segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Anatomia de uma queda - os 30 anos da Queda do Morcego

Uma breve retrospectiva sobre uma das sagas mais importantes da longa história do Batman

Batman enfrenta Bane nas ruínas do Asilo Arkham, arte de Kelley Jones

Arte de Kelley Jones para encadernado norte-americano da Queda do Morcego

Pois bem, como você já deve saber, setembro é o mês onde se é comemorado o Batman Day, e, assim sendo, a edição deste mês do Correio seguirá esse tema. Se dá última vez eu falei sobre uma das minhashistórias favoritas do Homem Morcego, hoje vou falar um pouco sobre aquela que, para mim, é uma das minhas sagas prediletas do personagem. E acredito que não estaria exagerando caso dissesse que ela também é um dos eventos mais importantes do mesmo. Afinal, mais de trinta anos depois, ainda conseguimos ver ecos e reverberações dessa fase nas histórias do personagem – e nas mais variadas mídias.

Mas de qual saga estou falando? Ora, nenhuma outra que não A Queda do Morcego.

Hoje, imagino que você deva conhecer esse nome por alguma das mídias que terminou adaptando a história, seja a animação lançada no presente ano, seja na adaptação “curiosa” realizada por Christopher Nolan em seu Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012). No entanto, caso você ainda não a conheça, aqui vai uma breve recapitulação de todo o evento:

A história da Queda do Morcego

Durante os anos de 1993 e 1994, A Queda do Morcego foi um megaevento que provocou uma mudança gigantesca nos títulos do Batman. Dividida em 6 partes (A Queda, Quem Comanda a Noite, A Cruzada, A Busca, A Volta de Bruce Wayne, que inclui o arco Filho Pródigo, com uma breve participação de Dick Grayson, o primeiro Robin, como Batman), nela acompanhamos o surgimento de Bane, uma nova adição para a galeria de inimigos do Homem Morcego, que tem como objetivo derrotar o Cavaleiro das Trevas e dominar Gotham City. Diferente dos demais adversários do Batman, porém, Bane se dedica a estudar seu oponente, traçando um plano que irá desgastá-lo física e mentalmente antes de seu confronto final.

É movido por essa ideia que ele liberta os detentos do Asilo Arkham, forçando o Batman a uma sequência de embates que vão lhe drenando aos poucos. À isso, junta-se um fato bem interessante que é o desgaste mental e emocional que o personagem já vinha sofrendo há alguns anos. Pois, por mais que já que contasse com a ajuda de um novo Robin (Tim Drake), o peso da morte de seu antecessor (Jason Todd) ainda atormentava Bruce Wayne, de modo que, devido à periculosidade dos detentos, ele opta por seguir sozinho em sua jornada, recusando a ajuda de sua rede de apoio mais próxima. Além desse trauma, junta-se aqui o fato dessa história se passar pouco depois da morte do seu grande amigo, o Super-Homem, um outro fator que abala a mente do Cavaleiro das Trevas ao longo de toda essa saga.Por fim, quando consegue capturar todos os fugitivos, o Batman é emboscado por Bane, que havia deduzido a identidade secreta do herói. No confronto que se segue, um Batman exaurido é superado por um oponente com força sobre-humana que, após sua derrota, quebra a coluna do Homem Morcego, em uma das imagens mais famosas da iconografia moderna do Batman:

Bane quebra a coluna do Batman, arte de Jim Aparo

Momento de virada da Queda do Morcego, quando Bane quebra a coluna do Batman. Arte de Jim Aparo

Mas claro que isso é apenas uma parte da história.

Após a derrota do Batman, Gotham mergulha em uma espiral de caos à medida em que Bane passa a preencher a lacuna de poder provocada pelo sumiço do Homem Morcego. Assim, para impedir que a cidade mergulhe em uma situação ainda pior, Bruce decide que Jean-Paul Valley, o Azrael, será seu sucessor. O problema dessa escolha logo se torna aparente quando Jean-Paul passa a se comportar de modo cada vez mais instável e violento. Afinal, tendo sido criado como um experimento da Ordem de São Dumas (um grupo de extremistas religiosos) para ser um assassino adormecido, o jovem começa a ter crises entre suas novas obrigações e os comandos mentais da ordem, colocando seu papel de herói em risco.

Assim, por mais que consiga derrotar Bane e trazer um pouco de ordem à Gotham, o declínio mental de Jean-Paul começa a apresentar um Batman progressivamente mais violento e instável, que vai se afastando não só dos aliados tradicionais do personagem, como o Comissário Gordon e o Robin, como também da própria ideia do personagem em si, até, finalmente, em um combate contra o serial killer Abatedouro, deixar não só que o assassino morra, mas permitir, com isso, que uma vítima do mesmo, mantida em cativeiro em um local que apenas Abatedouro conhecida, morra também no processo.

