terça-feira, 30 de setembro de 2014

Pré-Venda Autografada: A arte de voar, de Antonio Altarriba & Kim

Por Tiago Pavinato Klein

A arte de voar é o ótimo primeiro lançamento da Veneta, de propriedade de Rogério de Campos, ex-editor da Conrad. Premiada no Salão Internacional de Barcelona, trata-se de uma biografia do pai do autor.

A obra começa com o suicídio de Antonio Altarriba, que se joga do quarto andar do asilo onde passa o final de sua vida. E este não é nenhum spoiler, pois o fato dá o mote para o autor contar a vida do seu pai.

Altarriba, o filho, faz inclusive um interessante jogo estilístico: ele narra as primeiras páginas e, na sequência, se transubstancia na figura de seu pai, que, a partir de então, narra a própria história, dando o clima de uma autobiografia.

A história do protagonista está ligada aos movimentos sociais libertários na Europa no Século 20. O maior capítulo do livro mostra o seu envolvimento anarquista durante a Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa contra o nazismo.

É o momento de sonhos, de ideais libertários, expresso na aliança formada pelos quatro personagens centrais deste momento do livro. Apesar do idealismo, os autores não são panfletários, nem se furtam de apresentar toda a problemática política: os diferentes pensamentos entre o anarquismo e o comunismo na Guerra Civil Espanhola; os antigos amigos que mudam seus posicionamentos por motivos políticos pessoais; as fortes críticas aos intelectuais e aos burocratas.

Esse período idealista do personagem também se inclui na “arte de voar”: os sonhos o moveram por quase duas décadas de sua vida.

Depois disso, a trama dá a guinada para a derrocada dos sonhos: para sobreviver, Altarriba trabalhar até com contrabando. O passar do tempo, a constituição de família, a derrocada das esperanças, a desilusão com a Espanha democrática, o levam para o último período, de depressão na velhice.

É uma obra marcante, com potencial para conquistar diversos públicos. Inscreve-se na linha de biografias em quadrinhos, de pessoas comuns, desconhecidas, mas que conseguem universalizar seus dramas particulares, ao fazer parte de um grande mosaico histórico.

Vai agradar quem gosta de temas políticos, pois traz a história da Europa, particularmente da Espanha, incutida em suas páginas – o tom pessimista que vai tomando conta da obra não afeta quem ainda mantém sonhos idealistas, mas faz pensar nos rumos que a política internacional está tomando e sobre onde estão realmente hoje os sonhos de mudança social.

A narrativa flui, o desenho de Kim é bonito e dá conta de manter o ritmo e as passagens simbólicas, surreais, ajudam a construir a vida do protagonista. Além disso, a edição é caprichada, a um preço convidativo. O texto final, no qual o autor conta o processo de criação do livro, é um complemento bastante interessante e dá o tom da emotividade presente na produção.
Enfim, A arte de voar é um documento biográfico e histórico construído com extrema competência. Que a Veneta publique no Brasil outros materiais como este. Bela estreia!

A Arte de Voar
Autores: Antonio Altarriba (roteiro) & Kim (arte)
224 páginas - miolo em papel couchê
R$ 29,90



Sessão de Autógrafos com Antonio Altarriba
Dia 01 de outubro, às 18h30mim

Local: Comic House
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)
Telefone:(83) 3227 0656
E-mail:vendas@comichouse.com.br
Twitter: @Comic_House






(Resenha publicada originalmente no site Universo Hq )


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sessão de Autógrafos com Antonio Altarriba

Roteirista espanhol autografará sua renomada obra, a hq “A arte de voar”  na Comic House

 

Antonio Altarriba assina a hq “A arte de voar”( R$ 29,90, 224 páginas) que nos apresenta uma narrativa vertiginosa, na qual aventura, drama e humor se fundem, o livro traça um panorama vivo da Europa no turbulento século 20. O fio condutor é a trajetória de Antonio Altarriba Lope, pai do autor, um jovem camponês que assiste aos avanços tecnológicos do início do século XX, a ascensão do fascismo do general Franco em meio à pobreza e à instabilidade política da época e se engaja na Guerra Civil, para combater ao lado dos anarquistas. O conflito o leva a percorrer trincheiras país afora descobrindo a solidariedade, o heroísmo e, por fim, a derrota. Junto com milhares de outros espanhóis, Altarriba é forçado a se exilar na França, onde vai se engajar na resistência ao nazismo e, depois, acabar envolvido na máfia de Marselha.

