sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O Ateneu, adaptado por Marcello Quintanilha




Por Jéssica Figueiredo


Convidados pela Editora Ática, uma turma de quadrinistas da nova safra brasileira se reuniu para colocar em ilustrações dez dos vários livros que definiram a literatura brasileira como um todo. Escritos, geralmente, nas épocas entre a colonização do Brasil e o império da aristocracia, a série “Clássicos Brasileiros em HQ” busca apresentar ao leitor uma nova forma de se envolver com histórias de autores como Machado de Assis, Raul Pompéia, Álvares de Azevedo, entre outros.

Deste grupo, O Ateneu, do Raul Pompéia, ganha uma nova interpretação – feita pelo roteirista e ilustrador Marcello Quintanilha( Sábados dos meus amores e Amores Públicos). Assim como o romance de 1888, o quadrinho conta a história do garoto Sérgio e suas experiências num famoso colégio interno da cidade – um dos primeiros tipos de instituições de ensino daquela época. Calouro, Sérgio começa na escola conhecendo outros garotos recomendados pelo diretor, que tem certa amizade com seu pai. Dessa forma, o garoto que até então só havia estudado em casa, com um professor particular, começa a perceber o ambiente de um internato, e, principalmente, os alunos – que parecem estar lá a muito mais tempo do que ele imaginava.

Marcello Quintanilha faz um ótimo trabalho de adaptação, mantendo a história num ritmo agradável que até difere um pouco da rebuscada linguagem usada no romance clássico. Apesar disso, o ilustrador usa mais das pinturas e desenhos quase em aquarela – e isso pode distanciar um pouco os fãs dos quadrinhos de linhas definidas e cores marcantes.

Contando uma das primeiras histórias de bullying já escritas, O Ateneu é uma história interessante principalmente por trazer de volta típicas situações de uma época em que o Brasil sequer pensava em se tornar uma república democrática. Aliás, logo no começo da história, o preconceito contra os republicanos fica claramente exposto, mostrando que a política do país – e principalmente daquela escola – ainda caminhava sobre as regras da aristocracia portuguesa.

Dessa forma, O Ateneu merece seu valor por retratar uma realidade escolar antiquíssima, e vale por estimular a discussão de que o ensino brasileiro, por mais precário que ainda seja atualmente, passou por modificações significativas e tornou-se muito mais democrático, acessível e moderno.
 

O Ateneu
de Raul Pompeia, adaptado por Marcello Quintanilha
96 páginas » Capa Cartão
Lombada Quadrada » Papel Couchê 
Formato 19,5 x 13cm
Editora Atica
R$ 36,00 

Quer adquirir a sua? Entre em contato!

Telefone: (83) 3227.0656
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Pré-Venda: Casanova - Luxuria, de Matt Fraction e Gabriel Bá



O encadernado com o primeiro arco da série, que traz uma colaboração da dupla Matt Fraction (A Essência do Medo, Homem de Ferro) e Gabriel Bá (Daytripper, Dez Pãezinhos), está programado para pintar nas livrarias e comic shops no início do próximo mês.

Bem-vindo ao mundo de Casanova! Cornelius, seu pai, é o diretor supremo da I.M.P.E.R.I.O., uma força-tarefa internacional que mantém brutalmente a paz e a ordem por toda a Terra. Sua irmã gêmea, Zephyr, é a principal agente da I.M.P.E.R.I.O. e investiga uma perturbação no tecido do continuum do tempo-espaço.

Todo o planeta está sob a jurisdição da família Quinn; toda lei é cumprida por sua vontade. E Casanova Quinn pretende destruir todos eles ao mesmo tempo… Casanova – Luxuria é uma das mais inovadoras e ousadas séries em quadrinhos da atualidade.

Lançada originalmente pela Image Comics, em 2006, a série faz parte do selo Icon desde 2011. O arco de histórias Luxuria reúne as sete primeiras edições da série.



