sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Supremos vol 1 e 2, de Mark Millar e Bryan Hitch




 

Por Flávio Caldas

Após um período afastado do mundo dos quadrinhos, voltei ao hábito da leitura e do consumo da nona arte no início dos anos 2000, após quatro anos de recesso. E o principal responsável por este meu retorno foi o Universo Ultimate, apresentado aos leitores brasileiros na revista Marvel Século 21, publicação que trazia as primeiras histórias do Homem-Aranha em sua versão ultimate. Mal sabia este que vos escreve que em 2004 o melhor ainda estava por vir, e este melhor seria literalmente “supremo”.

As histórias dos Supremos (versão ultimate dos Vingadores) seduziram e colocaram leitores em uma situação de vício, ansiosos pelas edições seguintes para o contato com novas histórias. Recordo de um episodio em particular, onde, ao chegar a um grupo de amigos, comentei que estávamos presentes de um clássico moderno.

Caminhando para uma década do ocorrido, é com grande satisfação que vejo que havia razão em meus argumentos. Quando me reparo com as duas belíssimas edições que a Editora Panini disponibiliza no mercado nacional fico com a confirmação da importância que as edições tiveram para as histórias dos Vingadores, bem como a carreira de seus autores e até para a editora, influenciando, inclusive, o seu universo cinematográfico posteriormente.

Nascidos das mãos dos artistas Mark Millar e Brian Hitch. O primeiro é um escocês que começou nos quadrinhos britânicos, passando em seguida pela Dc Comics, em títulos como Monstro do Pântano, Liga da Justiça e Flash. Posteriormente assumiu o título Authority, pela Wildstorm, onde estabeleceu uma abordagem violenta acerca de um grupo de super-heróis que viviam em no “mundo real”. Foi neste título que este roteirista chamou a atenção do mercado, sendo contratado pela Marvel Comics e trabalhando em vários títulos do Universo Ultimate (X-men, Quarteto Fantástico, Vingadores) e em títulos do universo tradicional (Wolverine, Guerra Civil), bem como no selo Icon da editora (Kick-Ass, O Procurado).

Brian Hitch é um britânico, artista de traços detalhado, que se apresentou para o grande público na seção britânica da Marvel Comics (Marvel Uk), trabalhando em seguida na Dc Comics, no título da Liga da Justiça junto a Mark Waid. Posteriormente trabalhou em Authority, em parceria com Warren Ellis, retornado depois à Marvel para trabalhar no Universo Ultimate (Supremos, Quarteto Fantástico). Há uma passagem pelo universo tradicional da editora no título Captain America: Reborn.

Estes dois autores nos brindaram com quadrinhos que hoje são reconhecidos como alguns dos melhores dos anos 2000, em especial o primeiro volume. A dupla em questão pegou os leitores de surpresa ao apresentar uma versão dos Vingadores bem diferente do que os mesmos estavam acostumados a ver: um Capitão América realmente fora de seu tempo, ao ponto de realmente incomodar com suas atitudes retrógadas; um Homem-de-Ferro muito mais cínico e inserido em sua superficialidade; um Thor pacifista, revolucionário, que ninguém sabe se realmente é um deus ou um louco; um Gavião Arqueiro retratado como um frio e perigoso agente da Shield; uma Viúva Negra realmente se portando como uma espiã, com todo o ônus que a atividade exige; um Hank Pym bem mais problemático e moralmente inadequado junto de sua esposa Vespa, em uma versão asiática, representada como uma moça que busca um parceiro que lhe traga o conforto de uma relação paternal e, por fim, um Bruce Banner (Hulk) extremamente frágil psicologicamente, em uma relação conflituosa com Betty Ross, seu clássico interesse Romântico.

Além de tratar-se de uma versão moderna dos Vingadores, podemos afirmar, pelas características citadas acima, que se trata de uma versão mais humanizada dos heróis, expondo virtudes e defeitos. Inclusive há uma crítica política muito conveniente em relação ao governo americano e suas políticas bélicas. Crítica esta que continua mais atual como nunca, assim como este clássico que nós leitores temos a oportunidade de por na estante na forma de dois encadernados luxuosos e belos. Leitura obrigatória. 



