terça-feira, 22 de novembro de 2022

‘O Diabo Feito Mulher’, 70 anos: faroeste clássico de Fritz Lang com Marlene Dietrich


Por Renato Félix*

Fritz Lang fez em 1952, há 70 anos, este faroeste em Technicolor, estrelado pela lenda Marlene Dietrich: “O Diabo Feito Mulher”, um dos clássicos da RKO no catálogo da HBO Max. Aos 50 anos, a alemã é Altar Keane, uma ex-vedete que agora dirige um rancho onde dá emprego e abrigo a tipos fugidos da polícia. E que se vê dividida entre dois homens.

Mas ela vai entrando em cena aos poucos: a história começa por Vern (Arthur Kennedy), cuja noiva é barbaramente morta em um assalto. Em busca de vingança, ele rastreia o assassino e a melhor pista diz respeito a Altar Keane, cuja história ele vai conhecendo a cada pessoa com quem ele vai conversando.

Até finalmente chegar ao rancho, junto com Frenchy (Mel Ferrer), o amante de Altar, a quem ele ajudou a fugir da cadeia. Assim, ganha um emprego, mas também fica fascinado pela mulher do novo amigo.

O carisma sedutor de Dietrich vinha fazendo sua carreira desde os anos 1930. Enigmática, petulante, dona de si, e com aquelas pernas, ela foi moldada pelo cineasta alemão Joseph von Sternberg a partir de "O Anjo Azul" (1930), em Berlim, e depois na carreira que ambos construíram juntos em Hollywood, com mais seis filmes juntos.

A atriz aprendeu direitinho e continuava querendo que a forma com que era enquadrada e iluminada por Sternberg para criar sua aura fosse usada – no caso, por Lang e seu diretor de fotografia, Hal Mohr. Isso causou tensão nas filmagens, mas, de uma maneira ou outra, o charme de Marlene está no filme.

Como o público vê o assalto fatal no começo do filme, o mistério fica por conta de como Vern vai descobrir quem é o assassino. E com quem Marlene Dietrich vai ficar no final. A paquera com Arthur Kennedy tem destaque, inclusive copiando o truque de acender dois cigarros ao mesmo tempo e oferecer um deles à parceira, que havia ficado icônico dez anos antes em "A Estranha Passageira" (1942).

A extrema obsessão de Vern se justifica: sua noiva não foi "só" morta, também foi estuprada. Isso não podia ser contado claramente na Hollywood da época, mas fica subentendido pelos lances de narrativa: o grito dela ouvido do lado de fora da loja, pela frase do médico ('Ela não foi poupada de nada") e pelo enquadramento de sua mão morta, em posição de quem lutou contra a agreessão.

Outra questão narrativa é a canção que vai intercedendo na trama, fazendo as vezes de narração. Segundo o American Film Institute, a primeira vez que um filme americano usou uma canção dessa forma ("Do not forsake me, oh, my darling", em "Matar ou Morrer", do mesmo ano, é usada de maneira semelhante, embora não tão ostensiva como aqui).

A verdade é que é um pouco difícil se acostumar com essa intervenção, mas ela começa já nos créditos iniciais, antes mesmo da trama começar, então faz sentido, de qualquer forma.
Cena do filme "O Anjo Azul"
O título nacional é de um machismo que não encontra respaldo nem na história. Por que o personagem de Marlene seria "o diabo feito mulher"? Ela é naturalmente sedutora, mas nem é desleal ou coisa parecida. Parece mais um comentário a respeito de sua persona artística, que vinha lá de "O Anjo Azul", onde isso seria bem mais adequado.

Não faz sentido, mas até aí também não faz o título original, "Rancho Notorious". A expressão não é usada no filme e o título foi imposto na RKO por Howard Hughes, que não aceitou a ideia de Lang de chamar o filme de "Chuck-a-Luck" (um jogo de roleta e o nome que a personagem de Marlene dá a seu rancho). Mas em questão de créditos, isso é o de menos. Muito pior é o nome de Lloyd Gough (nada menos que o ator que faz o estuprador assassino) ser retirado dos créditos do filme porque entrou para a lista negra de Hollywood por ter se recusado a delatar colegas na paranoia anticomunista daqueles tempos.