Casanova - Luxuria
Autores: Matt Fraction(texto) e Gabriel Bá(arte)
Capa Dura - 164 páginas
Formato: 17x26cm
R$ 49,00 - Previsão de Lançamento 26/11




Quer adquirir a sua? Entre em contato!
Telefone: (83) 3227.0656
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)


  



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

As cores, por Val Foncesa - Coletivo WC - Tira# 13



Nasceu em João Pessoa (PB), e na infância já desenhava. Ao longo do tempo fez vários cursos de desenho para o aprimoramento de sua arte, mas devido ao trabalho e ao estudo, passou um tempo recluso. Desde 1993 começou a colecionar gibis mais assiduamente, hoje com um grande acervo em mãos. Em 2010 resolve criar suas próprias histórias em quadrinhos, e em 2011 surgiu o GiBiographia, onde conta histórias pessoais ligadas aos quadrinhos que adquiriu. Atualmente trabalha em uma editora ilustrando livros didáticos, paradidáticos e quadrinhos, o que está sendo uma  grande escola para o desenvolvimento de novas descobertas. Confira mais trabalhos de Val Fonseca em Gibiarte

Exposição, Palestra e Sessão de Autógrafos do quadrinista francês Etienne Lécroart em João Pessoa




Anualmente o grupo de pesquisa Imaginário!, do Mestrado em Comunicação da UFPB, organiza o evento Quadrinhos: reflexão e paixão, para dar visibilidade aos trabalhos do grupo e despertar o interesse na pesquisa voltada aos quadrinhos, humor, fanzines e games. Com o patrocínio da Aliança Francesa de João Pessoa e do Consulado Francês no Rio de Janeiro, um quadrinista francês é convidado a apresentar seu trabalho, debater os meandros da criação, além de lançar um álbum de sua autoria, editado pelas editoras l’Association e Marca de Fantasia

Entre 6 e 8 de novembro estará na cidade Etienne Lécroart para uma maratona de atividades ligadas à nona arte, que inclui palestra no auditório 111 do Mestrado em Comunicação, no dia 6, às 15h; exposição de pranchas de quadrinhos no dia 7, às 17h, na biblioteca da Aliança Francesa; e sessão de autógrafos do álbum Contos & descontos, no dia 8, às 19h, na livraria especializada Comic House, em Tambaú. 
O trabalho de Etienne Lécroart se encaixa no que podemos chamar de quadrinhos poético-filosóficos, sendo ao mesmo tempo reflexivos e engraçados. Suas histórias apóiam-se em fórmulas matemáticas da repetição, do ensaio, ou do exercício, como prefere chamar. No quadro da editora independente francesa l’Association, a obra de Lécroart integra o núcleo chamado Oubapo, do qual também são integrantes: Lewis Trondheim e Killoffer. Oubapo, é algo como oficina de histórias em quadrinhos potenciais, cujo experimentalismo chega ao limite da narrativa e do grafismo, transformando a mera leitura numa experiência lúdica que encanta. 

Esse trabalho virtuoso de Lécroart consiste em proporcionar ao leitor diversas formas de leitura de seus quadrinhos, seja no sentido horizontal, no vertical ou no oblíquo, como a história Cercle vicieux (Círculo vicioso), que, como um palíndromo, pode ser lida do primeiro ao último quadro, ou ao inverso. 

Etienne Lécroart nasceu na França em 1960, diplomou-se em Artes decorativas e logo começou a publicar desenhos na imprensa. Em 1993 publica em várias revistas de história em quadrinhos e outras, a exemplo das famosas Spirou, Fluide Glacial, Psikopat, Lapin e Le Point. Tem álbuns editados pelas principais editoras do mercado, como Glénat, Le Seuil, Fluide Glacial e, notadamente, l’Association, num reconhecimento inequívoco da importância de seu trabalho.


Contos & descontos
Autor: Etienne Lécroart (roteiro e arte)
Formato: 16,5cm x 24,5cm
44 páginas
R$ 10,00


Sessão de Autógrafos
dia 08 de novembro
às 19h na Comic House  



Quer adquirir a sua? Entre em contato!
Telefone: (83) 3227.0656
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Cadernos do Sama Vol I no Festival de Amadora

 


O artista Sama é um dos brasileiros convidados para estar no Festival de Amadora.

Sama já publicou BD e cartuns em várias antologias e revistas brasileiras, entre elas a conceituada Revista Piaui. Colabora com o periódico francês, La Gazette de la Lucarne e ainda consegue trabalhar como ator e realizador em cinema.