Publicado originalmente com pequena tiragem, sem grandes ambições comerciais, o livro transformou-se em um fenômeno de vendas na Espanha e em outros países da Europa ao mesmo tempo que era aclamado pela crítica e recebia prêmios importantes como o de melhor obra, roteiro e desenho no Salão Internacional de Quadrinhos de Barcelona de 2010 e o Premio Nacional de Cómic.

Colecionadores de outras cidades podem adquirir seus exemplares autografados pelo email vendas@comichouse.com.br, porém com confirmação do pagamento até 15h da quarta-feira dia 01/10.




quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sessão de Autógrafos com Milena Azevedo, AnaLu e Juliana Fiorese



COMIC HOUSE RECEBE MILENA AZEVEDO, ANALU E JULIANA FIORESE
PARA MOSTRAR A FORÇA DAS MULHERES NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS
No roteiro ou no desenho, elas mostram qualidade e competência; neste sábado (27/9), às 18h30, as três quadrinhistas participam de noite de autógrafos 








Sessão de Autógrafos com Milena Azevedo, AnaLu e Juliana Fiorese
Local: Comic House
Av. Nego, 255, Tambaú
83 - 3227 0656
vendas@comichouse.com.br

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Quaisqualigundum, de Roger Cruz e Davi Calil




  Por Audaci Jr
Histórias com risos e lágrimas de pessoas comuns vivendo numa metrópole que está em constante mudança. Vidas que se cruzam numa homenagem aos “causos” cantados pelo sambista Adoniran Barbosa (1910-1982).



O álbum é composto por quatro histórias com personagens das músicas de Adoniran Barbosa. A leitura de Quaisqualigundum é tão fluída quanto a cadência da batucada improvisada de uma roda de samba entre amigos usando a mesa do bar ou uma caixinha de fósforos.


Os autores se baseiam em clássicos como Saudosa maloca, Apaga o fogo, Mané, Um samba no Bixiga e Samba do Arnesto, mas não fazem uma mera adaptação das suas letras. Cruz e Calil edificam construções de personagens que extrapolam os limites temporais ou temáticos das canções.


O mérito é “apresentar” o cantor e compositor paulista para quem não conhece sem deixar o leitor perdido em referências ou ciência das músicas. Ao mesmo tempo, as narrativas impulsionam a (re)descobrir as letras cheias de tragicomédia, boemia, urgência social e linguajar popular.


A primeira história, Maloca, mostra a vida pregressa dos três amigos (“eu, Matogrosso e Joca”), da vivência dura das ruas de São Paulo ao sonho de ter um lugar seu. Cruz pega a “essência” do descaso das autoridades com os sem-teto (“Deus dá o frio conforme o cobertor”) e a crescente e impiedosa verticalização da metrópole, amarrando o desfecho com um fragmento da música usando coadjuvantes criados exclusivamente para a HQ.


O tema e a linguagem popular adotados por Adoniran lembram também a letra de Cidadão, música composta por outro Barbosa, o baiano Lúcio, que ficou famosa nas vozes de dois “Zés”: o mineiro Geraldo e o paraibano Ramalho.


Deixando um pouco a melancolia de lado, a comicidade é o mote de A saga de Ernesto, na qual os quadrinhistas justificam a ausência do malandro do Brás, que convidou os amigos para um samba.


O experimentalismo gráfico da página 41 da fuga entrequadros do personagem é um dos destaques da história.