Os Supremos vol 1
Autores: Mark Millar(roteiro) e Bryan Hitch(arte)
Capa Dura » 378 páginas
Formato 17,5x27,5cm 
R$ 84,00











Os Supremos vol 2
Autores: Mark Millar(roteiro) e Bryan Hitch(arte)
Capa Dura » 408 páginas 
Extras oferecidos na edição: uma galeria de capas (inclusive algumas variantes), páginas de comentários de Millar e Hitch e alguns esboços originais da série.
Formato 17,5x27,5cm 
R$ 89,00



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Telefone: (83) 3227.0656
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fábulas vol 12: A Era das Trevas, de Bill Willingham



 

 Por Jéssica Figueiredo

A idéia de modernizar contos de fadas não é novidade na cultura pop. Roteiristas reciclam esse conceito à vontade no cinema, fazendo filmes e seriados de todos os gêneros: animação, comédias românticas, suspense, terror, e até romances “água com açúcar” – como a massificada Saga Crepúsculo. Colocar princesas em apartamentos suburbanos, humanizar feras, desencantar fadas madrinhas e incluir elementos da vida urbana nas fábulas dos Irmãos Grimm se mostrou como uma espécie de arte pronta, feita para dar boas risadas e conquistar rapidamente o público de filmes pipoca. Com Bill Willingham, a história foi um pouco diferente.

Sempre interessado em lendas antigas e mitológicas e contos de magia, Bill começou sua carreira de escritor de HQs perto dos anos 70, publicando histórias isoladas e autorais em diversas editoras quase tão iniciantes quanto ele. Mas foi apenas em 2002 que ele teve sua epifania, colocando nas bancas o primeiro volume da série que consolidaria seu nome no mundo dos quadrinhos: Fábulas.

Publicada pela Vertigo, a série encontra-se hoje no seu 15º volume, com o 12º chegando ao Brasil em agosto deste ano. Intitulado “A Era das Trevas”, este volume dá continuidade à história das Fábulas após elas contra-atacarem e derrotarem de vez o vasto império do Adversário, numa guerra com muitos mortos, pouco sangue derramado, mas com apenas um guerreiro saindo dolorosamente ferido: o Garoto Azul. Nesse meio tempo, poderíamos até pensar que a Cidade das Fábulas estaria em paz. Porém, não só uma, mas três ameaças ainda maiores – nas quais nem mesmo a líder dos bruxos do 13º andar, Frau Totenkinder, consegue distinguir – surgem das trevas e começam a literalmente destruir o mundo no qual as fábulas se disfarçam de humanos.

Acompanhado de um excelente time de desenhistas, Bill Willingham não dispensa a ironia, e dá sua versão dos contos de fadas, criando uma história na qual nem mesmo no maior desespero ou tristeza, os personagens perdem seu senso de humor. A série começa dando a entender que o principal vilão da história novamente será o Adversário, uma vez que ele está de volta à Cidade das Fábulas, mas uma sucessão de imprevistos acontece no decorrer das páginas, deixando o leitor extremamente curioso para saber qual vai ser o próximo desafio que os contos terão que enfrentar.

O grande príncipe d’”A Era das Trevas” é o gênio Mark Buckingham (responsável pelos números de Sandman “Morte, O Preço da Vida” e “Morte, O Grande Momento da Vida”), que ilustra praticamente todos os capítulos desta edição. Como se pudesse usar toda sua extensa paleta de cores, Mark desenha com maestria as boas situações de devastação da série, sem nunca desperdiçar o que parece ser sua especialidade: o uso das sombras. Além disso, seu estilo pode ser reconhecido em qualquer página, principalmente pelas ilustrações nas bordas de cada cena, tecendo uma espécie de cenário à parte, muito mais amplo e cheio de significados.

