terça-feira, 5 de abril de 2016

Jockey, de Rafael Calça e André Aguiar



Por Audaci Jr
Durante a Era de Ouro das corridas de cavalo, os porões do Jockey Clube continham muitos mistérios. Golpes, subornos, intrigas, morte, sorte e azar.

O segredo dos delírios de um homem está por trás daqueles portões, como também a chance de redenção de um jovem negro que sempre se considerou um azarão, a provação do amor de um casal que nunca pôde decidir o seu destino e alguém extremamente perigoso por sua obsessão pela sorte.

O acaso está lançado quando a vingança vem a galope. O cenário é o Jockey Clube de uma metrópole dos anos 1940 que remete à capital paulista, oferecendo todo o clima pulp extraído em profusões da veia do noir, tendo como base as corridas de cavalo.

O que mais chama a atenção em Jockey é a forma como Rafael Calça e André Aguiar estruturam a história, com uma economia de balões e recordatórios que abre espaço para um intricado jogo envolvendo propina, máfia e um inusitado toque fantástico em meio aos diálogos bem escritos e cheios de personalidade.

Em muitas sequências, o álbum enquadra na sua funcional e equilibrada diagramação uma narrativa altamente cinematográfica, a exemplo de uma perseguição automobilística, a fuga ligada ao sobrenatural e o embate físico de antagonistas galopando dentro do hipódromo.

Na obra, homens da lei corruptos, um jornalista sem ética prestes a perder a cabeça, um libidinoso político com duas-caras, o honesto jóquei negro que sofre preconceito, o detetive azarado que vira herói, um louco homicida que bate papo com o espírito de um cavalo, amores proibidos e uma seita de gângsteres com direito a cabeça decepada de cavalo, uma referência (de certa forma) ao clássico O Poderoso Chefão (1972), filme de Francis Ford Coppola baseado no romance de Mario Puzo (1920-1999).

Nesse desfile de personagens, os autores vão cravejando várias dúvidas e mistérios nas histórias paralelas que serão amarradas à medida que a HQ se aproxima do fim.

Antes de as tramas se cruzarem, uma série de eventos cai sobre os personagens, sejam as ações orquestradas pelo mero acaso do destino, ou movidas pelo planejamento violento da vingança guardada há um tempo equivalente ao azar de um espelho quebrado ou ainda por uma conspiração arquitetada pelo estranho e ganancioso culto.

É citada por essa seita a divindade bélica da mitologia lusitana chamada Cariocecus, o equivalente a Marte e Ares para as crenças romana e grega, respectivamente. A doutrina chegava a sacrificar prisioneiros de guerra e cavalos.

Ainda no plano místico, algumas vezes é tocado no conceito da Roda da Fortuna, carta do tarô que é uma das mais expressivas da sorte, mudanças e oportunidades, o movimento perpétuo da vida e do destino. Ela representará a boa ou a má sorte, dependendo de decisões e atitudes, motes também da HQ.

Por ser climatizado com as penumbras do noir, Jockey possui um humor negro em uma ou outra situação. Já a figura da femme fatale se resume praticamente às curvas desnudas no traço de André Aguiar em poucos momentos. Inusitadamente, a personagem feminina que tem mais importância na trama não carrega essa característica, apesar da sua última aparição.

A arte cheia de hachuras casa bem com a narrativa de cores sombrias e pesadas. Os desenhos de Aguiar fazem lembrar a escola europeia, principalmente aos nomes franceses como Christophe Blain, autor de Isaac, o pirata (cujo primeiro volume foi lançado no Brasil em 2005 pela Conrad).

Com cenas abertas, há passagens que impressionam pelo requinte técnico. Dentre os destaques, o quadrinhista “esculpe” as feições de um dos protagonistas nas sombras usando apenas o efeito das hachuras.

Ambos paulistanos, André Aguiar é autor da independente Velhaco’s (2014), HQ que envolve skate punk num futuro distópico; e Rafael Calça participou de coletâneas como o Front # 17 (Via Lettera, 2006), além de ter lançado seu primeiro trabalho solo, Dueto (2013), uma love story entre um lobisomem e uma cantora paraplégica.

O projeto foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura de São Paulo – ProAC para criação de quadrinhos. A edição da Veneta tem formato 21 x 28 cm, capa dura e uma impressão irregular no papel offset.

Jockey faz a sua “dança da sorte” bem antes do joguete com seus personagens, já na epígrafe que faz uma homenagem ao famosíssimo tango Por una cabeza, música de Carlos Gardel (1890-1935) com letra de Alfredo Le Pera (1900-1935). Uma das últimas parcerias dos artistas latino-americanos, mortos no mesmo desastre de avião.