Mané e Marinez (na canção, é Inez, mas os autores não usaram os nomes originais por causa dos direitos autorais) tem um clima mais lúgubre, evidenciado nos matizes de Davi Calil. Em todo o álbum, inclusive, a paleta de cores é trabalhada para o estado emocional dos personagens, a mudança de ritmo ou o clima da narrativa.


Pegando praticamente a ideia central de abandono da música Apaga o fogo, Mané, a profundidade psicológica do casal de protagonistas se vale de um narrador, mas o impacto maior está na sensibilidade “silenciosa” do seu final.


Por fim, Chipolla e bracholas usa os amigos do Ernesto da segunda história para contar de forma bem-humorada a “baita duma briga”, com direito à trilha sonora de outro clássico de Adoniran Barbosa, Trem da onze, de onde é retirado o título da HQ.


Além de oferecer profundidade aos personagens, Quaisqualigundum também é uma homenagem à “pauliceia desvairada”, usando como cenário os bairros da Mooca, do Brás e do Bixiga.


Geralmente, os desenhistas de super-heróis não mostram tanta desenvoltura no roteiro quanto no traço que os fazem populares. Uma grata exceção é Roger Cruz, que já estrelou em títulos norte-americanos de ícones no gênero como X­-Men e Homem­-Aranha, mas provou ser um grande contador de histórias, vide também seu primeiro álbum autoral, Xampu – Lovely Losers (lançado em 2010 pela Devir).


A bela arte pintada de Calil, ora guache, ora em aquarela, oferece ótimas passagens de tempo, personagens estilizados bem caracterizados e uma narrativa dinâmica que aproveita ângulos e planos cinematográficos.


Completando o ritmo de Quaisqualigundum, uma apresentação do jornalista e editor Sidney Gusman, texto nas orelhas da edição assinadas pelo rapper Emicida, biografias de Adoniran e dos autores, além de esboços, estudos e artes da dupla de criação.


A edição da Dead Hamster teve o apoio do Programa de Ação Cultural de São Paulo (ProAC).

Quaisqualigundum é um samba gráfico legitimamente brasileiro, que fica grudado na cabeça e nos dedos do leitor como um bom batuque improvisado cantarolando as canções de um dos maiores nomes da música popular do Brasil.


Título: Quaisqualigundum
Autores: Roger Cruz(roteiro) e Davi Calil(arte)
Formato: álbum - 96 páginas
Preço: R$ 45


Quer adquirir a sua? Entre em contato!
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(Publicado originalmente no site Universo Hq no dia 15 de agosto de 2014)


sábado, 6 de setembro de 2014

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Pré-Venda: Talvez Seja Mentira, de Shiko e Bruno R.




''Talvez Seja Mentira'' é a nova hq do quadrinista Shiko com a colaboração de seu irmão Bruno R. no roteiro, que desta vez nos apresentam um quadrinho erótico que reza na tradição dos catecismos, na forma e no conteúdo. Preto e branco, nas dimensões de 10cm x 15cm, luva especial, a obra é dobrada em ‘sanfona’ entre duas capas duras nos seus extremos. Quando esticada, a única página mede um metro de largura, apresentando uma panorâmica história em quadrinhos de um lado e outra narrativa do outro. 

Ou como o próprio Shiko definiu "pouca conversa e muito amor ao preço de R$ 25".  A boa notícia é que os 50 primeiros que comprarem na pré-venda vão receber um cartão personalizado pelo próprio Shiko, porém ao preço de R$ 30.

Colecionadores de outros estados também podem adquirir, para isso devem remeter um e-mail para o seguinte e-mail: vendas@comichouse.com.br e informar no campo assunto "Pré-Venda: Talvez Seja Mentira".