Com a quebra da regra mais importante do Cavaleiro das Trevas, temos aqui um ponto de virada na saga, onde Bruce Wayne se vê forçado a retomar o manto de volta para si, confrontando Azrael no processo. Com a derrota de Jean-Paul, a ordem é reestabelecida, com o manto do morcego retornando para o Batman original, e encerrando, assim, a grande saga.


Batman (Bruce Wayne) confronta o novo Batman (Azrael), em arte de Graham Nolan

O dilema de abordagens da forma ao confronto físico quando Bruce Wayne volta para recuperar o manto do morcego. Arte de Graham Nolan

Bem, admito que possa ser muito para digerir em um primeiro momento, principalmente caso você não esteja familiarizado com o mundo dos mega-eventos de quadrinhos. Portanto, para dar uma ajuda, vamos nos focar aqui em um dos tópicos que sempre considerei como sendo o mais interessante da Queda do Morcego, que é o conceito por trás da história em si.

Porque, diferente dos sem fim de eventos que temos por aí, existiu, na Queda do Morcego, uma lógica e uma ideia por trás dos acontecimentos dessa saga. E para entendermos um pouco melhor isso, vamos precisar dar um pulo nos anos 1990, quando um novo tipo de personagem começa a ganhar popularidade no meio dos comics: o anti-herói. 

Os Bastidores da Queda do Morcego:

Com as abordagens trazidas por autores da invasão britânica e dos próprios roteiristas norte-americanos, os anos 1990 vão ser testemunhadas de um período de grande liberdade em termos de narrativa, o que vai permitir que autores possam testar e forçar os limites do gênero, abordando temas até então pouco explorados, assim como trazer doses de violência progressivamente maiores para o meio. 

Detalhe da arte de capa do Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller

Arte de Frank Miller para capa de O Cavaleiro das Trevas, grande marco do Batman nos anos 1980.

Aqui, vale citar os culpados de sempre, as obras Watchmen e O Cavaleiro das Trevas, que não só ampliaram as fronteiras até então reconhecidas para os comics, como também trouxeram uma parte do público leitor que já não conseguia mais se ver nos super-heróis tradicionais. A popularidade dessas obras, principalmente no âmbito comercial, deu um estímulo extra para que as editoras procurassem replicar o seu sucesso a partir da percepção de que histórias mais "adultas" poderiam atrair mais leitores, o que provocou uma pseudo-adultização narrativa que daria margem ao surigmento do boom dos anti-heróis.

Junto a tudo isso, os anos 1990 vão testemunhar uma mudança significativa no panorama cultural, com o fim da dicotomia que guiou os anos da Guerra Fria e um choque provocado pelas perspectivas de uma nova geração, a X, que providenciou uma visão de mundo mais cínica, e, com isso, um terreno fértil para o surgimento de uma reestruturação do arquétipo super heroico.

Agora, saem de cena a bondade ou o senso estrito de moral e justiça de personagens como Batman e Super-Homem, e entra em cena personagens mais propensos à violência, como Wolverine, Justiceiro, Motoqueiro Fantasma e Spawn, que, diferente dos seus antecessores, não tinham nenhum tipo de restrição com as regras de não matar ou o uso indiscriminado de violência. Apoiados por um arsenal de armas gigantescas, correntes e uma infinidade de pochetes, os anti-heróis começaram a inundar o mercado norte-americano e, diante dessa invasão, surgiu a pergunta: será que os antigos heróis ainda possuíam algum valor nesses tempos tão sombrios – e violentos?

Assim, é nesse contexto que a DC Comics, a detentora dos heróis mais "antigos" e "tradicionais", lança duas sagas para discutir essa questão, com a primeira sendo A Morte do Super-Homem, e a segunda, a nossa Queda do Morcego.

Montagem que reúne as capas de Superman v2.#75, com a capa esfarrapada do herói pendurada em uma viga, e a capa de Batman b1.#497, com o momento em que Bane quebra a coluna do Batman

À direita, capa da conclusão da primeira fase da Morte do Super-Homem, publicada em Superman v2.#75 (1987), com arte de Dan Jurgens e Brett Breeding. À esquerda, capa da conclusão da primeira fase de A Queda do Morcego, publicada em Batman v1.#497 (1993), com arte de Kelley Jones e Bob LeRose

Enquanto que a Morte do Super-Homem realiza um estudo global sobre os impactos da figura do  personagem sobre o mundo (um questionamento bastante adequado, visto ele ser o primeiro super-herói), assim como um estudo sobre os possíveis novos rumos que essa figura pode tomar na alvorada dessa nova era com seus
 possíveis quatro substitutos¹, A Queda do Morcego segue por um caminho um pouco diferente.