"Rancho Notorious". Estados Unidos, 1952.

Direção: Fritz Lang. Roteiro: Daniel Taradash, a partir de argumento de Silvia Richards. Elenco: Marlene Dietrich, Arthur Kennedy, Mel Ferrer, Lloyd Gough, William Frawley, Jack Elam, George Reeves.

Onde ver: HBO Max










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segunda-feira, 21 de novembro de 2022

A semana começa com os quadrinhos

 



Preparem-se nerds e nerdas! 

Estaremos nos dias 21 a 23 de novembro, de segunda à quarta-feira, das 8h às 18h, no pátio do IFPB - Campus João Pessoa, participando da Semana de Educação, Ciência, Cultura e Tecnologia (SECT), que este ano possui o tema:  BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA: 200 anos de Ciência, Tecnologia e inovação no Brasil.

O evento cultural, acadêmico e técnico-científico realizado todos os anos pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba – Campus João Pessoa, tem por objetivo apresentar-se como um espaço de diálogo, troca de saberes e de celebração do aprender-ensinar-aprender envolvendo a Educação. Educação Física, Arte e Cultura, Integração Escola Comunidade, Literaturas e Línguas, Design, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Arquitetura e Construção Civil, Inovação, Informática, Inclusão, Desafios Acadêmicos e Profissionais, Promoção, Social e Qualidade de Vida, Articulação do Voluntariado, EMPIF, Ciências Humanas, Comunicação e Registro, Gestão de Sistemas, Secretaria e Logística, Novembro Negro e Controle e Processos Industriais. Clique aqui e confira a programação completa e inscreva-se gratuitamente em algumas das atividades. 

 

E para contribuirmos ainda mais com incrível evento, além de expormos lançamentos quentíssimos do melhor dos quadrinhos nacional e estrangeiro com direito à HQs autografadas e em edições de luxo, iremos realizar um quiz e um sorteio para aqueles que comprarem em nossa itinerância.

 

💥Ah! E não posso me esquecer que os premiados irão receber HQs ou posters exclusivos.

 

📌Venha visitar a Comic House, bater um bom papo sobre quadrinhos e ainda colocar os quadrinhos que não estão no gibi em sua coleção.

 

Aguardo sua visita!

 

Venha para a Comic House, a loja onde quadrinhos não estão no gibi.








domingo, 20 de novembro de 2022

Adeus, Tommy, um inesquecível Power Ranger


De acordo com o site Geerk Ireland, o ator e lutador de MMA, Jason David Frank, famoso por viver o Tommy de Power Rangers na primeira temporada (e reprisar o papel em várias outras), morreu.


O ator viveu Tommy Oliver por apenas 14 episódios na primeira temporada, mas ficou tão popular que voltou como Ranger Branco e se tornou o novo líder da equipe.

Embora a família não tenha soltado nenhum pronunciamento sobre a morte, um de seus agentes confirmou a notícia. Ela também foi confirmada por um de seus amigos, Mike Bronzoulis,  treinador e grande amigo de Frank se despediu do amigo em um post no Facebook:




“RIP meu irmão de outra mãe Jason David Frank. Ainda estou em choque. Estou me sentindo péssimo, ele ligou me deixou uma mensagem e eu demorei. Jason era um bom amigo para mim e vou sentir falta dele. Amor e orações por sua esposa Tammie e seus filhos, rezo para que Deus os ajude neste momento difícil".

Caso tenhamos maiores informações sobre essa triste notícia, iremos atualizar todos vocês!

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Semana com dupla itinerânica da Comic House


Se prepare que estaremos com duas incríveis itinerâncias hoje e amanhã, mais precisamente, quinta-feira e sexta-feira, dia 17 e 18 de novembro.