Porém, atenção, pois as reservas tem duração de 48h, e após o primeiro contato, caso não seja concluída a negociação a reserva será desfeita e outro assumirá a dianteira.


segunda-feira, 7 de julho de 2014

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Venda:Hulk: Círculo Vicoso e Hulk: Além da Redenção, de Peter David e Todd McFarlane

O Incrível Hulk está diferente. Além de ter ficado acinzentado, ele deixou de ser um monstro abrutalhado e obtuso para se transformar numa fera irônica, cruel e ainda mais selvagem do que de costume. E quem fez isso com o outrora gigante de jade não poderia ser outra pessoa senão Peter David, conhecido por seus trabalhos nas revistas Homem-Aranha, X-Factor e A Torre Negra. Além de reler as primeiras aventuras do Hulk criadas por este também incrível roteirista, de quebra, veja a contribuição do célebre Todd McFarlane em seus primeiros dias como desenhista de histórias em quadrinhos!

Título: Hulk: Círculo Vicioso
244 páginas - 17cm x 26cm
R$ 26,90



Dando continuidade à fase de histórias contadas por Peter David e desenhadas por Todd McFarlane, o Hulk atravessa os Estados Unidos ao lado de Rick Jones e Clay Quartermain em busca das bombas gama, para evitar o surgimento de outras criaturas irradiadas por esta energia. No sinuoso caminho que o gigante percorre, ele vai encontrar seres como o Homem-Touro, o Meia-Vida e, claro, o terrível Líder! Atormentado por assombrações de seu passado, talvez tenha chegado o momento de o Hulk mudar de vida para sempre de um jeito muito radical!

Título: Hulk: Além da Redenção
212 páginas - 17 cm x 26cm
R$ 22,90

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Coleção Histórica Marvel vol 2 - X-Men, de Chris Claremont, Dave Cockum e John Byrne


Testemunhe o surgimento de uma nova formação de X-Men, composta por Ciclope, Tempestade, Wolverine, Noturno, Banshee e Pássaro Trovejante, além da perda prematura de um de seus integrantes! Eventos clássicos de um jeito que só mesmo o roteirista Chris Claremont e os artistas Dave Cockrum e John Byrne poderiam conceber!




Coleção Histórica Marvel vol 2 - X-Men
Autores: Chris Claremont(roteiro), Dave Cockrum e John Byrne(desenhos)
164 páginas - Capa Cartão
R$ 22,90
Já Disponível!

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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Pré-Venda: Superman & Legião dos Super-Heróis, de Geoof Johns e Gary Frank




 
Respondendo a um urgente pedido de socorro, Superman viaja ao século 31 para salvar seus maiores amigos: a Legião dos Super-Heróis. Mas, nesse futuro, o legado do Homem de Aço foi distorcido e usado para iniciar um período de terror em todo o cosmo, um período em que a Legião é considerada uma organização criminosa, uma guerra entre os Planetas Unidos e a Terra é iminente e as ações de “manutenção da paz” da xenofóbica Liga da Justiça da Terra pioram as coisas cada vez mais… Para resolver a caótica situação, Superman terá de resgatar a Legião e, com ajuda de seus integrantes mais valorosos, restabelecer sua interminável batalha pela justiça, pela verdade… e pelo modo de vida intergaláctico! Geoff Johns (Lanterna Verde, Aquaman, Liga da Justiça) se junta ao desenhista superstar Gary Frank (Superman: Origem Secreta) para nos brindar com uma história do Homem de Aço muito à frente de seu tempo!


Título: Superman & Legião dos Super-Heróis
Autores: Geoof Johns(roteiro) e Gary Frank(desenhos)
156 páginas - Capa Dura
R$ 26,90
Previsão de entrega: 04/07/2014


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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Cuba - Minha Revolução, de Inverna Lockpez, Dean Haspiel e José Villarubia