É também o autor da consagrada graphic novel, "A Balada de Johnny Furacão",(lançada em 2011 no Brasil), álbum que figura como um dos maiores sucessos de todos os tempos no cenário editorial de BD do Brasil e que sua passagem na Comic House com direito a uma sessão de autógrafos.(clique aqui e relembre)

Para Amadora, Sama preparou uma coletânia de estórias curtas com teor autobiográfico e às vezes até erótico chamada, "Cadernos do Sama vol I". Cinquenta capas desta revista serão personalizadas pelo próprio autor in loco.

Nesta publicação o leitor poderá apreciar também um preview de uma publicação futura, os "Postais do Sama". Trata-se de uma troca de postais entre artistas de vários cantos do mundo. É um projeto em construção. O artista espera em breve, preparar uma exposição e uma publicação com este material que conta com a participação de artistas como:

Rafael Sica, Odyr Bernardi, Cyril Pedrosa, Simon Bisley, Jim Woodring, Edmond Baudoin etc.. 
 


Amadora BD
26 de outubro a 11 de novembro
Portugal
Maiores Informações no site: 
http://23amadorabd.com/pt 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Pré-Venda: Harry Potter Box de Colecionador









A Editora Rocco prepara para este fim de ano uma nova edição da série Harry Potter, maior fenômeno editorial de todos os tempos, com mais de 450 milhões de exemplares vendidos em 70 idiomas. O box Harry Potter – Edição de colecionador chega às prateleiras de todo o país a partir do dia 24 de novembro e reúne os sete volumes da saga criada por J. K. Rowling em capa dura com ilustrações inéditas. Os sete livros da saga criada por J.K Rowling – que acompanha a jornada de um jovem aprendiz de bruxo contra o maléfico Voldemort, responsável pela morte dos pais do bruxinho – revolucionaram o mercado editorial e deixaram órfã uma geração inteira de leitores, que se mantém atenta ao universo criado pela autora e ávida por novidades relacionadas à série. 

Harry Potter – edição de colecionador mantém a tradução de Lia Wyler, assim como o formato e número de páginas dos livros; já as novas ilustrações de capa ficaram a cargo do ilustrador Mario Alberto, artista gráfico formado pela Escola de Belas Artes da UFRJ com importantes trabalhos na área editorial e colaborador do jornal esportivo Lance!


Pré-Venda: Harry Potter – Edição de colecionador (sete volumes)

Autora:J. K. Rowling
Tradução: Lia Wyler
Formato: 14x21 cm
Preço: R$ 449,50

Previsão de chegada: 24.11.12



Quer adquirir a sua? Entre em contato!



Telefone: (83) 3227.0656
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)

Lucille, de Ludovic Debeurme




Falar da passagem que todos fazem para a vida adulta sempre rende uma boa história. Crescer nunca foi fácil, mas pode ser tornar ainda mais perturbador em alguns casos. Em Lucille, Debeurme surpreende ao apresentar uma garota às voltas com os traumas da adolescência.

Ela é uma é uma garota normal e insegura, que usa óculos e não tem auto-estima. Além disso, encontra em sua mãe o papel da superprotetora. Lucille não consegue se encaixar em nenhum padrão da sociedade, e também não gosta muito das patricinhas de sua escola. Quando era criança, ganhou de presente de seus pais uma boneca, a qual ela deu o nome de Linda e que se tornou um modelo ideal de magreza e beleza. Passado o tempo, Lucille desenvolve anorexia e se isola cada vez mais do mundo.

Paralelamente à história dela, desenrola-se a história de Arthur, menino que também passa por todas as dores de tornar-se aquilo que sua família é. Ele é filho de pescador e herda uma tradição de também ter de se tornar um pescador e até o nome do seu pai quando este falecer.

As histórias de Lucille e Arthur se cruzam por acaso e os dois se apaixonam, talvez por sentirem-se tão angustiados e fora da realidade que lhes são impostas, talvez por vontade de viver em outro mundo que não os deles próprios, de não precisarem carregar consigo a história passada para eles através de seus pais. A partir desse encontro, os dois resolvem ganhar o mundo e vivem uma história única de amor, longe de todos, o que muda radicalmente a vida de Lucille, antes presa em seu próprio mundo de modelo de beleza e magreza. Para que todo esse desajuste fique bem claro, Debeurme os desenha em corpos de abelha. Isso cria a sensação de estranheza que nos acompanha por toda a história.