Das 13h às 17h30, dessa quinta-feira, marcaremos presença na fantástica @ifeira.Cabedelo (IFPB - Campus Cabedelo) e amanhã, das 18h às 21h, na @faculdadefpb participando da Feira de Empreendedores da III Semana Ânima de Empreendedorismo e Inovação.

No espaço/mesa da Comic House, você irá encontrar lançamentos quentíssimos do melhor dos quadrinhos nacional e estrangeiro com direito à HQs autografadas, edições de luxo, raridades e quadrinhos japoneses.

Ah! E não posso me esquecer que o evento terá muitas atrações...cosplay, K-POP e muito mais.

Mas não esqueça, venha visitar a Comic House, bater um bom papo sobre quadrinhos e ainda colocar os quadrinhos que não estão no gibi em sua coleção.

Aguardamos sua visita!

Venha para a Comic House, a loja onde quadrinhos não estão no gibi.




terça-feira, 8 de novembro de 2022

Comic House faz nova Itinerância


Prepare-se que dia 09 e 10 de novembro, o IFPB - Campus João Pessoa será palco da nova itinerância da Comic House. Estaremos, das 8h às 19h, no pátio do IFPB em Jaguaribe, participando da Segunda Semana de Arte e Cultura

No espaço/mesa da Comic House, você irá encontrar lançamentos quentíssimos do melhor dos quadrinhos nacional e estrangeiro com direito à HQs autografadas, edições de luxo, raridades e quadrinhos japoneses. 

Ah! E não posso me esquecer que o evento terá uma série de atrações musicais, danças, oficinas. Ou seja, é atração de mais de metro! (Clique aqui e conheça toda a programação)

Mas não esqueça, venha visitar a Comic House, bater um bom papo sobre quadrinhos e ainda colocar os quadrinhos que não estão no gibi em sua coleção, ok?

 Aguardamos sua visita!

 Venha para a Comic House, a loja onde quadrinhos não estão no gibi.
 

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Stranger Things 4: Assista os 9 minutos iniciais da quarta temporada


A Netflix liberou, nesta sexta-feira, 20/05/2022, praticamente nove minutos iniciais da quarta e última temporada de Stranger Things 4. A primeira parte da quarta temporada estreia daqui exatamente uma semana, em 27 de maio.

O vídeo começa com uma criança andando de bicicleta -- quer algo mais Stranger Things do que isso? Em seguida, o Dr. Brenner assume e vemos que trata-se de um flashback: estamos no ano de 1979 em Hawkins.

Assista abaixo, com legendas em português:

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Prepare-se para conhecer uma das mais belas e poéticas HQs do ano.

 



Normalmente as HQs autorais podem nos conceder experiências memoráveis que se enraízam profundamente em nossas mentes e corações. Suas releituras muitas vezes trazem novas percepções com mensagens que estabelecem reflexões sobre a condição humana  e a relação com meio.

E foi justamente esta sensação e sentimento que tive ao reler a HQ francesa "Un océan d'amour', do roteirista, Wilfrid Lupano e com desenhos de, Grégory Panaccione, que mais recentemente foi publicada em nosso país pela editora Nemo, com tradução do título literal, "Um oceano de amor" nos apresentar uma profunda história de amor entre um senhor que é pescador e sua esposa, porém vai mais além e nos conquista em cada página lida ao trazer também o tema da preservação da natureza, neste caso, o oceano. 

Sendo assim, no vídeo desta semana, faço uma analise sobre esta HQ e me aprofundo em suas sinceras mensagens sobre o amor e da nossa relação com a natureza.

Clique no link no play abaixo ou aqui e assista ao episódio em nosso canal no YouTube.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

“O Beco do Pesadelo” e “O Beco das Almas Perdidas”: o monstro dentro do homem



Por Renato Félix*


Guillermo del Toro construiu uma carreira como cineasta exibindo monstros na tela. De “O Labirinto do Fauno” a “A Forma da Água”, passando por seus dois “Hellboy” e por “Círculo de Fogo”. Em seu primeiro filme após ganhar o Oscar de melhor filme (justamente com “A Forma da Água”), o mexicano dispensa as criaturas fantásticas. Quer dizer, mais ou menos. Embora “O Beco do Pesadelo” só conte com figuras humanas, a ideia da monstruosidade está no filme em mais de uma maneira.