Por Nina Sedova


Algumas dezenas de jovens desembarcam em solo cubano em busca de realizar uma revolução, após serem atacados, pouco mais que um punhado deles sobrevive... tempos depois, em 1º de janeiro de 1959, o exército rebelde marchava sobre Havana, protagonizando assim um dos maiores feitos da história recente do continente americano: um pequeno grupo de jovens inicia uma revolução que, após ganhar o apoio das massas cubanas, derrota um ditadura (apoiada pelos EUA) e subverte a ordem e o status quo no país.
Desde então, não sem motivos, a Revolução Cubana, seu atos prodigiosos e o regime que daí surgiu impressionou a todos, e gerou profundos debates e controvérsias. Cuba, então, tornou-se, na boca dos mais conservadores, o perigo comunista constantemente evocado para justificar suas posições (mesmo que isso consistisse na defesa de ditaduras). Por outro lado, entre os defensores do regime da Ilha, Cuba tornou-se uma espécie de paraíso, um lugar idílico, no qual o germe de uma sociedade comunista, justa e sem máculas principiava em nascer sob os auspícios dos discursos – com oito horas de duração – de Fidel.
No entanto, entre um extremo e outro, o que existe de verdade? Qual a natureza do regime castrista? Seriam os seus desertores traidores da revolução ou pessoas comuns fugindo de uma ditadura? Obviamente, as respostas a todas essas perguntas não são simples, precisam de explicações históricas e complexas, mas podemos encontrar algumas indicações (e provocações) a respeito disso no quadrinho “Cuba, minha revolução”.
O quadrinho tem um roteiro auto biográfico escrito por Inverna Lockpez(artista plástica cubana que vive exilada nos EUA. Uma breve biografia sua pode ser encontrada em http://www.invernalockpez.com/bio/index.htm) arte de Dean Haspiel e foi publicado pelo selo Vertigo em 2013, mas só chegou ao Brasil em 2014 com capa dura e um bom papel. Ao longo de pouco mais de 140 páginas acompanhamos a história de Sônia, uma jovem de classe média que se encanta com a Revolução e decidi dedicar sua vida a ajudar na construção de uma nova Cuba. O primeiro passo que Sônia dá nesse sentido é entrar na faculdade de medicina, a despeito de seu sonho de se tornar artista plástica, Sônia acredita que Cuba tem maior necessidade de médicos, e decidi sacrificar, mesmo que momentaneamente, seus interesses pessoais. Além disso, a jovem se alista numa espécie de milícia revolucionária onde recebe treinamento militar.
A partir de então se inicia uma relação de amor e ódio com a Revolução. Ao passo que Sônia acredita sinceramente na possibilidade de um novo país surgir sob a direção de Castro, uma série de contradições e problemas surgem no caminho. A Revolução passa longe de daquilo que foi idealizado por Sônia, e uma série de medidas autoritárias e burocráticas tomados pelo governo Castro conflitam com os princípios nos quais a jovem acredita.
A vida de Sônia, sua família e a defesa daquilo que ela acreditava ser a sua Revolução vão ficando cada dia mais difíceis: escassez de produtos de primeiro ordem, repressão, falta de liberdade de expressão, amigos presos, torturas, campos de trabalhos forçados para traidores e desertores da Revolução (estes podem ser dissidentes políticos ou apenas homossexuais) e uma longa lista de etc. A própria Sônia, em decorrência de um pequeno ato de insubordinação, amarga alguns duros meses na cadeia.
A decepção é inevitável, e a ruptura com o regime castrista também. A solução final, a fuga para os EUA, embora seja um clichê, não deixa de ser verdadeiro. E é exatamente no desfecho que encontramos o ponto mais baixo da história: a apresentação dos EUA como a “terra da liberdade”! Nada poderia soar mais falso, já que a própria história contada mostra que, ao menos em parte, os EUA são cumplices ou culpados pelas misérias do povo cubano. Seja apoiando ditaduras como a que precedeu o governo de Castro, seja ameaçando constantemente a ilha com invasões militares.
Apesar do final um tanto quanto hollywoodiano, o conjunto do quadrinho não é comprometido, e pode-se dizer que ele consegue construir um quadro complexo e realista da situação cubana sem cair em maniqueísmos ou simplismo, seja de um lado ou de outro.
Agora, um comentário sobre a arte: Dean Haspiel e José Villarrubia utilizam um recurso já bastante conhecido, com a história sendo contada toda em preto e branco, mas usando o vermelho para os elementos que o artista quer chamar a atenção, num estilo “A Lista de Schindler”. Um recurso que funcionou muito bem no quadrinho, pois consegue dar dramaticidade na medida certa, escapando de obviedades. O desenho de Haspiel é bom e convence, as cores de Villarrubia dão vida.
Em síntese, “Cuba: minha revolução” é uma boa história, não é ótima, mas é boa! Vale a pena ser lida, de 0 a 10, eu daria entre 6 e 7. E considerando que trata de assuntos e eventos tão marcados por produção panfletárias, a sugestão de leitura é ainda mais válida.