Do que trata o popular tango? O vício da corrida de cavalos e a atração por mulheres. Seja como for, a Roda da Fortuna gira…


Título: Jockey
Autor: Rafael Calça e André Aguiar
Páginas: 136 • Formato: 21 x 28cm •
Acabamento: capa dura •
R$  49,90
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(Resenha publicada originalmente no site Universo HQ )

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O trem dos órfãos 1 – Jim / 2 – Harvey, de Philippe Charlot, Xavier Fourquemin e Scarlett Smulkowski



Em Nova York, Estados Unidos, devido ao alto número de crianças abandonadas – a maioria originada da imigração – foi criado, em 1854, o programa Orphan Train Riders, considerado até hoje como a maior migração de menores na história da humanidade.

Em sua maioria órfãs, as crianças eram transportadas ao Centro-Oeste estadunidense em desenvolvimento para serem adotados por fazendeiros e utilizadas como mão de obra barata.

Em 1920, dentre essas crianças, estão Jim e Harvey, que, após 70 anos, voltam a se encontrar e a desenterrar memórias que encontravam encarrilhadas naquela viagem de trem.

Depois de revisitar o bom e velho jazz de Nova Orleans em dois volumes de Bourbon Street (Os fantasmas de Cornelius e Turnê de despedida, ambos lançados no Brasil pela 8Inverso), o roteirista francês Philippe Charlot toca num assunto totalmente desconhecido da História norte-americana, que ajudou a formar toda uma nação, para o bem ou para o mal dos seus protagonistas.

Atualmente com cinco tomos na França, esta edição nacional fecha o primeiro ciclo com os dois primeiros volumes (Jim e Harvey), colocados de modo ininterrupto devido a questões contratuais da BesouroBox com a Bamboo Édition.

No início do Século 19, houve uma intensa imigração para os Estados Unidos, principalmente por causa da crise econômica na Europa, em virtude da industrialização e concentração fundiária.

Com o constante crescimento demográfico no Leste, era cada vez mais desejada (e ambiciosa) a conquista das terras do chamado Oeste Selvagem. Desde a construção da malha ferroviária, a descoberta de ouro, a Doutrina Monroe de “a América para os norte-americanos”, os conflitos como a Guerra do México (1845-1848) e a dizimação indígena, a expansão deixou de ser sonho para virar realidade.

Uma realidade dura, diga-se de passagem, tanto para o desbravador quanto para os nativos. Uma oportunidade de amenizar essa concentração populacional de órfãos e meninos de ruas foi o Orphan Train Riders, programa criado pelo reverendo Charles Loring Brace para solucionar esse imenso problema social em Nova York.

Na teoria, a intenção era boa: tirar os pequenos de uma vida miserável, de criminalidade e sem perspectivas, para dar educação, morada e zelo familiar até os 17 anos de idade. Mas não era bem essa cartilha ditada pelo projeto no decorrer dos anos, junto à postura negligente dos agentes do programa.

Como em todos os cantos, o ambiente corruptor não era apenas nas ruas. No desenrolar da trama (baseada em depoimentos de quem viveu essa situação ou de sua prole), O trem dos órfãos mostra todos os buracos no sistema que resultaram numa vida indigna para essas crianças, que eram obrigadas a deixar tudo – identidade, memórias e até mesmo os verdadeiros pais – para ter uma “segunda” oportunidade, resumida ao trabalho infantil.

Por mostrar mais a viagem de Jim e seus dois irmãos menores, o roteirista se concentra nos detalhes da viagem e da adoção em si. A princípio, pouco se vê do destino dos personagens, mas pode-se ter uma noção pelas atitudes das pessoas que querem “adotar” as crianças em cada lugar que o trem para.
Muitos olhavam os dentes como se fosse gado, outros se queixavam de não ter mais meninas na seleção. Tudo isso implica no futuro que elas teriam naquele ambiente.

Até o final do programa, no ano da Grande Depressão, em 1929, estima-se que mais de 250 mil crianças foram enviadas ao Centro-Oeste norte-americano, estipulando atualmente mais de dois milhões de descendentes diretos dessas pessoas que tiveram suas raízes arrancadas das suas vidas.

Philippe Charlot faz um instigante jogo de idas e voltas entre 1920 e 1990, que mantém a atenção do leitor. No final, as dúvidas são sanadas e as consequências são bem atadas pelo roteirista, principalmente num bem engendrado ato de vingança.

Apesar do lado sério, há também espaço para o cômico, mesmo sendo trágico, vide as ações desesperadas de Jim para manter os irmãos juntos ou as peraltices de Harvey que remetem a Tom Sawyer e Huckleberry Finn, clássicos personagens de Mark Twain (1835-1910).

A bonita arte de Xavier Fourquemin tem sua origem na tradicional escola da linha clara franco-belga, com personagens cartunescos interagindo em cenários realísticos e detalhados. Outro destaque são as paletas de cores sóbrias e precisas escolhidas por Scarlett Smulkowski.

A edição do selo 8Graphics da BesouroBox tem capa cartonada, papel couché de boa gramatura, excelente impressão e uma série de extras que mostram fotografias, mapas e mais informações sobre a história real do programa.