Baseado no romance de William Lindsay Gresham, Del Toro não esconde seu fascínio pela ambientação da feira itinerante que exibe curiosidades, truques e aberrações. É uma longa primeira parte, em que Stanton Carlisle (Bradley Cooper) chega sem destino à feira e consegue um emprego. Ajudando um casal que apresenta um número fajuto de vidente (Toni Collette e David Strathairn), acaba aprendendo os truques, códigos de comunicação e como ler gestos e expressões da plateia para apresentar um número ousado de “leitura de mentes”. Ele pode até convencer que é capaz de contato com pessoas mortas.

Mas isso ele só leva em frente na segunda metade do filme, em chiques salões de Nova York, onde ganha bastante dinheiro ao lado da moça que levou consigo da feira, Molly (Rooney Mara). A proposta de uma psiquiatra (Cate Blanchett) para que Stanton atenda em particular a um milionário (Richard Jenkins) leva a situação a novos níveis de perigo.

Na feira, um número é apresentado sem que as autoridades saibam: o “selvagem” (“geek”, no original), um homem que é mantido prisioneiro em condições para que seja desprovido de sua humanidade e seja capaz de matar uma galinha com os dentes, arrancando for a cabeça dela na frente da plateia. Ele não é um ator interpretando, não mais. 

Aparentemente é um show que realmente existia no século XIX. E, nisso, “O Beco do Pesadelo” chega a lembrar “Monstros” (1932), o polêmico filme de Tod Browning que era estrelado por atrações reais de feiras como estas.

Enfim, esse ambiente de fantasia e terror – mesmo que seja tudo um truque – interessa a Del Toro a ponto de dedicar a ele mais tempo do que seria necessário. Mas há também o monstro dentro do ser humano, a deformação que leva à ganância que passa por cima de qualquer moral.

O Beco do Pesadelo” também segue de perto os códigos do filme noir, tanto em seu aspecto sombrio quanto na trama recorrente do sujeito que se acha muito esperto, mas vai se dar mal nas mãos de uma mulher fatal. Nessa mimetização do estilo, Del Toro é excelente.

O que muita gente talvez não tenha ficado sabendo é que o livro já tinha sido adaptado uma vez, chegando aqui com o título “O Beco das Almas Perdidas”. O filme de 1947 chegou ao streaming na mesma época em que sua versão de 2021.

Em preto-e-branco, traz Tyrone Power como Stanton Carlisle, numa trama que é praticamente a mesma. Galã que havia sido o Zorro sete anos antes, Power estava a fim de mudar a imagem e se dedicou a fazer o filme acontecer. A natureza sombria do material, no entanto, levou a cortes das cenas do “selvagem” em ação e à imposição do estúdio de um epílogo que deixasse o final menos negativo (a versão de Del Toro manteve o final pretendido originalmente).

Ainda assim é muitas vezes fascinante. A cena em que Molly (Coleen Gray) é “eletrocutada” é puro fascínio circense, tanto que Del Toro a repete fielmente em sua versão. Zeena, papel que Del Toro deu a Toni Collette, aqui é da grande Joan Blondell, estrela dos musicais da Warner nos anos 1930. Zeena tem consciência de que o que faz é teatro, Stanton começa a achar que tem mesmo poderes – ao menos poderes para iludir todo mundo.


O Beco do Pesadelo” (“Nightmare Alley”, EUA, 2021)

Direção: Guillermo Del Toro. Elenco: Bradley Cooper, Cate Blanchett, Rooney Mara, Toni Collette, Willem Dafoe, Richard Jenkins, Ron Perlman, Mary Steenburgen, David Strathairn, Tim Blake Nelson.

Onde ver: Star Plus.