Ao final da história, podemos dizer que ela trata de escolhas de vida, autoconhecimento, descobertas, maneiras de enxergar o mundo, do comportamento humano, do primeiro amor, tudo visto pelos olhos de duas pessoas tão sensíveis quanto frágeis.

Debeurme lança mão de um traço minimalista e bastante delicado e quase não utiliza cenários, o que dá à história um aspecto mais dramático, é como tudo que estivesse ali pudesse desaparecer a qualquer momento. A graphic foi lançada pela Barba Negra, selo da editora Leya, e ao final do livro há uma indicação de este ser o final do primeiro volume. É que ele foi lançado em versão integral e ganhou uma continuação – Renée – cinco anos depois, até agora só publicada em francês.

Lucille, lançado originalmente em 2006, e no Brasil, em 2011. O livro rendeu a Ludovic Debeurme vários prêmios, entre eles o Angoulême e o Goscinny.

Debeurme nasceu na França, em 1971 e é ilustrador e também músico. É dele também a adaptação de O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson.


Lucille
Autor: Lucille Debeurme(roteiro e arte)
Capa Cartão - 
544 páginas
R$ 54,90




Quer adquirir a sua? Entre em contato!
Telefone: (83) 3227.0656
Twitter: @Comic_House  
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Laertevisão – Coisas que não esqueci, de Laerte Coutinho




Mesmo depois de figurar entre os mais vendidos e ganhar três troféus HQ Mix 2008, o álbum (ou seria livro-documento? Novela gráfica? Ou biografia ilustrada?) “Laertevisão – Coisas que não esqueci” tem um enorme defeito: acaba logo, como aquele comercial de TV que nos impede de zapear com o controle remoto.
Laerte passeia pelos programas de tevê, praticamente desde sua chegada ao Brasil (1950) até os dias de hoje. Mas com um jeito diferente, mostrando efeitos que o aparelho em si trouxe à sua infância, como o feminismo na época, os super-heróis televisivos imitados na rua e as tendências das séries no cotidiano (como o assobio para chamar Lassie, imitado até por outro cachorro).
O livro – além das tiras inéditas – tem várias referências da época como panfletos, propagandas, jornais, muitas fotos do seu acervo pessoal, rabiscos e textos de um autor ainda em estágio de crisálida. Definitivamente uma viagem de volta ao túnel do tempo que os anos não trazem mais.
No HQ Mix, além de ganhar como Melhor Edição Especial Nacional, “Laertevisão” ganhou também de Melhor Projeto Gráfico e Projeto Editorial. E não é por menos. O trabalho da Editora Conrad (junto com o pessoal da Base V) é de “tirar o chapéu”, como diria certo apresentador de tevê. Capa dura, papel de ótima gramatura, páginas coloridas e um layout e diagramação que completam as reminiscências como um quebra-cabeça bem montado e bem definido, próprio do sistema de HDTV.
Apesar do preço não convidativo, em torno de R$ 46, é um valor bem menor do que uma parcela do seu LCD 42″”. “Laertevisão” com certeza merece reprise no Vale a Pena Ver de Novo da sua coleção.
Laertevisão - Coisas que não esqueci
Autor: Laerte Coutinho
Capa dura - 128 páginas
Formato: 21x22,5cm
Preço R$ 46,00
Quer adquirir a sua? Entre em contato!
Telefone: (83) 3227.0656
Twitter: @Comic_House  
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Olga, por Thaïs Gualberto - Coletivo WC - Tira # 11


Nascida em João Pessoa em 1985, formou-se em Arte e Mídia na UFCG em 2010. Começou a fazer quadrinhos desde que começou a escrever e criou clássicos que ninguém conhece como Bago x Bago da editora Coxo. Mas foi com a criação de Olga, a sexóloga taradóloga que tomou realmente gosto pela coisa.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hellblazer - A Cidade dos Demônios, de Si Spencer e Sean Murphy



Por Jéssica Figueredo



Um dos mais antigos anti-heróis da Vertigo, John Constantine, ganhou, em dezembro do ano passado, um encadernado especial para uma minissérie que celebraria os seus 25 anos de conflitos e batalhas pelos submundos do inferno e da terra. Escrito por Si Spencer (Books of Magic: Life During Wartime) com ilustração do mestre Sean Murphy (Joe, o Bárbaro), o volume somente ganhou publicação brasileira em agosto deste ano.