Fábulas vol 12: A Era das Trevas
Autores: Bill Willingham (roteiro) e Mark Buckingham(arte)
Capa Cartão » 180 páginas
Formato 17x26cm
Preço R$ 24,90 


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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sonhos, por Samuel Gois - Coletivo WC - Tira #07


 

Parido em João Pessoa numa linda manhã de primavera no dia 25 de setembro de 1985, formado em  Publicidade e Propaganda numa faculdade que não vale a pena mencionar. Sempre acreditou que desenhava bem por causa da mãe que o mimou, por isso se tornou um diretor de arte mal pago e prostituído que publica tiras na internet como forma de auto flagelação. Mais de Samuel Gois em sua FanPage

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Narval Comix inicia vendas de Originais de Cachalote





Quem acompanha a Narval Comix no Facebook já sabe: os desenhos originais da graphic novel Cachalote começaram a ser vendidos através do site da editora.

Os autores de Cachalote, Rafael Coutinho e Daniel Galera, vieram lançar a HQ aqui em João Pessoa, numa das sessões de autógrafos mais movimentadas que a Comic House já teve. (clique aqui e mate a saudade.)

As páginas originais são no tamanho A3, desenhadas em nanquim sobre papel. Como os balões foram adicionados digitalmente, não constam nos originais que estão sendo vendidos. O preço médio é R$ 800,00.


Acesse o site para adquirir o seu: http://narvalcomix.com.br

'O Ateneu' no traço de Marcello Quintanilha


Quintanilha
Depois de ter a versão do paraibano Shiko para o romance O Quinze, da cearense Rachel de Queiroz (1910-2003), a coleção Clássicos Brasileiros em HQ mostra O Ateneu, de Raul Pompeia (1863-1895), no traço do fluminense radicado na Espanha Marcello Quintanilha.

Premiado em 2009 como Melhor Álbum no HQ Mix para Sábado dos Meus Amores (Conrad), o quadrinista empresta seus desenhos realistas para a obra naturalista lançado em 1888, época da abolição da escravatura.

O livro conta a história de Sérgio, um menino que é enviado para um colégio interno renomado na cidade do Rio de Janeiro, chamado Ateneu, mantendo os rígidos princípios da aristocracia.



Entrevista


JORNAL DA PARAÍBA - Como partiu o convite para adaptar ‘O Ateneu’?
MARCELLO QUINTANILHA - O Convite partiu da Ática, do editor Fabricio Waltrick. E foi irrecusável pelo fato do livro proposto haver sido O Ateneu, um de meus livros favoritos. 

- Quais foram as dificuldades de adaptação da obra de Raul Pompeia? Quanto tempo durou?
- Eu diria que o principal desafio é o de apropriar-se de um texto alheio e convertê-lo em um discurso pessoal. Todo o processo de realização da história foi de cerca de um ano e meio.
  
- Como você vê essa onda de adaptações literárias, principalmente aqui no Brasil?
- Vejo com certa reserva, na medida em nem sempre é indicado a condensação de longos romances em álbuns de apenas algumas dezenas de páginas. O reduzido número de páginas pode comprometer seriamente as adaptações.

- Como está sua carreira na Europa? Tem algum outro projeto para lançar aqui no Brasil?
- Neste momento acabo de lançar o último numero da serie na qual trabalho em parceria com Jorge Zentner e Montecarlo, Sete Balas para Oxford e é cedo para pensar em novos projetos, principalmente porque foi um álbum que produzi quase ao mesmo tempo em que O Ateneu. Ultimamente tenho trabalhado também com publicidade.
 
(Matéria publicada no Jornal da Paraíba em 03/10/2012)

Para os quiserem conhecer mais sobre o trabalho de Marcello Quintanilha, cliquem aqui



O Ateneu
de Raul Pompeia, adaptado por Marcello Quintanilha
96 páginas » Capa Cartão
Lombada Quadrada » Papel Couchê 
Formato 19,5 x 13cm
Editora Atica
R$ 36,00



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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Economia Refrescante, por Val Fonseca - Coletivo WC - Tira#06



Nasceu em João Pessoa (PB), e na infância já desenhava. Ao longo do tempo fez vários cursos de desenho para o aprimoramento de sua arte, mas devido ao trabalho e ao estudo, passou um tempo recluso. Desde 1993 começou a colecionar gibis mais assiduamente, hoje com um grande acervo em mãos. Em 2010 resolve criar suas próprias histórias em quadrinhos, e em 2011 surgiu o GiBiographia, onde conta histórias pessoais ligadas aos quadrinhos que adquiriu. Atualmente trabalha em uma editora ilustrando livros didáticos, paradidáticos e quadrinhos, o que está sendo uma  grande escola para o desenvolvimento de novas descobertas. Confira mais trabalhos de Val Fonseca em Gibiarte

