sexta-feira, 2 de abril de 2021

A incrível história de vida das mulheres no cangaço


 

No episódio 26, de nosso canal no YouTube foi realizado um paralelo entre a HQ "Carniça vol 1" de autoria do quadrinista, Shiko, e o contexto histórico da participação das mulheres no cangaço. Entretanto, ao final do episódio, foi informado que iriamos produzir mais um vídeo, porém desta vez abordando "As mulheres e o cangaço" de forma mais histórica. E como promessa é dívida, chegou o momento de você conferir este novo vídeo produzido especialmente para vocês. Cliquem no play e confiram ao episódio.



Caso não visualize o vídeo, basta clicar no link https://www.youtube.com/watch?v=nXJp-v5pnxY, em seguida assistir!

sábado, 13 de março de 2021

Carniça - O cangaço feminino na nova HQ de Shiko



O movimento do cangaço muitas vezes é lembrado pelas figuras masculinas, mas a presença feminina foi atuante e marcante ao movimento.

No episódio de hoje, você irá conhecer a história do cangaço feminino por meio da nova HQ de Shiko, "Carniça e a blindagem mística" e testemunhar seus dramas e dilemas em mundo cercado pelo medo, bravura e perseguições constantes.


Caso não visualize o vídeo, basta clicar no link https://youtu.be/WiQpda_BUPY, em seguida assistir!

sexta-feira, 12 de março de 2021

O homem que matou Corisco está em "Carniça" nova HQ de Shiko





Há algumas semanas, o quadrinista paraibano, Shiko, lançou o volume 1 de sua nova obra intitulada "Carniça e a blindagem mística"(confira nossa resenha ao clicar aqui), que apresenta a participação feminina no cangaço por meio da ficcional cangaceira Mazinha de Beata que ficaria conhecida como "Carniça". 

O primeiro volume da HQ é divido em três linhas narrativas temporais em que personagens distintos são apresentados para nós leitores, porém o inicio da HQ é marcado por um fato ocorrido no começo dos anos 60, quando o renomado escritor e dramaturgo, Ruy Guerra, entrevistou o Coronel José Rufino, também conhecido como o matador de cangaceiros. E para que você tenha a experiência de sentir o que te espera na leitura da HQ, reproduzimos abaixo na integra a entrevista.


O HOMEM QUE MATOU O CANGACEIRO "CORISCO"
Por Ruy Guerra*


O sol do meio-dia fazia da praça de Jeremoabo/BA um imenso deserto.

Lembro-me que tudo se passou naquele ano triste de 1962, ano da morte de Miguel Torres, no acidente desse mesmo jipe agora ali estacionado, coberto de poeira, junto da única loja aberta naquele vazio do mundo.

Só não me lembro como foi que o coronel Rufino surgiu, sentado no bar, esfíngico, vestido de uma camisa e calça caqui, sem atinar muito bem o que queríamos dele. Nós, igualmente calados, sem outro intuito que o de trocar umas palavras com o homem que matou Corisco.

Mas dali para a frente tudo ficou marcado em mim com uma nitidez que chega a assustar. Cada gesto, cada palavra, cada silêncio, foi ficando através do tempo mais depurado, mais definido, mais exato. Não há um detalhe, uma palavra, um sentimento, de que eu não tenha a serena convicção que foi assim, rigorosamente como tudo se passou.

Pedi um cerveja, que chegou morna.

O coronel Rufino, e não sei porque isso devia me surpreender, pediu um sorvete de morango. O Miguel Torres, por uma dessas maldades da memória, deixou de estar presente. Houve um silêncio largo, desses silêncios de quando estranhos se medem e se perguntam a si mesmos como começar essa aventura que é a de se conhecer.

Do coronel Rufino eu sabia tudo o que me parecia importante saber: que era o maior caçador de cangaceiros ainda vivo, que há muito estava aposentado, que era natural dali mesmo, daquele sertão. De nós, imagino, ele sabia apenas que fazíamos cinema e pensávamos filmar por aquelas bandas. E não parecia particularmente interessado em saber mais. Aceitava o encontro como a inevitável curiosidade que desperta quem traz a marca de ter matado o cangaceiro mais mítico de toda a história do cangaço.

Página da HQ 'Carniça"

Com movimentos pausados, de quem tem toda a velhice diante de si para gastar, ia sorvendo seu sorvete de morango.

O que mais me marcou naquele encontro, logo de saída, foi isso mesmo: o sorvete de morango. A cor desmaiada do sorvete barato, a colherzinha vagabunda na mão grossa, seca, veienta, com o dedo mindinho ridiculamente afastado dos outros dedos.
Por que um sorvete, e ainda mais de morango?

Por causa desse insólito sorvete me custou a lançar a conversa.

Comecei com perguntas banais das quais já conhecia as respostas, e que não justificam o desvio que havíamos feito por aquelas poeiras calorentas do sertão para aquele eventual encontro. Se ele, coronel Rufino, havia comandado muitas volantes atrás de cangaceiros. Se toda a sua vida se havia dedicado a essa caça, se havia perseguido Lampião. Se havia dado voz de sangrar a muito bandido.

