segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Entrevista com Mort Walker, criador do Recruta Zero

Recruta Zero 60 anos
por Renato Felix (editor do jornal Correio da Paraíba)


O exército americano é uma grande piada - ao menos nas tiras do Recruta Zero, um dos mais populares personagens dos quadrinhos, que completa 60 anos este mês. Criação do cartunista Mort Walker, hoje com 86 anos, o soldado folgado e preguiçoso é publicado atualmente em 1.800 jornais ao redor do mundo. E Walker, um dos principais nomes da história das HQs conversou por e-mail com o CORREIO sobre o aniversário.


Mas poderia ter sido bem diferente. Zero (Beetle Bailey, no original) estreou em 4 de setembro de 1950 não como um recruta, mas estrelando uma tira ambientada em uma universidade. Como tal, era claudicante: quando uma tira precisava ser publicada em pelo menos cem jornais para ser um sucesso, Zero chegava a 40 com esforço. Sob o risco de ser cancelada, a Guerra da Coreia acabou sendo motivo para Mort Walker fazer o malandro estudante se alistar.

“O editor de um grande jornal escreveu para o syndicate (que distribui as tiras nos EUA) e disse que Zero deveria se alistar, como todos os jovens da idade dele na América”, conta o quadrinista. “Eu não queria, mas eles insistiram. Foi imediatamente um sucesso e eu comecei a ganhar mais jornais”.


Os militares, evidentemente, torceram o nariz. “No começo, o exército não gostou de me ver fazendo graça deles e não deixou Zero ser publicado nos jornais militares”, lembra Walker. “Então, os leitores deles reclamaram e eles começaram a usar minha tira. E ela se provou tão popular que eles, afinal, me deram um prêmio e houve uma grande parada em minha homenagem no gramado da Casa Branca”.

Começou a surgir uma galeria de outros tipos impagáveis: Zero ganhou a companhia do tão violento quanto infantil Sargento Tainha, do tão molenga quanto vaidoso General Dureza, do inocente Dentinho e outros. “Todos os meus personagens são baseados em pessoas que conheci, com diferentes personalidades”, diz. “Isto mantém os personagens consistentes. Alguns são mais engraçados que outros. Eu gosto do Zero, do sargento e do general. A Dona Tetê (a secretária bonita do general) não é engraçada, mas eu a adoro”.

A tira se mantém em alta com a mesma filosofia e poucas mudanças. “Não acho que ela mudou muito. Tento mantê-la em dia com as mudanças, mas evito comentar assuntos políticos ou a guerra. Zero permanece em treinamento básico, o treinamento simples que cada soldado tem que fazer”, conta Mort Walker, que hoje escreve junto com três colaboradores e faz o lápis de todas as tiras - um de seus filhos, Greg, faz a artefinal.

“Nós passamos nossas ideias para o papel e uma vez por mês nos encontramos para selecionar as melhores”, diz Mort Walker sobre o sistema de criação das tiras do Recruta Zero. “Juntos, temos 120 esboços e usamos cerca de 30 - temos milhares em estoque. É difícil dizer quantas das ideias que uso são minhas, mas gosto de usar meu próprio trabalho, então diria que cerca de metade das que uso são minhas”.

Walker criou outras tiras. A principal foi Zezé & Cia. (Hi and Lois, no original), um derivado com a família de Zero que ganhou vida própria. “Vários quadrinhos americanos fizeram sucesso durante a II Guerra, mas morreram depois. Minhas guerras (Coreia e Vietnã) continuavam e fiquei preocupado se a tira sobreviveria quando acabassem. Foi por isso que criei Zezé & Cia.”.

Hoje, porém, ele não tem mais relação com a tira. “Eu costumava escrever, mas passei para dois dos meus filhos, Greg e Brian, e o filho de Dik Browne (criador de Hagar, o Horrível), Chance. Dik é quem desenhava a tira, escrita por Walker.

Um de seus principais trabalhos é a criação do National Cartoon Museum, em 1974, cujo acervo está atualmente na Ohio State University - um novo museu deve abrir no ano que vem. Ele sempre foi um defensor da valorização da profissão e acha que os quadrinistas são mais respeitados hoje em dia, mas em termos. “Eles não têm qualquer respeito quando syndicates os jogam fora como se não tivessem valor”, afirma.