Título: Cuba Minha Revolução
Autores: Inverna Lockpez (roteiro), Dean Haspiel (arte) e José Villarubia (cores)
Formato: 17,5 x 23 cm
144 páginas
Capa Dura
R$ 48,00



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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Pré-Venda: A vida de Jonas, de Magno Costa e Marcelo Costa




 
Um ex-alcoólatra abandonado pela mulher e desempregado lutando para ficar sóbrio e ter sua tão sonhada segunda chance. Uma história sobre corações partidos, amizades testadas, fantasmas pessoais e cicatrizes que não se curam.

À primeira vista, vendo a sua belíssima capa hiper-realista, A vida de Jonas parece um livro infantil, mas, quando se passa a vista pela sinopse, o álbum se ambienta em um clima pesado e adulto, carregado de culpa, autopiedade, egoísmo e vício.

Junto com seu irmão gêmeo Marcelo, Magno já havia utilizado sua arte em personagens antropomórficos, a exemplo do independente Bro (coletivo Bimbo Groovy) e de Oeste Vermelho (Devir), que lhe rendeu o Troféu HQ Mix de Desenhista Revelação de 2012. Desta vez, ele se inspira em fantoches do tipo Muppets, os famosos personagens criados pelo norte-americano Jim Henson (1936-1990) para séries de TV e cinema.

Se for para fazer paralelos, a obra seria como se os Muppets fossem dirigidos por nomes como Billy Wilder ou Blake Edwards, diretores de Farrapo humano (1945) e Vício maldito (1962), respectivamente, clássicos acerca da temática do alcoolismo.

A história parte da íngreme e tortuosa fase de reabilitação social de Jonas, um ex-alcóolatra que perdeu a mulher e tenta recuperar sua vida.
Seus amigos ficam com um pé atrás ou simplesmente desaparecem do seu círculo, que se torna cada vez mais unitário pela compressão da solidão e do abandono marginalizado pela sua vida social em virtude dos pecados pregressos.

A vida de Jonas é de uma franqueza que se torna desconcertante. Não dá para deixar de sentir pena do protagonista, que faz suas compras e para atônito em frente da seção de bebidas do estabelecimento ou comprime seu nariz de espuma no vidro da viatura quando se excede em casa, na época em que ainda estava com sua esposa.
O álbum poderia muito bem ser retratado com “seres humanos de verdade”, mas as marionetes – não somos todos manipulados pelas cordas dos nossos sentimentos e vícios? – oferecem uma nova perspectiva e um quê a mais na tragédia.

O sorriso sem graça do personagem, uma constante pelo motivo supracitado, pode perfeitamente se espelhar em muitos momentos amargos que poderíamos passar, nos quais o mundo continua girando sem você. Todos à sua volta podem ver seu sorriso amarelo, mas não podem ver você gritar desespera e silenciosamente por dentro.
A sociedade molda aquele sorriso constante como os cirurgiões plásticos o reconstroem nos rostos das inexpressivas madames que mascaram falsas simpatias repuxadas com o botox. Assim, a inexpressividade dos “fantoches” se torna uma expressividade palpável e interpretativa aos olhos mais atentos do leitor.

Jonas arranca raiva e compaixão ao mesmo tempo, seja pela situação em si, seja pela sua falta de amor próprio ou pelos momentos egoístas. Um personagem falho, que tem suas recaídas e acertos como qualquer “ser humano”.
O autor faz uma história sem esbarrar na pieguice, apesar de utilizar alguns clichês lúgubres, como o enterro na chuva ou a conversa frente ao túmulo. Cativa a HQ ser despretensiosa, rica, direta e simples, qualidades enaltecidas pelo prolífero quadrinhista André Diniz (de Morro da favela), que assina o prefácio da edição.