De negativo, a impressão da capa está sem tanta nitidez quanto o miolo (e isso não é relacionado ao aspecto “fantasmagórico” que evoca a memória do personagem presente nela), o primeiro texto do material extra está muito perto da margem e o formato (16 x 24 cm) não casa com a diagramação, dando mais espaço acima e abaixo nas páginas (o original era menos “alongado”, 25 x 32 cm).

Houve também alguma desatenção na revisão, como a falta do acento circunflexo na sentença “O quê?”, na página 17, e a redundância no “…há 70 anos atrás!!!”, na 69.

Independentemente disso, a edição nacional não descarrila em algo mais grave e integra uma soma muito bem-vinda do material europeu geralmente ignorado no Brasil, assim como essa passagem da História da formação dos Estados Unidos.

Apesar de fechar um ciclo, fica a curiosidade de saber mais sobre o destino dos personagens e o desenrolar da narrativa de Philippe Charlot e Xavier Fourquemin.

Em tempo: para quem quiser saber mais sobre o tema, existe um livro de mesmo nome que saiu por aqui pela Editora Planeta, escrito por Christina Baker Kline e que já vendeu mais de um milhão de exemplares. É um romance com base em pesquisas e entrevistas da autora feitas com homens e mulheres que foram passageiros do obscuro trem.

Título: O trem dos órfãos
Autor: Philippe Charlot, Xavier Fourquemin e Scarlett Smulkowski
Páginas: 104 • Formato: 16 x 24cm •
Acabamento: capa cartonada •
R$  42,00
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(Resenha publicada originalmente no site Universo HQ )

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Ardalén, de Migulenaxo Prado



Por Audaci Jr

Somos o que nós nos lembramos, mas a memória não é um registro objetivo e inalterável.

Sabela tenta reconstruir uma parte de sua história familiar. Ela busca informações sobre o paradeiro do avô, Francisco Lamas, que emigrou jovem para Cuba, nos anos 1930, e nunca mais deu notícias.
Chegando a um vilarejo na Galícia, ela conhece o velho Fidel, um marinheiro aposentado que pode ter sido companheiro de seu avô numa de suas viagens marítimas.

Contudo, esse senhor de idade avançada tem muitos problemas para recordar. Há mais fios que se entrelaçam neste processo de resgate através das memórias de Fidel: outras pessoas, outras lembranças…

Antes de mergulhar na análise propriamente dita na obra de maior fôlego de um dos grandes nomes dos quadrinhos mundiais, Miguelanxo Prado, um parêntese deve ser colocado aqui: como um oásis, Ardalén preenche a “seca” que o Brasil tinha com relação às obras do autor espanhol.

Além de esparsas histórias curtas em revistas mix como Heavy Metal Brasil e Aventura & Ficção (Abril), a arte de Prado pode ser conferida no especial Sandman – Noites sem fim (lançado em 2003 pela Conrad e republicado em 2014 pela Panini) e na série Cidades ilustradas (Casa 21), na qual retratou Belo Horizonte, em 2003. A única coletânea autoral lançada no país foi Mundo cão, em 1991, pela Abril, no # 26 do selo Graphic Novel.

Com esses isolados exemplos, fica difícil ter a ciência dos horizontes criativos – tanto no traço quanto nas histórias – desse essencial quadrinhista. É possível fazer até um paralelo dessa falha gravíssima do cenário editorial brasileiro para preservar a memória da obra de Miguelanxo Prado e as confusas lacunas reminiscentes da cabeça de Fidel, personagem central de Ardalén. Os pequenos pedaços lançados por aqui não oferecem a dimensão oceânica das HQs do autor.

Falando em nacos, é justamente pelos fragmentos de memória que a construção da figura ausente do avô de Sabela se constrói. O que nós somos? O que vai ficar de nós na passagem terrena? Como as memórias sobrevivem nas nossas mentes e são passadas de maneira geracional? Essas e muitas outras questões podem ser levantadas no decorrer da leitura.

Existem vários “tipos” de memórias, que vão desde a coletiva até a metafísica, mas nada é mais cara a cada indivíduo do que a pessoal, principalmente quando as terminações nervosas são enraizadas no solo genético, afetivo, familiar.

Sabela se encontra numa encruzilhada com sua vida em naufrágio a pique. Madura, com cerca de 40 anos, ela está passando por várias dificuldades que acarretam a sua crise existencial: ao mesmo tempo em que procura por emprego, passa pelo burocrático processo de separação conjugal.

Prado preenche a complexidade de ambos os protagonistas também com outros elementos de igual importância narrativa, a exemplo de uma série de objetos dispostos na cabana de Fidel que (a certo ponto) autenticam seus relatos ou de habilidades esquecidas, como os entalhes de formas marítimas no pedaço de madeira.

Sem as fronteiras da realidade e fantasia, veracidade e delírio, o autor cria seu próprio universo, que sempre deixa o leitor com “o pé atrás”. Prado também reforça e “remonta” essas lembranças com versos, documentos, fotografias, trechos de enciclopédias, artigos de revistas e afins entrecortando os capítulos da obra.