O Beco das Almas Perdidas” (“Nightmare Alley”, EUA, 1947)

Direção: Edmund Goulding. Elenco: Tyrone Power, Joan Blondell, Coleen Gray, Helen Walker.

Onde ver: DVD (isolado ou na coleção Filme Noir – Vol. 19) e Belas Artes a la Carte.


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quarta-feira, 30 de março de 2022

Uma obra clássica te espera em nossa loja.

 



Mais uma grande obra do Mestre Sergio Toppi te espera em nossa loja. 


Com roteiro e arte, renomado, Sergio Toppi, a HQ “O Colecionador” conta a história de um misterioso milionário que viaja aos confins do mundo atrás de objetos para a sua extraordinária coleção. 


Não lhe interessa objetos que tenham valor de mercado, seja por sua antiguidade ou beleza, mas sim aqueles que, segundo suas palavras, tenham “algum significado especial para mim […] que foram protagonistas de histórias que só eu conheço graças as minhas pesquisas”. 


Cada um destes objetos, que carregam alguma característica fantástica, dão nome a cada um dos episódios da série: “O calumet de pedra vermelha”, “O obelisco da terra de Punt”, “A lágrima de Timur Leng”, o “Cetro de Muiredeagh” e “O colar de Padmasumbawa”.


Entretanto, “O Colecionador” vai além desta jornada em busca de artefatos, e apresenta para nós leitores histórias profundas envolvendo índios norte-americanos, guerreiros da Etiópia, nativos da Nova Guiné e outras realidades que nos concedem um olhar minucioso sobre a condição humana.


O colecionador, de Sergio Toppi
Edição Integral - 268 páginas, Capa Dura
Arte: Preto e Branco
R$ 96,00
Clique aqui e garanta seu exemplar!


Acesse nossa loja e coloque este clássico em coleção.


Venha para a Comic House, a loja onde os quadrinhos não estão no gibi,



  


segunda-feira, 21 de março de 2022

‘Ghostbusters – Mais Além’: Tributo para lavar a alma




GHOSTBUSTERS – MAIS ALÉM
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2022: 12
Onde ver: Apple TV.

        Por Renato Félix*                                             

                                                     Tributo para lavar a alma

Os Caça-Fantasmas (1984) se estabeleceu nos anos 1980 como a comédia de maior bilheteria do cinema. A mistura com o fantástico e os efeitos visuais podem ter ajudado, mas uma coisa é certa: o fundamental para o sucesso do filme e para ele ser lembrado com tanto carinho até hoje não era isso, era a química entre seu elenco e entre seus personagens.

Peter, Egon, Ray, Winston, Janine eram tão marcantes, cada um dos seu jeito, que renderam superbem também na série animada que veio depois. E é por isso que aquela releitura de 2016, Caça-Fantasmas, com um elenco todo feminino e completamente descolada do original, não funcionou tão bem. Infelizmente, não deu a mesma liga.

Daí que chegamos a esse Ghostbusters – Mais Além, em que a Sony tolamente desprezou o nome já consagrado por décadas da série aqui para usar o original em inglês. Ao contrário do filme de 2016, este é uma continuação direta dos dois filmes originais, de 1984 e 1989. Mais do que isso, é um belo tributo àqueles filmes e personagens.

Para começar, é dirigido e co-escrito por Jason Reitman, filho de Ivan Reitman, o diretor dos dois filmes originais. Um filme de filho para pai, sendo Jason um diretor que já entregou grandes filmes como Obrigado por Fumar (2005), Juno (2007) e Amor sem Escalas (2009), embora não tivesse mais acertado da mesma forma de lá para cá.

Os Caça-Fantasmas tinha roteiro de Harold Ramis e Dan Aykroyd, que interpretaram Egon e Ray no filme. Ramis morreu em 2014 e o filme é dedicado a ele, mas não só. A história é focada principalmente na filha e netos de Egon, que herdam dele uma casa numa cidadezinha no interior, onde ele vivia isolado em seus últimos anos.