A cada pergunta, Rufino ia monossilabicamente confirmando, pausado, aparentemente mais atento ao sorvete de morango que ao óbvio questionário.

- E Corisco? O senhor matou Corisco?
- Matei.

O Coronel Rufino não era um homem alto, nem tinha nada que à primeira vista pudesse impressionar alguém que não soubesse do seu passado. Nos seus, imagino, sessenta e tantos anos, não se sentia nele um grama de gordura. Tinha um rosto marcadamente nordestino, sem emoções visíveis, uns olhos fendidos preparados para os exageros da luz da caatinga e uma voz surpreendentemente jovem.

Parecia desinteressado, embora cortês. Senti que ele estava, não ansioso, mas determinado a terminar o encontro com o final do seu, para mim já irritante, sorvete de morango.

Foi essa certeza e o sentimento da idiotice das minhas perguntas que me fizeram perguntar de supetão gratuitamente:

- O senhor, coronel, torturou muita gente?

- O coronel Rufino parou de comer o seu sorvete, a mão pesada, suspensa no ar, a meio caminho.
Pela primeira vez senti que pensava rápido, embora o tempo durasse. Depois, delicadamente, pousou a colher. Até então ele nunca me havia encarado, e continuou assim.
Limitou-se a olhar a imensa praça vazia, assustadoramente amarelada pela crueza do sol.

- Seu João!

A voz continuava controlada, e embora o tom não tivesse aparentemente subido, atravessou a distância. Foi então que eu notei que um camponês desgarrado estava passando.

O homem entrou no bar. As alpercatas de couro sem ruído, o chapéu de palha agora respeitosamente na mão, um olhar rápido para os forasteiros.

- Sim, coronel? O coronel falou num tom macio, quase afetuoso.
- Seu João, o senhor me conhece há muito tempo, não é verdade?
- Conheço sim, coronel.
- Quem sou eu?

Uma leve estranheza na voz do camponês.

- O senhor?... O senhor é o coronel Rufino.
- Eu persegui muito cangaceiro, não persegui? - Perseguiu, coronel.
- Eu matei muito cangaceiro, não matei? - Matou, coronel.

A voz de Rufino continuou, inalterada.

- Eu torturei muito cangaceiro, não torturei? A voz do coronel Rufino parecia ainda mais mansa, mais paciente.
- Eu torturei muito cangaceiro, não torturei? Os olhos do camponês correram por nós, intrigados.
- Não, coronel... Não, senhor.
- Obrigado, seu João. Pode dispor!

Com um leve aceno de cabeça para todos o camponês afastou-se. O coronel Rufino esperou que o homem desaparecesse no sol da praça e só então me encarou, pela primeira vez.
Os olhos fendidos sem expressão, talvez por isso mais inquietantes, aprisionando os meus. A voz sempre igual, mas onde se podia sentir agora, nítida, uma intensa paixão.

- "Toda a minha vida eu persegui cangaceiro. Prendi muitos, também dei fuga a muito pobre-diabo que se meteu nessa vida por injustiça que sofreu. Mas matei muitos, muitos mesmo. De bala, de faca, de todo o jeito. Era a minha profissão".

Levantou a mão, espalmada, à altura do rosto. Essa mesma mão, que até então tinha servido para comer aquele irritante sorvete de morango. Foi uma pausa curta, mas guardo aqueles breves instantes como os de uma indefinível angústia.

- "Mas esta mão, esta mão que o senhor está vendo aqui, nunca tocou o rosto de um homem, fosse quem fosse, nem do pior bandido. Porque homem a gente mata, sangra..."

Passou a mão suavemente pela própria cara.

- Mas tocar o rosto de um homem, só sua mulher e o barbeiro têm o direito de tocar".

O coronel Rufino retomou a colher e continuou a comer o interminável sorvete de morango. Lembro-me de ter sentido um imenso alívio, como se tivesse vindo de muito longe. E tinha, como compreendi mais tarde.

Daí para diante não me lembro de mais nada. Não sei como nos separamos, se trocamos mais alguma palavra - o que duvido - além de alguma banal despedida. Mas ao longo dos anos comecei a relembrar e a contar, obsessivamente, este encontro. Não com o sentimento de ter escapado de algum perigo - embora ainda hoje não esteja muito certo disso -, mas com a desconfortável convicção de ter ido tão fundo naquele sertão para ingenuamente insultar um homem na sua hospitalidade, na sua memória, no seu mundo.


Texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 1993, e reproduzido do livro "20 Navios", de Ruy Guerra. Editora Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1996, prefácio de Chico Buarque, 228 páginas.

*RUY GUERRA: Cineasta, escritor, dramaturgo, compositor (parceiro de Chico Buarque, Edu Lobo, Francis Hime etc..), ator..etc..

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Nova HQ do mestre Migulelanxo Prado em pré-venda!