Tomando lugar na pequena e cinzenta cidade de Essex, ao norte de Londres, o mau presságio começa a rodear a cabeça e a alma do mago quando ele decide fumar um cigarro fora do bar e de repente é abordado por dois moleques prestes a pegar qualquer dinheiro para comprar droga. Usando uma de seus “truques de magia”, os moleques se viram um contra o outro e acabam machucando a si mesmos com a faca que carregavam. Mas Constantine não iria se safar fácil dessa.

No momento seguinte, John é atropelado por um carro – um acidente comum, digamos – e acaba sendo levado ao hospital, com um provável traumatismo craniano. Mas neste hospital, nem todos os médicos são bons samaritanos. Dois deles estão atrás de um mistério, algo que pudesse instigar seus intelectos mais do que salvar meras vidas no hospital, algo que pudesse dar a eles o controle total da raça humana. “Imagine, Johnathan... Poderíamos dominar o céu e a terra ao mesmo tempo”, prevê um deles, quando encontram no sangue de Constantine uma espécie de elemento maldito que torna todo e qualquer humano num ser diabólico.

É nessa hora que o leitor passa a perceber que não basta John apenas entrar em conflito com criaturas demoníacas e resolver seus “probleminhas infernais”. Ele mesmo também pode ser a causa de uma possível guerra demoníaca – e que, neste volume, está prestes a ser instalada em Essex, em Londres e, na mente dos médicos, por todo o mundo. Jonathan e seu parceiro, Sr. Yorke, reúnem então um exército de pessoas e animais que passaram pelo hospital, e fazem neles a transfusão que poderia, num instante, aniquilar a vida do mago. 
 
Sean Murphy é, realmente, um mestre no que pode ser considerado como “arte irregular”. Ele já tinha provado que gostava de construir cenas que fugissem o máximo do óbvio, criando planos estranhos e por vezes difíceis de acompanhar por aqueles acostumados com cada cena sendo contada dentro dos quadrinhos. Neste encadernado, o ilustrador abusa das cores escuras e cria cenas horripilantes, capazes de dar calafrios e provocar pesadelos até nos mais fãs de histórias de terror. 
 
Quando os personagens começam a mostrar os primeiros sinais da infecção feita pelos médicos, Sean Murphy desiste de colocar qualquer sentido linear ou coeso na história e altera totalmente o olho do leitor sobre os personagens, fazendo uma confusão de cenários, elementos e pessoas tão perfeita que quase ganham cheiro e som verdadeiros.

O escritor Si Spencer também não perde o prestígio nessa história. Desenvolvendo um texto assustador, mas que muitas vezes pode soar próximo à nossa realidade, ele mostra sua arte quando começa a instigar o pensamento maligno das pessoas ao redor da história. Porém, suas falas acabam se tornando longas demais, excessivas, como se faltasse um corte editorial no encadernado.

A parte principal da história, quando Constantine é pego pelos dois médicos e encara sua própria doença, é contada de lado – o leitor precisa virar o quadrinho na vertical para ler – e é a parte mais assustadora e instigante da história. Apesar disso, todas as situações de tensão acabam levando o quadrinho para um final sem graça e clichê, daqueles que terminam no mesmo lugar onde começou.

Acompanhado de um conto de natal escrito pelo gênio Dave Gibbons (Watchmen), no qual dispensa comentários, este encadernado não influencia diretamente na história do John Constantine, parece contar apenas mais uma das “demoníacas aventuras” que o mago mais antigo de Londres teve de enfrentar, em alguma parte da sua jornada. Apesar disso, é um quadrinho interessante, principalmente para aqueles que curtem histórias de horror. Mas totalmente proibido para menores de 18 anos.


