quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Lucille, de Ludovic Debeurme




Falar da passagem que todos fazem para a vida adulta sempre rende uma boa história. Crescer nunca foi fácil, mas pode ser tornar ainda mais perturbador em alguns casos. Em Lucille, Debeurme surpreende ao apresentar uma garota às voltas com os traumas da adolescência.

Ela é uma é uma garota normal e insegura, que usa óculos e não tem auto-estima. Além disso, encontra em sua mãe o papel da superprotetora. Lucille não consegue se encaixar em nenhum padrão da sociedade, e também não gosta muito das patricinhas de sua escola. Quando era criança, ganhou de presente de seus pais uma boneca, a qual ela deu o nome de Linda e que se tornou um modelo ideal de magreza e beleza. Passado o tempo, Lucille desenvolve anorexia e se isola cada vez mais do mundo.

Paralelamente à história dela, desenrola-se a história de Arthur, menino que também passa por todas as dores de tornar-se aquilo que sua família é. Ele é filho de pescador e herda uma tradição de também ter de se tornar um pescador e até o nome do seu pai quando este falecer.

As histórias de Lucille e Arthur se cruzam por acaso e os dois se apaixonam, talvez por sentirem-se tão angustiados e fora da realidade que lhes são impostas, talvez por vontade de viver em outro mundo que não os deles próprios, de não precisarem carregar consigo a história passada para eles através de seus pais. A partir desse encontro, os dois resolvem ganhar o mundo e vivem uma história única de amor, longe de todos, o que muda radicalmente a vida de Lucille, antes presa em seu próprio mundo de modelo de beleza e magreza. Para que todo esse desajuste fique bem claro, Debeurme os desenha em corpos de abelha. Isso cria a sensação de estranheza que nos acompanha por toda a história.

Ao final da história, podemos dizer que ela trata de escolhas de vida, autoconhecimento, descobertas, maneiras de enxergar o mundo, do comportamento humano, do primeiro amor, tudo visto pelos olhos de duas pessoas tão sensíveis quanto frágeis.

Debeurme lança mão de um traço minimalista e bastante delicado e quase não utiliza cenários, o que dá à história um aspecto mais dramático, é como tudo que estivesse ali pudesse desaparecer a qualquer momento. A graphic foi lançada pela Barba Negra, selo da editora Leya, e ao final do livro há uma indicação de este ser o final do primeiro volume. É que ele foi lançado em versão integral e ganhou uma continuação – Renée – cinco anos depois, até agora só publicada em francês.

Lucille, lançado originalmente em 2006, e no Brasil, em 2011. O livro rendeu a Ludovic Debeurme vários prêmios, entre eles o Angoulême e o Goscinny.

Debeurme nasceu na França, em 1971 e é ilustrador e também músico. É dele também a adaptação de O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson.


Lucille
Autor: Lucille Debeurme(roteiro e arte)
Capa Cartão - 
544 páginas
R$ 54,90




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