Entrevista originalmente publicada ontem, 19/09/10, no Caderno 2 do Jornal Correio da Paraíba, do qual Renato Félix é editor.


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sábado, 18 de setembro de 2010

Aria, de Holguin, Yardin, Martinez e Medina

O Mercado de Almas

Kildare organiza um pequeno jantar, apenas para seus amigos próximos, na data em que antigamente, entre os celtas, era celebrado o Festival de Imbolg. Durante a noite, surgem memórias e indagações, como a de Ondine: como será ter uma alma?

Ao mesmo tempo, chega um certo senhor Goodfellow na cidade, que de "boa pessoa" não tem lá muita coisa. Ele começa a organizar um misterioso leilão, do qual só participarão convidados escolhidos a dedo. Goodfellow marca um encontro com Kildare, já que possui algo de interesse da fada, para incluí-la em seu joguinho.


Acontece que Goodfellow não vai à Nova York sozinho. Em seu encalço, segue um furioso cavaleiro negro, clamando que o recém-chegado possui algo que lhe pertence. O cavaleiro também cruza o caminho de Kildare, e então as histórias começam a se conectar.


O Mercado de Almas, além de uma interessantíssima trama, que revela algo sobre o passado e a personalidade de Kildare, faz referências à mitologia ainda mais evidentes do que os outros volumes. Goodfellow, por exemplo, também é conhecido como Puck, ainda que não goste desse nome. O restaurante preferido dos seres de Faerie, Dion's, pertence à Dionísio. As três fiandeiras do destino assumem faces um tanto quanto peculiares de velhas mendigas. As referências a contos de fadas, como o próprio cavaleiro negro, também se entrelaçam na narrativa, como em A Magia de Aria e Aria - Os Rituais de Encantamento.

Aria - O Mercado de Almas, de Brian Holguin, Roy Martinez, David Yardin e Lan Medina
Brochura.
Publicado em 2003 pela editora Devir
144 páginas.
Formato: 17 x 26 cm
R$ 32,00
 
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A Magia de Aria, de Brian Holguin a Jay Anacleto


Houve um tempo em que os contos de fadas terminavam com a mocinha se transformando em espuma, a mãe cega, a vovó transformada em torta, o herói devorado pelo monstro... Os finais felizes são invenções recentes e para Lady Kildare, de uma linhagem real de fadas... bem, para ela os contos de fada nunca acabam.

Em A Magia de Aria, conhecemos melhor a protagonista, sua escolha de viver entre os mortais, o amor que tem à Nova York e o contato que mantém com os parentes em Faerie. Também somos devidamente introduzidos aos seus amigos Pug, Ginny, Roland, Magus, dentre outros, boa parte deles também pertencentes ao povo das fadas.


Este álbum revela o motivo pelo qual Ginny recebeu a alcunha de "a louca" e ele não é nada agradável. Através de um jornal local, Kindare fica sabendo de um humano serial killer que clama que suas matanças se devem ao retorno do Senhor das Trevas. Preocupada, ela considera investigar o fato, mas este vem atrás da fada antes que ela possa se dar conta.

Ginny, prima de Kildare, presencia a matança de seres que não deveriam morrer, seres do mundo das fadas, que transitam no mundo humano. Em meio ao seu tormento, foge magicamente da Inglaterra para encontrar a prima em Nova York, em busca de auxílio. Kildare e Pug notam, então, que há algo grandioso por trás disso que precisa ser resolvido.


A história deste álbum é mais sombria que em Os Rituais de Encantamento, mas os desenhos continuam magníficos. Os requadros participam ativamente da história, mudando de cores e formas de acordo com o momento e o mundo dos personagens e cenas ocupando páginas duplas, vivas e detalhadas, são mais frequentes em A Magia de Aria.

A Magia de Aria, de Brian Holguin e Jay Anacleto
Brochura.
Publicado em 2002 pela editora Devir
102 páginas.
Formato: 17 x 26 cm
R$ 32,00
 
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Aria, de Brian Holguin e Lan Medina

Os Rituais de Encantamento

Uma perfeita forma de reino de contos de fadas, com um rei, uma rainha, vários discípulos, damas de companhia, um porco-espinho misto de Orloge (A Bela e a Fera) e Sebastião (A Pequena Sereia), fadinhas, uma menina curiosa constantemente em chamas, o caçador de confiabilidade duvidosa e um monstro preso no calabouço.