Não esquecendo também dos pontos paralelos à trama principal, auxiliados pelos coadjuvantes, os habitantes da vila e os preconceitos provincianos dos mais velhos, revelando que a maldade, a ganância e a hipocrisia podem residir em qualquer lugar.

Essas características do presente não são gratuitas e partem de uma sutil análise sociológica entremeada nas buscas (e respostas) dos personagens no passado. Na época do avô de Sabela e de Fidel, a pobreza tinha índices elevados, principalmente na região da Galícia, obrigando a imigração para países da América Latina e Caribe.

Ardalén é uma história de amores, ódios, frustrações, rivalidades, esperanças, encontros e desencontros, na amplitude desses significados. O teor onírico, poético e fantasioso é correspondido na belíssima arte, com técnicas mistas de pintura. A expressividade e naturalidade lúgubre dos personagens são tão importantes quanto os detalhes cênicos.

O nome do álbum corresponde ao batismo do vento que sopra do mar para a terra nas costas atlânticas europeias. Não tem um resumo melhor da história, conduzida ao bel-prazer da memória e da busca de identidade, mesmo que seja norteada por uma rosa dos ventos guardada numa velha caixa de lata para fortalecer as lembranças.

Um dos melhores lançamentos do ano, a edição só não ganha nota máxima em virtude de algumas escorregadas da Realejo em termos de editoração e revisão. Com formato 19 x 26 cm, capa cartonada com orelhas e papel couché, o que pode afugentar leitores é o preço alto, mesmo que valha a pena.

Em 2013, o álbum foi eleito a melhor obra espanhola no Salão Internacional de Quadrinhos de Barcelona, na Espanha, e arrebatou o Prêmio Ecumênico no Festival de Angoulême, na França. Frutos de um trabalho que levou três anos para ser produzido.

Assim como outra obra-prima de Prado que toca o tema marítimo (e precisa ser lançada no Brasil) – Traço de giz –, Árdalen vai ficar por um bom tempo na memória, até que se embarque para velejar por uma nova leitura, após os fragmentos da primeira sejam oxidados pela maresia do tempo.

Como já disse o poeta baiano Waly Salomão (1943-2003), “A memória é uma ilha de edição”.

Título: Ardálen
Autor: Miguelanxo Prado
Páginas: 256 • Formato: 19 x 26cm •
Acabamento: capa cartonada •
R$  120,00
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(Resenha publicada originalmente no site Universo HQ )



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Sessão de Autógrafos de Camilo Solano e Denis Mello - O evento e os autores




Dupla de quadrinistas participam de bate-papo, leitura dramática e sessão de autógrafos em João Pessoa.

A Comic House promove, evento com os quadrinistas Denis Mello e Camilo Solano.

Na próxima sexta-feira, dia 15 de janeiro, às 19h30, os quadrinhistas Camilo Solano e Denis Mello estarão no auditório II do Espaço Cultural José Lins do Rêgo (Rua Abdias Gomes Almeida, 800, Tambauzinho, João Pessoa/PB) conversando com o público a respeito da criação de seus personagens, influências, técnicas de desenho e mercado.

O bate-papo será mediado pelo jornalista Audaci Junior. Além do debate, será feita a leitura dramática do álbum Desengano e Beladona pela contadora de histórias Manu Coutinho.

No sábado, 16 de janeiro, às 18h30min, na Comic House (Avenida Nego, 255, Tambaú, João Pessoa/PB), será a vez dos quadrinhistas autografarem suas obras.

Na ocasião, Camilo Solano fará o lançamento de "Desengano", enquanto Denis Mello assinará exemplares do seu trabalho mais recente, a hq de terror "Beladona", no qual ele é coautor.

Colecionadores de outras cidades podem adquirir seus exemplares autografados no site da loja(www.comichouse.com.br).


Os autores 



Denis Mello produz quadrinhos desde 2009, quando debutou com Palestina, e desde então produz quadrinhos com as mais variadas temáticas, desde bebedeiras até terror, sendo este último o gênero de Beladona, seu principal trabalho até o momento, vencedor do Prêmio HQ Mix em 2015 como melhor web quadrinho.

Formado pela Escola de Belas-Artes da UFRJ em 2013, Denis participa também do circuito artístico local, tendo colaborado com algumas exposições coletivas no Rio de Janeiro, tanto com grupos universitários quanto da Cow Parade por exemplo.

De sua base em Niterói, trabalha como ilustrador e quadrinista, e eventualmente pode ser encontrado nos principais eventos da área como o FIQ e a Comic Con.


Nascido no interior paulista, Camilo Solano traz do berço o gosto por contar histórias, bem como pela música e pelo desenho. Em 2013 formou-se em Design Gráfico pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Bauru e já nesse momento publicou sua primeira HQ independente e autoral “Inspiração - Deixa entrar Sol nesse porão”, seu trabalho de conclusão de curso que lhe garantiu duas indicações ao 26º Troféu HQMIX como “Novo Talento Roteirista” e “Novo Talento Desenhista”.