Ainda é, na verdade, um estudo sobre o papel e o impacto do personagem, mas antes, é um estudo sobre o personagem em si. Veja bem, assim como o Super-Homem, o Batman surge de uma época relativamente "mais simples", e vai sendo construindo em torno de uma série de padrões éticos e morais que, nos anos 1990, pareciam não se encaixar no novo cenário de heróis hiperviolentos. Assim, era inevitável que surgisse a pergunta: "Mas qual a relevância do Batman hoje?"

De fato, como o próprio editor Dennis O'Neil (1939-2020) diria em uma entrevista ao Mr.Media sobre a Queda do Morcego:

Ficamos pensando por muito tempo se nossos heróis estavam fora de moda, se a regra de que nossos personagens não podiam matar ainda valia. Então, em vez de continuarmos evitando a questão, resolvemos enfrentá-la e colocar no mundo um Batman que fosse genuinamente maluco." (Morcelli; Pereira; Sarmento,  2015, p.33)

Assim, é a partir dessa premissa que o lendário roteirista, à época o editor responsável pelos Bat-títulos, reuniu as equipes criativas por trás das revistas do Morcego para que, juntos, pudessem desenvolver uma resposta para aquela questão, que assumirá a forma de A Queda do Morcego.

O Sucessor do Morcego é...Azrael?

Capa da primeira parte da minissérie A Espada de Azrael, que apresenta o personagem título saltando na direção do observador, armado com suas espadas flamejantes.

Capa da primeira edição de A Espada de Azrael, minissérie que introduziu o personagem
no universo doBatman. Arte de Joe Quesada e Kevin Nowlan


Uma vez que com isso em mente, fica bastante clara a resposta para um questionamento que sempre atormentou o fandom do Batman ao se falar na Queda do Morcego. Pois, se ele tinha o Asa Noturna (vulgo primeiro Robin) como opção, porque diabos ele escolheu o Azrael, um estranho recém-chegado para assumir o manto?

Por uma questão de contraste narrativo.

Partindo do princípio que Azrael era um personagem novo, a equipe tinha liberdade para moldá-lo de acordo com a sua própria ideia. Aliado à isso o fato de que O'Neil sempre imaginou o personagem como sendo um vilão (idem), temos aqui o ponto perfeito para a discussão proposta.

E essa discussão começa bem cedo. Pois, ao mostrar um Bruce Wayne frágil e exausto, a Queda do Morcego já apresenta na saída um conceito chave do Batman: sua humanidade. Por mais que se apresente como uma criatura das trevas, o personagem é um herói extremamente humano, sendo justamente esse um dos seus pontos de diálogo com o Super-Homem, por exemplo. Seus medos, traumas e ansiedades, aqui constroem um retrato bem vívido do peso que é ser o Batman,  uma responsabilidade que ele carrega sem pensar duas vezes. Já Azrael, por sua vez, entra como um representante de uma nova ideia, uma criatura que age de acordo com um sistema rígido, sem espaço para nuances ou diferenciações, muito menos emoções.

Com a saída de cena do Batman original, Azrael ganha liberdade para reconstruir a imagem do Batman ao seu bel prazer, em um processo que vai aproximando o personagem dessa nova pegada narrativa dos anos 1990. O primeiro vislumbre dessa guinada se dá no campo estético, com as alterações que ele faz na roupa do Batman que, primeiro ganha uma manopla com garras:

Batman (Jean-Paul Valley), com a nova manopla com garras

A primeira alteração do Bat-traje realizado por Azrael, a inserção de garras e uma luva, bem de acordo com a estética radical e extrema dos anos 1990. Arte de Jim Aparo


Para depois se tornar uma verdadeira armadura de combate, carregada com espinhos, capas gigantescas, polchetes e todos os elementos que gritam anos 90 aos olhos do leitor:


Azrael com a armadura que criou para o Batman. Novo visual com garras, polchetes e extremidades pontudas

A Armadura do novo Batman. Acredito que essa arte seja de Norm Breyfogle, mas não consegui determinar com 100% de certeza

Essa aproximação estética com cultura visual dos comics dos anos 1990, foi apenas o primeiro passo. Pois, em pouco tempo, o novo Batman passou a adotar o código ideológico da sua época, agindo de modo cada vez mais violento, como já comentei acima. 

Assim, à medida em que A Queda do Morcego avança e Azrael vai ganhando mais liberdade sobre a imagem do Batman, o mesmo realiza uma destruição do ideal do Cavaleiro das Trevas, se convertendo, assim, no verdadeiro vilão da Saga. E é esse pulo do gato que muita gente termina deixando de lado.