Por falar em chuva, a “tempestade que se avizinha” na narrativa faz uma metáfora para um momento fundamental. Houve também um temporal, literalmente, no relato bíblico da vida do profeta Jonas, que acaba sendo lançado ao mar pela agitação meteorológica, terminando no estômago de um “grande peixe”. Justamente foi o arrependimento que salvou o israelita.

No quesito artístico, Magno tem um traço limpo e elegante diante do clima pesado, que ganha ainda mais evidência no sensível e vital trabalho de cor de Marcelo Costa. Distintos também são as suas angulações, perspectivas, cortes temporais e “silêncios”.

O álbum foi feito com muito zelo e cuidado pela Zarabatana: capa com detalhes em verniz e orelhas, papel couché brilhoso, impressão de alta qualidade, formato 20, 4 x 29,5 cm e esboços de estudos dos personagens com os comentários de Magno nas páginas finais.

Vale ressaltar que o projeto teve o apoio da Secretaria da Cultura de São Paulo, por intermédio do ProAC – Programa de Ação Cultural.

Um trabalho de destaque nos lançamentos do primeiro semestre de 2014, feito por quadrinhistas que têm seu talento herdado no DNA, que deixaram de ser uma promessa a cada novo trabalho lançado. Altamente recomendado.


Título: A vida de Jonas
Autores: Magno Costa(roteiro e desenhos) e Marcelo Costa(cores)
64 páginas
R$ 40

Previsão de chegada: 23.05.2014

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(Publicado originalmente no site Universo Hq no dia 06 de junho de 2014)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Pré-Venda: Os ignorantes, de Étienne Davodeau



Por Audaci Jr

O quadrinhista Étienne Davodeau não sabe muito sobre o mundo do vinho. Richard Leroy é vinicultor e quase nunca leu quadrinhos.

Durante mais de um ano, Étienne foi trabalhar nos vinhedos e na adega de Richard, que, em troca, mergulhou nas páginas das HQs e na vida profissional do autor.

Davodeau afirma que existem tantas maneiras de fazer um livro quantas de produzir vinho. Ele constata que ambos têm o poder, necessário e precioso, de aproximar os seres humanos.

Vinhos e quadrinhos. O máximo que se pode imaginar a princípio é uma prazerosa leitura acompanhada da degustação de uma taça de uma boa safra, tinto ou branco.
Uma proposta inusitada do quadrinhista Davodeau ao vinicultor Leroy resulta em uma documentação com muitas surpresas, incluindo a maior delas: que o processo de cultivo nos vinhedos tem muito em comum com o de produção de uma história em quadrinhos.

A experiência é concebida de forma orgânica. Muitas características semelhantes nas ações são percebidas por Leroy, que topa ser personagem do álbum, mas sempre está com a cabeça na poda da sua plantação.

O leitor pode até lembrar-se de imediato do ótimo Sideways (2004), filme de Alexander Payne com Paul Giamatti (de Anti-herói Americano), mas as semelhanças ficam apenas na degustação e visitação de vinhedos. O “drama” aqui é bem mais tranquilo. Isso também não indica que seja menos prazeroso.
É apresentado o cultivo das videiras baseado na biodinâmica, processo adotado por Leroy em que nos cuidados com o solo, como a adubação, não são utilizados produtos químicos. E é mostrado que o procedimento é tão subjetivo quanto “gostar” ou “apreciar” a arte de uma HQ.

Entre o controle do crescimento das videiras, a avaliação de barris para a futura fermentação, o repouso, engarrafamento, degustação, maturação e visita de críticos de outras partes do mundo, vai sendo mostrado também o processo de fabricação de um álbum europeu.