Desde então Camilo tem lançado de maneira independente suas histórias e tem buscado chegar cada vez mais perto de seus leitores através da palavra e do desenho. Também lançou “Onde eu tavo?” no FIQ de 2013 e, em 2014, “Captar” ao lado de Thobias Daneluz na CCXP 2014 que também está indicada no 27º Troféu HQMIX.

Em 2015,Camilo está lançando seu terceiro álbum independente “Desengano”, uma sutil e cômica história de amor e carnaval onde pela primeira vez o autor trabalha uma trama com personagens fictícios, inteiramente escrita, desenhada e colorizada por ele.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Pré-Venda Autografada das HQs Desengano e Beladona





Samantha é uma menina atormentada por pesadelos terríveis todos os dias desde os 7 anos de idade. No entanto, tais pesadelos não são mero acaso.

A história se passa em dois mundos: Primeiro o mundo real, especificamente no Rio de Janeiro. Mas não o das praias, nem nenhum dos estereótipos, apenas se passa na cidade e isso pode ser visto eventualmente, como no Colégio Pedro II onde a personagem estuda além de uma passagem pela Lapa e demais detalhes de ambientação. Segundo, um ‘mundo dos pesadelos’.

Nesse outro mundo, Samantha é perseguida constantemente por espíritos que a atormentam e que claramente desejam seu mal. Tudo isso tem um propósito sinistro e que a levará a uma jornada com momentos de superação, descoberta, euforia, depressão e violência.

   Título: Beladona
Autores: Ana Recalde e Denis Mello
Formato: 18,5cm x 30cm 
200 páginas
R$ 60,00 
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Juca é um típico introspectivo que vive em seus devaneios e acredita que silenciar é sua tangente das situações constrangedoras da vida. Vive em total desengano das pessoas, dos momentos e dos amores.

Não é dos mais chegados ao Carnaval, muito menos às suas farras e foliões. Também não é do seu gosto o total retiro em meio à Natureza com os familiares. Como todo jovem, não sabe o seu lugar no mundo e tem pressa para descobrir essas respostas.

Assim, no período carnavalesco em que veio de São Paulo com a família para a cidade interiorana dos avós, Juca decide passar o feriado sozinho.

Uma narrativa cadenciada por canções de samba e amor, repleta de humor e poesia.

 
Título: Desengano
Autor: Camilo Solano
Formato: 29cm x 28cm 
60 páginas
R$ 27,90
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Sessão de autógrafos de Um cara que caiu do céu, na Comic house



                       Sexteto de quadrinistas participam de sessão de autógrafos em João Pessoa.

A Comic House promove, no dia 12/12, às 18h30 uma sessão de autógrafos com os quadrinistas Charlles Lucena, Alexandre Martins, Gabriel Jardim, Igor Tadeu, Jack Herbert e Paulo Moreira.

No sábado, dia 12 de dezembro, às 18h30h, na Comic House (Av. Nego, 255, Tambaú, em João Pessoa) é a vez dos quadrinistas arregaçarem as mangas e autografarem. Na ocasião, Charlles Lucena, Alexandre Martins, Gabriel Jardim, Igor Tadeu, Jack Herbert e Paulo Moreira. irão autografar o lançamento "Um cara que caiu do céu" (46 páginas, formato 20x30, R$ 28). E para aproveitar o evento, três quadrinistas também autografam suas obras anteriores, são eles: Gabriel Jardim( Café e De Dentro da Couraça), Igor Tadeu(One Hits Wonder e Uma história em cada garrafa) e Jack Herbert( Coffee Time)

Colecionadores de outras cidades podem adquirir seus exemplares autografados pelo site http://www.comichouse.com.br/


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Os quadrinistas João Lin e Thais Gualberto participam de uma sessão de autógrafos em João Pessoa.





A Comic House promove, no dia 28/11, às 18h30, na Comic House, em João Pessoa, uma sessão de autógrafos com a dupla de quadrinistas.

Confira a programação abaixo:

No sábado, dia 28 de novembro, às 18h30h, na Comic House (Av. Nego, 255, Tambaú, em João Pessoa) é a vez dos quadrinistas arregaçarem as mangas e autografar suas obras na Comic House. Na ocasião, João Lin irá autografar o lançamento "Ascenso - a poesia de Ascenso Ferreira transcriada para os quadrinhos" (80 páginas, R$ 20,00), enquanto Thais Gualberto assinará exemplares dos seu trabalho mais recente, "Olga, A sexóloga"(140 páginas, R$ 20).

