a “voz” dos personagens parece algo simplesmente discursivo, o que perde em força narrativa para ganhar um espaço particular no divã de ambos.

A arte pontilhada e estilizada de Sanchez se equilibra entre os hiatos do magenta que destaca bem os seus desenhos. Fazendo novamente alusão à adolescência, são como os jovens rabiscando as suas confidências com a caneta de cor mais gritante no seu “querido diário”.

Novamente, a edição da Mino é caprichada, com o magenta se misturando no fundo alaranjado da capa dura e os detalhes em verniz. Com formato 17 x 27 cm, o álbum é impresso em offset de alta gramatura.

Reflexão sobre o estado de mudança nas beiradas da realidade, o inconformismo, a fragmentação do ser e suas inquietações. Um quebra-cabeças que sempre deixa a sensação de que está faltando algumas peças ou elas não se encaixam, como a vida. Entre os altos e baixos narrativos, Hermínia consegue sair do conformismo da mesmice e mostrar o seu valor.

Título: Hermínia
Autor Diego Sanchez
Páginas: 88 • Formato: 17 x 27cm •
Acabamento: capa dura •
R$ 44,00
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(Resenha publicada originalmente no site Universo HQ )