Acontece que esta história não segue a linha dos contos de fadas tradicionais. A protagonista Kildare recebe um convite pouco tradicional, deixado em seu colo por uma pomba-correio, para um baile. O tal baile será promovido pelo rei Oberon Segundo, do qual nem ela nem seus amigos, familiares com o mundo da magia e os reinos feéricos, ouviram falar. Lady Kildare é nada menos que uma fada que se exilou no nosso mundo há mais de 900 anos.

Ainda assim, Kildare aceita o convite, segue rumo ao bosque e logo sente que há algo estranho com o lugar. Um rei e um reino que não deveriam existir, a falta de um caminho que a leve de volta para o mundo real e o fato do local proibido ser justamente a biblioteca levanta suspeitas. Para completar, a vida da ilustre convidada de Oberon Segundo está em risco, já que a rainha Joyous quer sua cabeça e tem um caçador habil à disposição.


Joyous não é tão feliz quanto o nome sugere, mas demora a identificar o motivo. Esta é a preocupação do rei e o motivo da presença de Kildare, já que a rainha é o motivo de todo o reino existir.

Com um desenho encantador e sarjetas usualmente pretas, mas que por vezes mudam de cor de acordo com a narrativa, Aria nos mostra uma "investigadora mágica" forte e determinada, além de brincar com referências mitológicas e de contos de fadas. Finalmente, revela que o "felizes para sempre" pode não ser tão feliz assim...

Aria: Os Rituais de Encantamento, de Brian Holguin e Lan Medina

Brochura.
Publicado em 2005 pela editora Devir
108  páginas.
Formato: 17 x 26 cm
R$ 32,00
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Blue Note, de Biu e Shiko

Para começar, o que vem a ser blue note?
Blue note, no mundo da música, é uma nota musical dissonante, utilizada para tocar Blues, que dá o tom "triste", emotivo da música e, até onde a internet soube me dizer, derivou da música africana. Isto é uma explicação breve de uma leiga no tocante à música, acredito que um musicista possa confirmar, corrigir ou complementar.

Mas por quê essa explicação?
Porque Blue Note é, além de um álbum gráfico, um álbum musical. E a "nota dissonante" tem tudo a ver com a narrativa de Biu, com elementos ligeiramente desconexos, sentimentais, emotivos. A HQ passeia pela poesia, pela música e pela filosofia, por vezes exprimindo aqueles pensamentos que as pessoas guardam para si mesmas, achando que ninguém vai entendê-las.


Talvez nem todos entendam os sentimentos do protagonista, que inicia a história na cidadezinha de Rio Tinto, interior da Paraíba, com um desejo bem claro: sair dali! Muitos personagens apresentam essa vontade, a ver a garçonete de Amarelo Manga¹, retratada quando o protagonista vai a Recife. No entanto, muitos já vivenciaram sentimento parecido e a identificação com ele é certeira.


Uma das graças deste romance gráfico é a forma como as cidades são retratadas. Sim, Rio Tinto está ali. O centro de João Pessoa também, tanto com sua arquitetura tombada e conservada quanto com os prédios antigos descuidados e decrépitos. Não é uma história ambientada numa cidade genérica. Os cenários tem rosto, identidade.


O que pode parecer simplesmente desconexo no início, vai tomando forma ao longo da narrativa, enquanto vamos conhecendo outros personagens, outras formas de amor, outras sensualidades. A música é elemento central deste álbum, guiado por seu ritmo. Algo muito interessante é que os autores aparecem diversas vezes nas páginas da HQ.


¹Sim, o filme de Cláudio Assis, lançado em 2003.