Os dois netos e os amigos que fazem no lugar vão formar a nova geração de Caça-Fantasmas a partir da descoberta de quem era o avô e o que ele fazia ali. Essa atenção ao personagem e a aparição dos velhos colegas em algum momento são bonitos detalhes, tratados com ternura.

Muitas são evidentes e outras ficam a ser percebidas pelos mais atentos, como o fato de que Mckenna Grace usa até os mesmos óculos que Ramis usou em Os Caça-Fantasmas.

Mas Mais Além não se resume a isso, juntando um carismático grupo de jovens protagonistas em uma bem montada junção de aventura e comédia, sem querer inventar a roda. Os originais dão um suporte afetivo a essa nova geração em um filme que consegue apontar para um futuro possível sem precisar destruir o que veio antes. Pelo contrário: é para lavar a alma de qualquer fã.



Ghostbusters – Afterlife, Estados Unidos/ Canadá, 2021.
Direção: Jason Reitman. Elenco: Mckenna Grace, Finn Wolfhard, Logan Kim, Celeste O’Connor, Carrie Coon, Paul Rudd, Bill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson, Annie Potts, Sigourney Weaver, J.K. Simmons, Olivia Wilde.

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Texto extraído do blog Boulevard do Crepúsculo
de autoria do jornalista, Renato Félix.

terça-feira, 8 de março de 2022

Bruna Marquezine é confirmada em filme da DC.

Imagem: Montagem/@aliagavictorr
 Imagem: Montagem/@aliagavictorr
A atriz brasileira Bruna Marquezine foi confirmada no elenco de Besouro Azul, filme solo do herói da DC Comics que será estrelado por Xolo Maridueña, conhecido pelo papel de Miguel Diaz na popular série Cobra Kai, da Netflix.

O anúncio da participação de Marquezine em Besouro Azul aconteceu nesta terça-feira (8), pelo site The Wrap. O veículo também noticiou as adições dos atores Harvey Guillén e Belissa Escobedo no elenco.

Segundo o site descreveu, Marquezine interpretará Penny, "uma personagem de destaque e interesse romântico", enquanto Escobedo será Milagros Reyes, irmã mais nova de Jaime Reyes. O papel de Guillén não foi revelado.

Atriz brasileira quase participou do filme Flash.

A estreia de Bruna Marquezine poderia ter sido até antes! Em recente entrevista, a brasileira revelou que fez testes para o papel de Supergirl no filme solo do Flash, que estreia em novembro de 2022.

Na ocasião, a pandemia da Covid-19 teria impedido que Marquezine fosse até Londres para as últimas etapas do processo: "Tentaram de todas as formas possíveis, mas esse não foi o único motivo; o papel era dela", revelou, em alusão a Sasha Calle, que acabou confirmada como Supergirl.

Ao revelar que quase esteve em Flash, Marquezine disse que foi elogiada pelo ator Ezra Miller (o Barry Allen da DC no cinema) durante os testes de química com o ator e pelo diretor Andy Muschietty, e que manteve contato com a produção. Parece que o contato rendeu bons frutos, não é mesmo?

Qual é a história de Besouro Azul?

Nos quadrinhos, o adolescente mexicano-americano Jaime Reyes (personagem de Xolo Maridueña no filme) ganha super poderes ao encontrar uma armadura alienígena e assume o manto de Besouro Azul.

Reyes é o terceiro personagem a adotar o manto do Besouro Azul nas HQs da DC Comics. O personagem foi criado por Keith Giffen, John Rogers e Cully Hamner em 2006, sendo introduzido na saga Crise nas Infinitas Terras.

Quando estreia Besouro Azul?

O filme do Besouro Azul está previsto para estrear nos cinemas em 18 de agosto 2023. A direção é de Angel Manuel Soto, com roteiro de Gareth Dunnet-Alcocer.


Texto escrito por  byVíctor Aliaga e extraído do site IGN Brasil

Essa é uma das melhores HQs que li!