Colecionadores de outras cidades podem adquirir seus exemplares autografados pelo site http://www.comichouse.com.br/

Título:Olga,a sexóloga
Autora: Thais Gualberto
Formato: 14,5cm x 14,5cm 
140 páginas
R$ 20,00 













Título: Ascenso - a poesia de Ascenso Ferreira transcriada para os quadrinhos
Autores: Ana Blue, Christiano Mascaro, João Lin, Flavão,
Guazzelli, Liz França, Luciano Félix,
Rafael Anderson, Raoni Assis,
Silvino e Tiago Acioli:
Formato: 19,5 x 25,5cm - Miolo: Colorido
80 páginas
R$ 20,00


Ascenso - Transcriação da obra de Ascenso Ferreira para os quadrinhos - Sessão de Autógrafos



ASCENSO
Transcriação da obra de Ascenso Ferreira para os quadrinhos

Mesmo não residindo presencialmente em um espaço-tempo comum, residimos nesse espaço-ideia que elegemos como mote para nossa experiência criativa. Ventos hibridizantes sopraram em nosso favor, trazendo para os quadrinhos a poesia, levando para a poesia os quadrinhos. Narrativas, indo e voltando, derrapando de um lado para o outro e transbordando para o livro Ascenso - a poesia de Ascenso Ferreira transcriada para os quadrinhos. Cada artista/quadrinista encampou o desafio de produzir uma história em quadrinhos em um processo de construção coletiva, e o resultado revela a riqueza e a diversidade de ideias que fervilharam nesses meses de residência vivenciados com intensidade e instigação.


O encontro de um grupo de artistas para produzir um livro não é novidade, mas as reflexões sobre as narrativas literárias e visuais, os diálogos abertos sobre os trabalhos de cada autor e autora, a disposição e abertura para a troca dessa vivência, tudo isso nos surpreendeu e trouxe para a publicação um sopro de inovação. Ana Blue, Christiano Mascaro, João Lin, Flavão, Guazzelli, Liz França, Luciano Félix, Rafael Anderson, Raoni Assis, Silvino e Tiago Acioli: um grupo que encarou um processo de criação coletiva, movido e alimentado pela força e arrojo da poesia de Ascenso Ferreira, deixa nas páginas dessa publicação os ricos vestígios do breve caminho que trilhamos nessa residência com o apoio luxuoso do Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira do SESC Santa Rita e das figuras instigantes de Cida Pedrosa, Sennor Ramos, Emanuella de Jesus e Rita Marize Farias. 
 
 
Título: Ascenso - A poesia de Ascenso Ferreira transcriada para os quadrinhos
80 páginas coloridas  
Formato 19,5 x 25,5cm
R$ 20
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Convidados da Sessão de Autógrafos



Quadrinista e editora, Thaïs Gualberto é formada em Arte e Mídia pela Universidade Federal de Campina Grande. Começou a se dedicar aos quadrinhos no fim de 2009, quando criou sua personagem “Olga, a sexóloga”.

Em 2010 formou o Coletivo WC com outros quadrinistas paraibanos, com quem publicou em 2012 a primeira edição da revista Sanitário. No ano seguinte lançaram a segunda edição e encerraram as atividades do grupo.

Também em 2012 entrou na formação do projeto da revista Inverna, uma publicação pensada para divulgar o que vem sendo produzido pelas quadrinistas brasileiras. Teve trabalhos selecionados para as edições de 2012 e 2015 da exposição “Batom, Lápis e TPM”, organizada pelo Salão de Humor de Piracicaba. Publicou tirinhas no jornal A União entre 2013 e 2014 e teve sua primeira exposição solo realizada na Aliança Francesa de João Pessoa entre abril e maio de 2014. No fim do mesmo ano tornou-se Coordenadora de Quadrinhos da Fundação Espaço Cultural da Paraíba e participou de mesa-redonda no 1º Encontro Lady’s Comics, um evento criado para discutir a representação feminina nos quadrinhos, realizado na cidade de Belo Horizonte. Em 2015 foi convidada para integrar a programação do Festival Internacional de Quadrinhos (FiQ), também na capital de Minas Gerais.

Como Coordenadora de Quadrinhos criou o projeto “Espaço HQ”, que acontece mensalmente no Espaço Cultural José Lins do Rego, com oficinas e mesas-redondas. Além disso, coordenou o 1º Encontro Regional Sobre Histórias em Quadrinhos – Quadrinhos Intuados, com convidados de quase todo o nordeste, oficinas, mesas-redondas, Feira de Quadrinhos Independentes e, na sua abertura, a reinauguração da Gibiteca Henfil. Também ministrou no Espaço Cultural o “Laboratório de quadrinhos para iniciantes”, uma oficina que introduz o básico da linguagem em quatro aulas. Outras experiências ministrando oficinas aconteceram em 2013 no projeto UMQDHQ do Sesc Ribeirão Preto, com “O processo de produção de quadrinhos para ‘não desenhistas’” e no Mussulo Resort, em 2015, onde ministrou oficinas para crianças no mês de julho.