Perfeccionista, Davodeau acompanha o demorado e meticuloso processo de verificar e corrigir erros dos testes de impressão da capa e os cadernos da edição. Os personagens também visitam uma reunião editorial. Todos se debruçam como urubus na carniça quando chegam novos originais de Jean-Pierre Gibrat.

Gibrat, por sinal, é um dos artistas que recebe a visita da dupla. Eles também batem à porta Marc-Antoine Mathieu e Emmanuel Guibert, este último autor de A guerra de Alan e O fotógrafo, ambos lançados no Brasil pela Zarabatana e Conrad, respectivamente.

Dentre as visitas a eventos sobre quadrinhos estão retratados os festivais Quai-des-Bulles (o segundo maior da França, depois de Angoulême) e de Bastia, além da exposição de Moebius na Fundação Cartier de Arte Contemporânea, em Paris.

Interessante frisar que, no seu processo de conhecimento, o vinicultor não gosta da arte de Moebius, definido como um “Mozart e Jimi Hendrix ao mesmo tempo” na visita a Jean-Pierre Gibrat. Assim como o autor não consegue perceber as diferenças peculiares de um vinho para o outro, Leroy também se permite ser sincero no processo de conhecimento.

A bela arte em aguada impressiona pelos detalhes. Sua capacidade narrativa vai além de meramente “documentar” os acontecimentos.

Por meio dos relatos das leituras do vinicultor, Davodeau dramatiza suas leituras no leito da cama, onde pode dormir sobre um encadernado de Watchmen, “uma obra sutil e complexa sobre a mitologia dos Estados Unidos”, segundo a ótica do quadrinhista francês, ou obter de imediato uma explicação desenhada por Lewis Trondheim (de Gênesis apocalípticos + Os inefáveis) sobre por que ele se retrata com um bico nas suas HQs.

Até o papel do resenhista é abordado na obra, em ambos os lados. O vinho também é alvo de modismos e avaliações da imprensa. Davodeau atenta que as HQs são resenhadas, mas “a verdadeira crítica permanece muito confidencial”. Fica a dica.

O único deslize na edição fica por conta de não traduzir as obras que já foram lançadas no Brasil, a exemplo do já citado e crucial O fotógrafo (publicado em três volumes – veja as resenhas aqui: 1, 2 e 3). Esse trabalho extra faria com que o leitor menos atento aos títulos originais se interessasse em procurar os álbuns para enriquecer ainda mais o relato de Davodeau.

Dentre as obras não traduzidas no decorrer da HQ e no final (com uma lista de bebidas e quadrinhos lidos durante a experiência) estão o também já citado A guerra de Alan, de Guibert, Palestina – Uma nação ocupada (Conrad), de Joe Sacco, Morango e chocolate (Casa 21), de Aurélia Aurita, O Espinafre de Yukiko (Conrad), de Frédéric Boilet, Era a guerra de trincheiras (Nemo), de Jacques Tardi, Estigmas (Conrad), de Lorenzo Mattotti e Claudio Piersanti, e até Calvin e Haroldo (Conrad), de Bill Watterson.

Tirando isso, o trabalho da WMF Martins Fontes está à altura, com uma boa impressão em papel pólen, capa cartonada (sem orelhas) e formato 19,50 x 26,50 cm.

Primeiro trabalho de Étienne Davodeau no Brasil, a qualidade de Os ignorantes pode servir de “cartão de visitas” para novos álbuns brasileiros do autor francês, como Lulu, femme nue e Le chien qui louche.

Uma história que irá abrir a mente e o paladar do leitor pela curiosidade de não fazer mais parte da ignorância de apreciar um bom vinho ou virar a noite debruçado sobre as páginas de uma história em quadrinhos. O cardápio está sugerido em Os ignorantes, para consumir sem tanta moderação assim.


Título: Os ignorantes
Autores: Étienne Davodeau (roteiro e desenhos)
272 páginas, formato 19,50 x 26,50 cm
R$ 49,90

Previsão de chegada: 13.06.2014

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(Publicado originalmente no site Universo Hq no dia 06 de junho de 2014)