Hellblazer: A Cidade dos Demônios
Autores: Si Spencer(roteiro) e Sean Murphy (arte)
Capa Cartonada - Formato 17x26cm
132 páginas
R$ 18,90




Quer adquirir a sua? Entre em contato!
Telefone: (83) 3227.0656
Twitter: @Comic_House  
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Espedito, por Ricardo Jaime - Coletivo WC - Tira #10


Desenhista paraibano acima do peso e nascido em 1979 em João Pessoa. Quadrinhista desde os 6 anos e profissional desde os 16. Trabalhou por 7 anos como diretor de arte e ilustrador em agências de propaganda na Paraíba. Freelancer desde 2006 resolveu desopilar suas mazelas criativas com um personagem que ama: Espedito – O verdadeiro workaholic!. Criado em 2003 e exposto em um blog desde 2009.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O Fotógrafo - Uma história no Afeganistão, de Emmanuel Guibert, Fréderic Lemercier e Didier Lefèvre





Por Bráulio Tavares*


Acabei de ler o volume 1 deste álbum de quadrinhos** (São Paulo: Ed. Conrad, 2006), em que o fotógrafo Didier Lefèvre conta sua viagem pelos desfiladeiros do Afeganistão, acompanhando uma caravana dos Médicos Sem Fronteiras. A primeira coisa que chama a atenção é a concepção visual do álbum (que tem textos e desenhos de Emmanuel Guibert, diagramação e cores de Fréderic Lemercier), misturando fotos e desenhos. Lefèvre fotografava a expedição o tempo inteiro, mas os intervalos entre as fotos, bem como as cenas não fotografadas, são contadas pelos desenhos de Guibert. Existe uma continuidade agradável entre as fotos e os desenhos, que são minimalistas, e em momento algum tentam parecer-se com fotografias. Concentram-se nos enquadramentos, angulações e iluminação, dizendo tudo com poucos recursos.


Os Médicos Sem Fronteiras viajam clandestinamente pelo Afeganistão, mas afinal, todo mundo que viaja por lá é clandestino. A história ocorre em 1986, na época pré-Bin Laden, quando o país estava sob invasão russa, e as caravanas corriam risco de bombardeios aéreos. Os autores explicam num único quadrinho assuntos fascinantes e complexos. Como se esconder de um helicóptero inimigo? Como cumprimentar muçulmanos – que gestos são esperados, que gestos são proibidos? Como urinar no meio de um grupo de afegãos? Como embalar medicamentos para que não se pulverizem no transporte? Qual a diferença entre o povo do Nuristão e o do Badaquistão? Como escalar um desfiladeiro na escuridão total? Como negociar cavalos?

As fotos de Lefèvre são em geral muito boas, e é pena que muitas delas apareçam apenas sob a forma de contatos. As paisagens do Afeganistão são impressionantes, e os autores preferem descrevê-las com seqüências de fotos parecidas, umas ao lado das outras. Eles ampliam algumas das melhores fotos, mas são poucas, como a magnífica foto da capa, em que um menino, entre um grupo de afegãos, olha para cima como se contemplasse gigantes. É um raio-X instantâneo de um civilização masculina, rude, violenta, muito diferente do mundo ocidental, e, em muitos aspectos, profundamente sertaneja. 

O quadrinho-documentário (se podemos chamá-lo assim) tem um belo futuro. Há coisa que só o desenho pode fazer, como retratar uma cena em que não havia uma câmara presente. Há outras que só a foto. No final do livro, um estribeiro afegão se perde no escuro, é dado como morto, e reaparece depois de ter caminhado sozinho e com fome no rastro da caravana. As fotos do seu rosto magro e de seus olhos transfixados pelo medo da morte, com “a expressão de um fantasma”, valem uma medalha de ouro. O mundo retratado é complexo, surrealista, sem reduções preconceituosas sobre a vida oriental. A integração entre médicos franceses e líderes tribais afegãos é improvável, tensa, instável, mas funciona. “O Fotógrafo” (vêm mais dois volumes por aí**) cria para nós uma “realidade enriquecida”, além da ficção e além do jornalismo.

(*) Jornalista, compositor e escritor. Colunista do “Jornal da Paraíba” e organizador de várias antologias literárias.
(**)   NE: Texto escrito em 28.08.2008 para o blog da Comic House quando hospeadado no Blig.
(***) NE: O segundo e terceiro volume de “O Fotógrafo” já foram lançados pela Editora Conrad.


O Fotógrafo - Uma história no Afeganistão
Autores: Emmanuel Guibert(textos e desenhos),Fréderic Lemercier(diagramação e cores) e Didier Lefèvre(fotografias)
Capa Dura » Formato 23x30cm
88 páginas
R$ 46,00


Quer adquirir a sua? Entre em contato!
Telefone: (83) 3227.0656
Twitter: @Comic_House  
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)