João Lin é artista visual com atuação na produção de quadrinhos, cartum, ilustração, videoarte e intervenção urbana. 
Como artista gráfico recebeu vários prêmios em salões nacionais e internacionais de humor e quadrinhos, edita a revista de quadrinhos autorais Ragú e ilustra para a literatura infantil e algumas revistas de conteúdo jornalístico. 
Atualmente é coordenador assistente do projeto social Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia - Recife. Estudou Teologia e Jornalismo não concluindo nenhum dos dois cursos. É recifense e aquariano nascido em 1968.
Alguns trabalhos em quadrinhos:
- Ragú 0-6 - Revista independente de quadrinhos (1999-2006)
- Domínio Público – Literatura em Quadrinhos volumes 1 e 2. (2005-2006)
- Consecüencias – Historietas Brasileñas – Madrid –Espanha (2002)
- Ragu Cordel – segunda edição (2012)

Alguns trabalhos em Ilustração e Design para Literatura Infantil :
- A Gata Lady Bi - Haroldo de Campos – Editora Era o Dito (2000)
- Você Sabe Assobiar? - Ulf Stark - Ed. Callis (2006)
- Beatriz em Trânsito – Eloí Elisabete Bocheco – Ed. Dimensão (2006)
- Anabela Procura e Acha Mais do Que Procura – Flávia Savary - Ed. Dimensão (2007)
- Andrócles e o Leão – Tatiana Belinky – Ed Manole - 2009
- A raposa e a tigela - Tatiana Belinky – Ed Manole – 2009
- A charada do gorducho - Ed Manole – 2009
- O cheiro da Lembrança – Celso Cisto - Ed. Prumo -2010
- A menina Vermelha – Luiz Brás – Ed. Manole - 2011
- Fábulas de Krylov – Tatiana Belinky - Ed Manole – 2012

Exposições:
- O que é o Brasil – Senac - SP – 2004
- Consecüencias – Historietas Brasileñas – Madri e Barcelona - Espanha- (2004)
- Ilustra Brasil 2, 3 e 4 – Senac- SP – (2006, 2007 e 2008)
- Los Invitados de honor - 6º Encuentro de Historietas de La Paz - Bolívia – (2008)
- Sueños em Papel – Museu de Arte de Zapopam/Trompo Magico –México – 2008
- Partido Gráfico – Centro Cultural Correios – Recife – PE – 2012
- No és cosa de Niños – Mérida Venezuela – 2012
- À Sombra Leve dos Anjos – João Lin – Recife - 2013


Prêmios:
1998 - Quadrinhos - XI Salão de Humor de Volta Redonda – RJ
1999 - Quadrinhos - XII Salão de Humor de Volta Redonda - RJ
1999 - Cartum - I Salão de Humor da Cidade do Natal - RN
2001 - Quadrinhos - XIII Salão Carioca de Humor - RJ
- Hq mix- revista independente - Ragú
- HQ mix- Projeto gráfico - Ragú Cordel
2002 - Quadrinhos - XII Salão de Desenho para a Imprensa - RS.
2003 - Quadrinhos – XV Salão Carioca de Humor RJ.
- II Salão de Design de Pernambuco –Projeto gráfico - Revista Ragú V
2005 - Menção Honrosa no Porto Cartoon Festival – 2005.
2006 - Quadrinhos - XVII Salão Carioca de Humor – RJ
2008 - Vídeo Experimental – Festival de Vídeo de Pernambuco – PE


Intervenções:
- Intervenção coletiva “Na Rua – Quadrinhos em novos formatos” - SPA das Artes 2006
- Intervenção coletiva “Na Rua” - Quadrinhos em novos formatos - EIA 2006 –SP
- Vestígios - Encuentro Internacional de Historietas em La Paz – Bolívia – 2008
- Vestígios – 18 º Festival de Inverno de Garanhus – PE - 2008
- Vestígios – SPA das Artes – 2008 – Recife – PE – 2008
- Vestígios – Festival de Artes Digitales de La Paz – 2009
- Vale um desenho – Spa das Artes – Recife - 2010
- Vestígios – 57ª Feira do Livro de Porto Alegre – RS – 2011
- Vestígios Venezuela – Mérida Venezuela – 2012



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Leituras Dramáticas


                                                                           Adriano Franco - Crédito Foto
Quando adolescente, fiquei ciente que em alguns eventos literários o autor realizava audições, ou seja, lia um capítulo ou algumas páginas do livro recém-lançado. Com isso, era estabelecida uma conexão mágica entre público e escritor. Nos meus pensamentos juvenis, sempre ficava imaginando como seria aquele momento em que o escritor dava vida aos seus personagens por meio de sua própria voz, reproduzindo as alegrias, tristezas, inseguranças e reflexões de cada um deles.


Assim, ao iniciar as produções de sessões de autógrafos em 2010, sempre ecoavam em minha mente a vontade de realizar algo no estilo. Então, em 2014, mais precisamente em 21 de novembro, o quadrinista Luciano Salles realizou na Café da Usina Cultural Energisa a primeira leitura dramática ao ler as 10 primeiras páginas do aclamado álbum "L'Amour 12oz" (Editora Mino), no bate-papo batizado pelo jornalista Audaci Jr. de "No Ringue com L'Amor". A experiência me conquistou e foi incrível ver como as pessoas presentes reagiam ao ouvir a criatura ganhar voz pelo seu criador.