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Vikings - A Viúva do Inverno, de Brian Wood & Leandro Fernandez





Por Jéssica Figueiredo


Após ter a publicação interrompida em julho de 2011, quando foi colocada para fora das módicas páginas da revista Vertigo, a série Vikings ficou em falta por alguns meses, com a promessa de que voltaria às bancas em edições encadernadas. Promessa cumprida, e a primeira destas edições saiu em fevereiro deste mês, através da Panini Comics, trazendo uma história inédita e bem distinta das publicações anteriores.
Escrita por Brian Wood (ZDM – Terra de Ninguém, Local), ilustrada por Leandro Fernandez (Justiceiro MAX), “A Viúva do Inverno” não é uma história comum de um guerreiro viking em busca da sua glória nos grandes salões de Odin (como seria comum supor encontrar num quadrinho nomeado de “Vikings”). Na verdade, Brian Wood eleva os sentimentos à flor da pele, e constrói uma história emocionante, narrada por uma jovem mulher cujo marido infectado acabou de morrer e a última coisa que lhe resta é sua filha. Algo inédito na seqüência de histórias desta série.
 
Hilda é a primeira mãe solteira a ter voto na assembléia local, espécie de “governo cristão” que comanda o vilarejo. Por seu marido ter sido um comerciante muito bem sucedido, ela têm posição lá dentro – e a história começa a tomar corpo quando ela decide apoiar a decisão dos anciãos da assembléia de trancar os portões da cidade, expulsando os infectados.  
Assim, com muros de “dois metros de espessura, mais uma camada de bétula de cada lado, separados por um metro de mata congelada”, e passando um dos piores invernos dos últimos tempos, o vilarejo do Rio Volga estaria protegido. Mas a realidade se mostra outra quando o mal se aproxima, e aquele que deveria proteger aquele povoado revolta-se contra ele. “Somos uma cidade em autoexílio, a decisão tomada numa amarga divergência. E nossos invernos duram sete meses”, profecia Hilda, prevendo a continuidade de humilhações, guerras, aflições, desgraças e violência que viria a seguir.   


Os ataques ao povoado, a matança provocada pelo líder dos soldados do vilarejo, sua inveja por querer a todo custo adquirir a autoridade de uma cidade em ruínas, e o inverno que só piora, são acontecimentos que ficam ainda mais difíceis de digerir quando apresentadas junto à narrativa gráfica do Leonardo Fernandez. Usando cores que lembram o frio como preto, verde e azul, o artista consegue retratar de forma clara os conflitos e as expressões dos personagens, ilustrando com maestria uma história triste e cheia de destruição, mas ainda muito envolvente. Além de glorificar as várias “splash pages”, aquelas que ocupam uma página inteira do quadrinho, usadas para finalizar praticamente todas as edições deste volume.  
Em depoimento ao Vertigo Comics, Leonardo fala sobre as splash pages: “Eu posso dizer que Brian quer dizer alguma coisa com elas, ele está nos dando um ritmo na leitura. Considerando como era diferente o passar do tempo naquela época, comparado à vida moderna, entre trânsito, celulares, trabalho e por aí vai... Há uma clara vontade de dizer: ‘vamos devagar, olhe este momento, envolva-se com a história’. E a chave é que a maioria dessas páginas não mostra uma clássica cena de ação, mas uma especial.

Tirando o foco dos contos de guerra clássica dos Vikings e apostando num um tom confessional e bastante emocional, Brian Wood não apenas descreve os terríveis conflitos de uma comunidade, mas também procura levantar perguntas sobre o bem e o mal, o político e o corrupto, o poder e a humilhação. É como se ele quisesse propor um duelo de valores na mente do leitor, e dessa forma colocar em cheque o significado da vida e da morte. Estas considerações são feitas pela Hilda durante todo o quadrinho, até que certo momento, quando comete seu primeiro assassinato, ela se pergunta: “Que tipo de mãe sou eu agora?” 