Blue Note, de Biu e Shiko
Brochura.
Publicado por meio do Fundo de Incentivo a Cultura -FIC- do estado da Paraíba
108  páginas.
Formato:  20 X 28 cm
R$ 30,00

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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Jingle Bela, de Paul Dini


Uma eterna adolescente, apesar dos cerca de 300 anos, e sempre em busca de fama. Esta é a filha do Papai Noel, Jingle Bela. Jing, para os íntimos. Como toda adolescente, ela adora se pendurar no telefone, executar idéias mirabolantes pelas costas do pai (e às despesas dele) e, acima de tudo, se divertir.


Este livro, do mesmo dos desenhos Jovens Titãs, Liga da Justiça, Superman e Batman, reúne histórias da bela loira tentando atingir a almejada fama. Apesar dos seus esforços, os resultados não são muito positivos. Na primeira história, por exemplo, Jing cria uma animação sobre si mesma com bonecos e vende para produtores, que deturpam completamente a história, fazendo com que a garota queira se enterrar num buraco. Quer sentimento mais próprio desta fase da vida?


Nem só de fama vive Jingle Bela. Apesar da ânsia pelos holofotes e frustração por seu pai recusar-se a torná-la mais conhecida, ela é uma boa garota, de coração puro e faz o máximo para ajudar quem pode e, sempre que possível, salvar o Natal, como fez com um batalhão do exército na época da Segunda Guerra Mundial. Chegou a virar mascote pin-up, pintada no nariz de um avião.

Com uma arte leve e divertida, Dini antecipa um pouco o Natal, garantindo deleite e uma pontada de nostalgia com as histórias de Jingle Bela e seus amigos.


Jingle Bela, de Paul Dini

Publicado pela editora PixelMedia/Dark Horse
Brochura.
108  páginas.
Formato:  17 X 29 cm
R$ 20,00
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Jonah Hex: Marcado Pela Violência, de Palmiotti, Gray e Ross


Um homem frio, supostamente insensível e solitário vaga pelos estados sulistas dos Estados Unidos durante o final do século 19. Com sua cicatriz de queimadura que deforma o rosto e um senso de justiça desligado de qualquer autoridade, Jonah Hex é um caçador de recompensas amargurado.

Em Marcado Pela Violência, o personagem transita por diversos estados, auxiliando aqueles que lhe pagam, desde que a causa seja justa e respeitando um código de honra que não se vê em muitos homens. Jonah vai além de sua função como caçador de recompensas, atuando como justiceiro e vingando desde mulheres estupradas a crianças mal-tratadas, como no caso em que aceita o trabalho de um rico senhor preso em uma cadeira de rodas, que perdeu seu filho de 10 anos. Sua casa é bem guardada por suas três filhas mais velhas, no entanto é o homem que deve herdar a fortuna e deve ser encontrado.

Jonah Hex parte em busca do jovem de cabelos ruivos, olhos verdes marcantes e encontra um homem que usa garotos como pequenos gladiadores, num freak show, no qual seus combatentes são cães violentos e raivosos. Hex descobre que o garoto ruivo está ali, morrendo de hidrofobia, com os cabelos tingidos. Antes de levar o corpo do pequeno de volta para a família, Jonah garante que o dono da arena bizarra tenha sua justiça.

Apesar de ter apenas "a morte e o odor acre da pólvora" como companheira, Jonah parece poder sempre contar com uma ajuda feminina, bela e destemida, seja na luta em si, seja para achar o verdadeiro criminoso em histórias em que a corrupção e a podridão alheias parecem estar bem encobertas.

As seis histórias deste álbum seguem um estilo característico de obras de faroeste, por vezes com arte um pouco mais realista e sempre fazendo uso de um jogo de luz condizente com a época (fogueiras, lampiões e fogareiros, quando a história não se passa durante o dia) e foram adaptadas para o cinema.

Jonah Hex: Marcado Pela Violência, de Jimmy Palmiotti, Justin Gray e Luke Ross
Publicado em 2010 pela editora Panini/DC Comics
Brochura.
148 páginas.
Formato:  17 x 26 cm
R$ 14,90
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sábado, 11 de setembro de 2010

Mulher Gato: Um Crime Perfeito, de Darwyn Cooke e Matt Hollingsworth

Este álbum reúne três histórias: Mulher Gato: Um Crime Perfeito, Slam Bradley: Na Trilha da Mulher Gato e Mulher Gato: Sem Dor. Apesar de serem produzidos pelos mesmos artistas, Darwyn Cooke no roteiro e arte e Matt Hollingsworth nas cores, o estilo do desenho varia de acordo com a história.