Particularmente, eu esperava ansiosamente para repetir a dose com outro quadrinista. Então, em 10 de abril do ano seguinte, veio Marcello Quintanilha e seu arrebatador "Talco de Vidro" (Editora Veneta). Uma narrativa que apresenta como a inveja pode ser destruidora em nossas vidas e mais aterrorizante: como ela é presente ao nosso redor! Quintanilha fez seu espetáculo e as 20 primeiras páginas do álbum fisgaram a todos! O silêncio do público pairava no ambiente, olhos e ouvidos totalmente sincronizados e sintonizados naquelas páginas que atingiam seus corações e cérebros.


Mas a tarefa de produzir algo é uma tarefa viciante e particularmente tinha o desejo de produzir algo diferente. Ao pensar em realizar a audição do álbum de terror psicológico "Lavagem", do quadrinista Shiko, não queira que fosse uma leitura dramática realizada pelo autor, mas sim, outra experiência. Quem sabe algo mais voltado ao teatro – pensei. Com isso, veio-me a mente apenas um nome: Manu Coutinho, que – apesar de querer ser conhecida apenas como contadora de histórias – é uma grande atriz. Convidei-a para batermos um papo sobre o que eu imaginava para esta "leitura". Obviamente ela veio com inúmeras ideias que foram moldadas e transformadas na alma do que realizado.


Então, chega de conversa e vamos ao resultado, o qual se encontra no vídeo abaixo, pois a estrada é longa e ainda temos muitas leituras para realizar!




Se você não conseguir visualizar o vídeo, clique aqui

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A boca quente vol 1, de Shiko




Na sintonia radiofônica da “Boca Quente da madrugada”, o apocalipse se instaura na Interzona: misteriosos assassinatos são cometidos por uma incendiária, nos quais os “possantes” das vítimas são levados; detetives fazem roleta russa esvaziando o tambor da sua libido nos cabarés e denúncias anônimas são feitas na estação central.

Arrancadas de Chevrolet El Camino, planos abertos, palavreado digno das pornochanchadas e sequências cinematográficas de pirotecnia são montadas por Shiko na sua primeira série em quadrinhos, remetendo aos fanzines que fazia nos anos 1990 como o Marginal, feito em limitadíssimas tiragens fotocopiadas.

Nesse curto espaço de páginas, o quadrinhista vai soltando ideias e cordas que vão ser amarradas mais à frente, nos próximos números, o que atiça a curiosidade do leitor pelas dúvidas colocadas pelas aparições de personagens ou ações em aberto.

Em virtude disso, ainda não dá para se ter um julgamento justo da obra, apesar da sua qualidade por meio dos desenhos realistas e detalhados do autor, sua narrativa dinâmica e sua pegada pulp, com direito a narrador em off e várias referências cult.

Percebe-se no zine reverências literárias como ao romance Almoço Nu, do escritor norte-americano William S. Burroughs (1914-1997). A obra beat chegou a ser adaptada para o cinema pelo canadense David Cronenberg em 1991, sob o título de Mistérios e Paixões.

Dentre outras referências ligadas ao cinema, Shiko pega o mote de um premiado curta-metragem de 16 mm que partiu de um roteiro seu: Cão Sedento (2005), dirigido por Bruno de Sales. Na produção paraibana, uma prostituta seduz os clientes para conseguir roubar seus carros. As vítimas são mortas e incineradas.

Para o leitor mais atento, A boca quente traz ainda menção ao longa O Profissional (1994), do francês Luc Besson.

Nos detalhados e sujos cenários, o autor traça várias linhas do tempo arquitetônicas que vão desde metrópoles estrangeiras como Nova York, cidades brasileiras como João Pessoa e elementos futuristas que marcam a atemporalidade na geografia do seu universo ficcional.

Sintonizando com o tema, a bem-vinda pornografia se destaca nas páginas deste número de estreia. O que Shiko faz graficamente casa de forma perfeita com a narrativa rasteira e em tom vulgar de uma espécie de “cordel erótico”.

A edição independente tem capa cartonada sem orelhas, formato 19 x 27 cm, papel pólen com boa gramatura e impressão. O escorregão ficou por conta de uma revisão, principalmente na pontuação do texto.

Duas sensações permanecem depois de ler o gibi. A primeira é a constatação de ser realmente um fanzine, algo feito com a paixão fervorosa de um fã usando sua bagagem cultural; a segunda é a ansiedade de contemplar o quadro marginal concebido pelo quadrinhista por inteiro.



A boca quente vol 1
Autor: Shiko
Formato: 19x27cm  - Miolo em p7b
R$ 20,00
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(Resenha publicada originalmente no site Universo HQ )