Violenta ao extremo, “A Viúva do Inverno” se destaca por ser uma história, acima de tudo, dolorosa. Mas que vale à pena pela gama de reflexões que ela desperta no passar das suas 191 páginas. 




Vikings - A Viúva do Inverno
Autores: Brain Wood (roteiro) & Leandro Fernandez ( arte)
191 páginas » Capa Cartão
Lombada Quadrada » Papel Couchê
Editora Panini Comics
R$   23,90 

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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Espedito, por Ricardo Jaime - Coletivo WC - Tira #05


Desenhista paraibano acima do peso e nascido em 1979 em João Pessoa. Quadrinhista desde os 6 anos e profissional desde os 16. Trabalhou por 7 anos como diretor de arte e ilustrador em agências de propaganda na Paraíba. Freelancer desde 2006 resolveu desopilar suas mazelas criativas com um personagem que ama: Espedito – O verdadeiro workaholic!. Criado em 2003 e exposto em um blog desde 2009.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Wolverine Noir, de Stuart Moore e C.P. Smith


Por Flávio Caldas


“O homem é o lobo do homem”. Assim dizia o filósofo inglês Thomas Hobbes que, em sua teoria denominada de “Estado de Natureza”, caracterizava o ser humano em um estado de eterno conflito, onde o alcance da paz se daria apenas através da guerra, do afloramento de seus desejos mais primitivos.  

Quando nos deparamos com um personagem como Wolverine o conceito cai como uma luva, pois nos referimos a um ícone do universo dos quadrinhos com um histórico marcado pela oposição entre o lado humano e o lado animal. Um conflito moral que mexe com suas estruturas a ponto de incomodar o seu estado de sanidade, abrindo precedentes para seu próprio questionamento sobre qual face de sua psique seria a predominante? O homem ou o animal?

A minissérie Wolverine Noir, de autoria de Stuart Moore com arte de C. P. Smith, transporta o personagem para a Nova York de 1937, para ser mais preciso, o bairro de Bowery, região decadente, recheada de tipos marginais e perigosos, um território de uma Nova York já preocupada com questões internacionais que culminariam na segunda guerra mundial.
 
Os conflitos internos referidos acima se fazem mais do que presentes, em uma história que se passa em dois momentos: o primeiro no final dos anos 30, com Logan trabalhando como detetive em um escritório de investigação, tal qual um personagem do saudoso Humphery Bogart, em sociedade com seu parceiro Cão. Logo de imediato, os detetives recebem a visita da sedutora e misteriosa Mariko Yashida, que os contrata para resolução de um caso de seu interesse pessoal, aqui representando a tão famosa femme fatale, uma figura por demais marcante na literatura e nos filmes noir; em um segundo momento, a história é entrecortada por flashbacks da infância do personagem, marcada pela presença de uma pai religioso, duro e incompreensivo. Um outro elemento crucial para a trama neste período temporal é a sua paixão adolescente, representada pela vizinha Rose. Um relacionamento que envolve a concorrência de Cão pela atenção da moça. Todos esses elementos contribuem para sua futura personalidade no dueto homem/animal, ratificando o comportamento do personagem em sua fase adulta.


O avanço da história nos brinda com as versões noir de personagens importantes para a mitologia de Wolverine, como Victor Creed, também conhecido como Dentes-de-Sabre e Yuriko Oyama, a Lady Letal. É uma trama dramática, realista dentro de seu campo de atuação, com uma resolução bela e poética. E grandes momentos da biografia do personagem são homenageados, como as clássicas minisséries Origem (Paul Jenkis, Bill Jernas e Joe Quesada) e Eu, Wolverine (de autoria de Frank Miller nos anos 80).

  Um encadernado recomendadíssimo, acessível para fãs ou não do personagem, seja você parte do grupo de iniciados ou de leitores que não possuem o menor contato como o material original. 



Wolverine Noir
Autores: Stuart Moore(roteiro)e C. P. Smith(arte)
Capa Dura, 104,
Formato 17x26cm
  Editora Panini 
R$ 19,90
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Telefone: (83) 3227.0656
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)