A primeira história mostra Selina Kyle tentando um golpe no Afeganistão. Gastou todos os recursos que tinha a disposição para executar um roubo que deveria reestabelecê-la, mas acabou dando errado. Forçada a voltar para Gotham City e resgatar o capital de emergência, Selina conhece Chantel.

Amante de um mafioso, Chantal quer largá-lo e ser capaz de dar uma vida digna à mãe e à filha, é apresentada à Mulher Gato (sem saber de quem se trata), com quem armará o roubo de uma grande quantia de dinheiro que será transferida em breve pelo mafioso. Selina resgata antigos contatos, reacende paixões novas e antigas, arma o plano, mas há mais gente que sabe da tentativa de roubo.


A narrativa do detetive  Slam Bradley, a segunda história do livro, se entrelaça com a primeira. Enquanto Selina arma o roubo, o detetive linha-dura investiga sua vida e sua história e acaba mexendo com quem não deve. Se indispõem com o prefeito de Gotham City, a máfia e o Batman., no entanto acaba ganhando a confiança da charmosa felina - ou será justamente o contrário, ela que o seduziu e o fez confiar nela?


A história final mostra uma reviravolta na vida de Selina. Ela precisa se definir, saber quem é fora da fantasia de Mulher Gato e, no percurso, ela acaba redefinindo a própria Mulher Gato, ainda que demore um pouco para se dar conta disso. Durante sua jornada interior, ela acaba defendendo um grupo de prostitutas de um assassino misterioso - e o modo como o faz chega até mesmo a surpreendê-la. Aqui, há uma participação maior do Batman e da Selina como Mulher Gato.

Mulher Gato: Um Crime Perfeito, de Darwyn Cooke e Matt Hollingsworth
Publicado em 2007 pela editora Panini/DC Comics
Brochura.
232 páginas.
Formato:  17 x 26 cm
R$ 49,00
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Gemma Bovery, de Posy Simmonds

Gemma é uma jovem inglesa, que terminou um relacionamento doentio e, logo depois, conheceu Charlie Bovery. Homem gentil, divorciado, com dois filhos e vida muito, muito simples. Gemma logo adota seu estilo de vida, mas algum tempo após o casamento, decide que Londres não é mais para eles e insiste numa mudança para a Normandia.

Numa pequena cidade francesa, ela se encanta com as paisagens e o modo de vida local. Pequenas lojas, pequenas farmácias, uma padaria com 35 tipos diferentes de pão, com um gosto diferente de tudo o que ela já provara.

Enquanto ela passa do encanto com a vida simples e o chalé rústico ao desespero do tédio e da solidão, sua vida é acompanhada pelo padeiro Raymond Joubert, fascinado pela inglesa com um nome tão parecido com o da heroína de Flaubert, Emma Bovary. O inconfesso voyeur é o narrador desta história, na qual a vida da Madame Bovery se aproxima perigosamente do trajeto da personagem de Madame Bovary.


O álbum é bem diferente dos quadrinhos tradicionais. Sua arte está ali, no limite entre HQ e literatura, o que é uma idéia fantástica, levando em conta o conteúdo. Joubert nos leva através da vida e dos amores ilícitos de Gemma através de sua investigação e dos diários da jovem, que ele discretamente rouba de Charlie. Todo o livro passa uma impressão de que nós, também, somos bisbilhoteiros, comparsas da curiosidade doentia do padeiro. Da perda de peso da personagem às transformações que faz no lar, nas vestimentas, nas relações pessoais.


Simmonds desperta, através de Joubert, a veia bisbilhoteira e curiosa do leitor. A narrativa mostra, mas não mostra tudo, deixando a vontade de ver um pouco mais. Também leva a observar com maior interesse o clássico Madame Bovary, já que as histórias das duas personagens se entrelaçam. No final, ainda há a menção à outro clássico, Jane Eyre, de Charlotte Brontë.

Gemma Bovery, de Posy Simmonds
Publicado em 2006 pela editora Conrad.
Brochura.
120 páginas.
Formato: 18 x 30 cm
R$ 43,00

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