Afinal, por mais que Bane se apresente como uma grande ameaça, e por mais que realize um ato que quase nenhum outro vilão foi capaz de fazer antes ou depois, será Azrael, o escolhido para suceder o Batman, o verdadeiro antagonista de toda A Queda do Morcego, sendo ele o responsável por causar o maior dano ao herói, visto que ataca diretamente as ideias que são seu alicerce principal, e batendo de frente com todos os conceitos e ideias que permeavam o mercado nos anos 1990. Pois, desprovido de sua humanidade e código moral, o Batman se revela um ser pouco diferente dos criminosos e vilões que enfrenta, perdendo, assim, não só sua identidade de herói, mas aquela capacidade de inspirar esperança e força ao povo de Gotham. 

Tanto é que, no encerramento da saga, o Batman procede com um verdadeiro desmonte dessa imagem construída por Azrael, visto que, em seu confronto final , o Cavaleiro das Trevas guia seu oponente rumo a um túnel estreito onde, para avançar, ele precisa ir se livrando sua armadura. Quando finalmente apenas o elmo permanece, Jean-Paul é envolvido por uma rajada luminosa que o cega, ao mesmo tempo em que nos revela a presença do verdadeiro herói.

Essa sequência, que inclusive tem ecos de A Última Caçada de Kraven, serve aqui não só como uma demonstração da perícia e conhecimento de Bruce Wayne sobre seu QG, mas, na verdade, como uma comprovação final, tanto para Azrael quanto para o leitor, daquilo que A Queda do Morcego se propôs a discutir: de que não é a roupa ou o equipamento os responsáveis pelo herói, mas antes, algo maior que isso. Ou, para retornar à entrevista do Dennis O'Neil:

(...) [A Queda do Morcego] Serviu para provar que nosso público podia aplaudir heróis brucutus e violentos nos cinemas, mas nos quadrinhos eles apreciavam um conceito mais velho e nobre do que um herói é." (idem)



O final da luta entre Batman e Azrael, com o verdadeiro Batman
assumindo novamente seu manto. 
Arte de Graham Nolan

Esse conceito nobre, que se revela ao fim do túnel com um Batman envolvido pela luz do Sol prova em definitivo a verdadeira natureza do personagem. É uma declaração final de que o Batman não é o Batman por ser mais esperto, forte ou ter mais recursos que os demais. Ele é o Batman por carregar seu código, por ter pena, compaixão. Por ser, enfim, humano. E é essa humanidade, de longe, o dispositivo mais efetivo que o personagem carrega em seu cinto de utilidades.

Particularmente, é isso que me faz gostar tanto da Queda do Morcego. Longe de ser uma obra perfeita, ela é bem, bem inconstante em alguns pontos, a saga nos apresenta um verdadeiro estudo sobre quem é o Cavaleiro das Trevas. Não só isso, ela nos prova que mesmo em um mundo tão sombrio e hiperviolento quanto o dos anos 1990, alguns conceitos e ideias sobrevivem, lançando sua luz mesmo nas noites mais escura  de Gotham City.

Tudo o que é preciso é que olhemos em sua direção.


Referências:

- Livros e artigos:

1 - GOULD, Marie. Dissecting the Man of Steel: The Evolution of Superman as a Reflection of American Society, Undergraduate Thesis , Bellarmine University, p.35,2020

MORCELLI, Felipe; PEREIRA, Luís A.; SARMENTO, Pablo. A Caminho da Justiça, São Paulo, [s.n.], 2015

- Sites:

https://www.mansaowayne.com.br/2018/04/23/guia-de-leitura-a-queda-do-morcego/

https://arousinggrammar.com/2014/09/08/batman-azrael-knightsend/

- Vídeo:

Owen Likes Comics: How DC Comics Broke Batman


Pois bem, o artigo de hoje chegou ao fim mas, caso ainda não tenha conseguido satisfazer sua fome de Batman, temos aqui alguns outros artigos que podem te interessar:

Blog da Comic House: Essa é mais bela história do Batman já produzida!

Galeria da Meia-Noite: Duas-Caras em dois tempos: O papel do tempo na narrativa

Galeria da Meia-Noite: O Longo Dia das Bruxas - Revisitando um Clássico


Aproveitando, deixo também o convite para que você venha a conhecer a Comic House, seja para dar início à sua coleção de bat-histórias, completar aquela bat-coleção ou simplesmente bater um bat-papo!

Por fim, um dos principais problemas do Batman durante A Queda do Morcego foi justamente por tentar resolver um grande problema sozinho, ignorando não só sua rede de apoio, como também sua própria saúde, física e mental.

Se você ainda não conhece esse termo, deixo aqui também o convite para o segundo episódio do Arcano Pop, podcast, onde a mesa de apresentadores discute o papel de uma rede de apoio, assim como sua importância.

Pois, por mais que não precisemos deter os fugitivos do Asilo Arkham, todos nós temos nossas próprias batalhas - e necessidade de apoio.

Arcano Pop #1 - Rede de apoio

E por esse mês é só!

banner com as informações a respeito de Lucas Freitas, escritor e colunista

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