Eleger um quadrinho como um dos melhores que li, sempre é uma tarefa difícil, mas resolvi fazer um vídeo e comentar com vocês sobre uma HQ que me surpreendeu bastante, tanto em sua proposta como edição como também em sua narrativa visual/textual. 

Então, te convido a clicar no play do vídeo e deixarem seus corações acelerarem com esta dica que não está no gibi.

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Espero que curtam ao vídeo, participem com seus comentários, compartilhem o episódio: https://youtu.be/EeFdVDSLFus com seus amigos e familiares, e ao se inscreverem no canal venham fazer parte da família Comic House.

*Clique no link para adquirir seu exemplar https://bit.ly/3f1l1az


‘Ataque dos Cães’: A máscara da brutalidade

Por Renato Félix*

ATAQUE DOS CÃES

⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2022: 10
Onde ver: Netflix.

A máscara da brutalidade

O velho oeste americano sempre foi mostrado como um local para os durões. E o cinema clássico já mostrava algumas vezes que a fragilidade sofre nesse ambiente. Por exemplo, em O Homem que Matou o Facínora (1962), de John Ford, onde James Stewart era o advogado pacífico que passava maus bocados nas mãos do bandidão vivido por Lee Marvin.

Ali o faroeste já vinha começando um aspecto revisionista que nunca mais pararia. Isso ampliaria seu arcabouço temático, para além de tiroteios entre xerifes e bandidos ou exército e nativos. E leva a um filme como Ataque dos Cães, que aborda a questão da homossexualidade nesse cenário de uma maneira razoavelmente sutil.

Aliás, chamar de “faroeste” pode ser impreciso. O gênero costuma obedecer a certos aspectos muito precisos e restritos, começando pelo espaço e pelo tempo. São histórias que se passam em uma certa região dos Estados Unidos, em um período de tempo localizado na segunda metade do século XIX.

Ataque dos Cães se passa no estado de Montana, mas o ano é 1925, bem depois do período clássico do western. Mas o filme da neozelandesa Jane Campion se passa numa região tão remota, que muita coisa do velho oeste persiste ali.

O ambiente é hostil para homens frágeis, delicados ou, “pior” ainda, homossexuais. O filme, então, contrapõe o vaqueiro Phil Burbank, vivido por Benedict Cumberbatch, e o jovem Peter Gordon (Kodi Smit-McPhee). Filho da dona de um restaurante, a viúva Rose (Kirsten Dunst), o rapaz parece completamente deslocado por ali. Phil, por outro lado, tem uma ligação umbilical com aquele estilo de vida e rejeita até os anseios do irmão e sócio, George (Jesse Plemons) por civilização. Para Phil, a vida a ser vivida é bruta, suja e selvagem.

Acontece que George se casa com Rose. A convivência de mãe e filho com Phil é problemática desde antes do começo. É uma disputa por filosofias de vida, mas também por espaço e por controle. Há uma cena emblemática: a mulher tenta a duras penas ensaiar uma música ao piano para uma recepção chique e Phil, de seu quarto, a humilha executando a mesma música com toda a habilidade em seu banjo. Marcando explicitamente o território.

Mas a presença mais constante de Peter acaba fazendo com que Phil se aproxime dele. Todos têm aspectos pessoais que preferem guardar para si e Campion vai aos poucos e sem pressa expondo essas cartas para nós e para os outros personagens.

A sutileza da diretora, emoldurada por imagens belíssimas da paisagem de vastos campos e montanhas ao fundo, não esconde o drama da dificuldade de forjar uma identidade em uma sociedade que insiste que você construa uma máscara. Que, algumas vezes, é a da brutalidade.

The Power of the Dog, 2021.
Direção: Jane Campion. Roteiro: Jane Campion, baseado no romance de Thomas Savage. Elenco: Benedict Cumberbatch, Kirsten Dunst, Kodi Smit-McPhee, Jesse Plemons, Keith Carradine.

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Texto extraído do blog Boulevard do Crepúsculo
de autoria do jornalista, Renato Félix.