Em Tangências (64 páginas, Capa dura, formato 21cm x 28cm), o quadrinista espanhol, Miguelanxo Prado, nos apresenta oito histórias sobre a complexidade das relações amorosas quando invadidas por seus conflitos, imperfeições e limitações conduzindo seus protagonistas em profundas jornadas de desencontros. Certamente uma das mais belas e reflexivas HQs que já lemos. 

*E para aproveitar a oferta da pré-venda com preço reduzido e frete grátis, basta realizar seu pagamento via PIX para a chave "manasses@comichouse.com.br", garantir seu exemplar e em seguida nos enviar uma mensagem com seu nome e endereço completo. 

*Entretanto se desejar pagar com cartão de crédito (preço normal +frete) é só clicar no link (https://bit.ly/3djWf5J) e escolher a melhor forma de pagamento via cartão. 

Aos que desejarem, abaixo o episódio 12 de nosso canal no YouTube, em que foi feita uma analise comentada sobre a obra. Caso não visualize o vídeo, basta clicar no link https://youtu.be/PWBOoXQc-z0




Venha para a Comic House. 

Venha para a loja onde os quadrinhos não estão no gibi. 




quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

O Rei dos Quadrinhos está em nossa loja!


O rei não morreu! A obra desafia o tempo. 

Jack Kirby, o Rei dos Quadrinhos dividiu sua carreira entre o criar e co-criar alguns dos super-heróis e supervilões mais marcantes de todos os tempos que lhe conferem um lugar de destaque no Olimpo dos Quadrinhos. Em seu currículo estão personagens como: Capitão América, Quarteto Fantástico, X-Men, os Vingadores, Homem de Ferro, Pantera Negra, Thor e os Novos Deuses

Entretanto, mesmo com uma brilhante carreira que lhe conferia fama e sucesso, sua história é permeada por períodos de desafios constantes que inclui sua vida durante a época da Depressão, passando pelos sangrentos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, até chegar no escritório da Marvel, no qual a parceria criativa com Stan Lee produziu alguns dos quadrinhos mais influentes e memoráveis já vistos. 

Jack Kirby: A Épica Biografia do Rei dos Quadrinhos, não apenas uma simples biografia, é uma história de um grande homem que mesmo lutando contra os nazistas assim como o Capitão América ou lutando pelos direitos da imensa quantidade de trabalhos produzida por ele, Jack Kirby viveu uma vida tão extraordinária quanto a de seus personagens e conseguiu imortalizar seu nome na história e no consciente coletivo de gerações.

Título: Jack Kirby: A Épica Biografia do Rei dos Quadrinhos
Autor: Tom Scioli
Formato: 17 x24cm
Capa Dura
Quantidade de Páginas: 208
Preço: R$ 79,90
Clique aqui e garanta seu exemplar com frete grátis em nossa loja.






sábado, 2 de janeiro de 2021

É punhal entre os dentes..."Carniça e a blindagem mística" é a nova HQ de Shiko.





O quadrinhista paraibano, Shiko é um espírito inquieto. Em suas produções é possível observar a abordagem de diversos temas e gêneros, porém um ponto em comum entre suas obras é a busca por expor o cotidiano em que personagens muitas vezes estão à margem da sociedade ou se rebelam contra o sistema ou convencionalismos sociais.

E seguindo esta perspectiva, seu novo trabalho, a HQ "Carniça e a blindagem mística" não foge a regra. A obra oriunda de uma pesquisa histórica que envolveu a leitura de matérias publicadas em jornais e revistas da primeira metade do século 20, além de entrevistas e documentos que expõem a pouco abordada presença das mulheres no cangaço. 

Na obra somos apresentados a um surpreendente e impensável grupo de cangaceiros em sua jornada que possuem como companhia o sangue e a morte, além de nos concederem um olhar aguçado ao presenciarmos as desigualdades e injustiças sociais aos que estão esquecidos pela lei e estado, e assim ficando a mercê da própria sorte e da força de vontade para sobreviverem ante inimigos tangíveis ou até mesmo o próprio clima em que predomina o solo seco e trás como companheiros, a fome e os urubus.

Diante do exposto, a força da narrativa textual de Shiko é potencializada com a aplicação de cores fortes que harmonicamente estão conectadas ao clima da região, e com seus desenhos expressivos que ressaltam olhos que exteriorizam o medo e a desesperança, mas que se contrapõe as suas almas indômitas que se recusam morrer sem lutar.

A HQ "Carniça e a blindagem mística" é uma obra que nos concede uma experiência ao nos transportar para uma época em que os excluídos muitas vezes criam suas próprias regras para sobreviverem e que desmonta a ideia do simples maniqueísmo ao apresentar personagens complexos e forjados pelas tragédias pessoais e que os motiva para seguirem quando tudo parece conspirar ao seu redor.


Título: Carniça e a blindagem mística vol 1
Autor: Shiko
Arte: Colorida
Formato: 20,5 x 27,5cm
Capa: Cartonada
Preço: R$ 45,00
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