segunda-feira, 31 de março de 2014

As diabruras de Quick e Flupke, de Hergé


Por Audaci Jr


O álbum reúne as primeiras aventuras e traquinagens dos dois garotos publicadas nos anos 1930 pelo “pai” do Tintim, no Le Petit Vingtième, suplemento infantil semanal do jornal belga Le Vingtième Siècle.
É incontestável a herança que o belga Hergé (1907-1983) deixou para a Nona Arte. Lendo as histórias do intrépido repórter Tintim, percebe-se como ele influenciou uma legião de artistas, tanto no traço conhecido como “linha clara”, como no espírito aventuroso herdado até no cinema (Spielberg, antes de dirigir a animação do personagem em 2011, O segredo do Licorne, já indicava admiração nos seus Indiana Jones).
Até este primeiro volume de As diabruras de Quick e Flupke, o leitor brasileiro estava carente ou desconhecia qualquer outra obra do quadrinhista.
A primeira aparição dos garotos Quick e Flupke aconteceu em janeiro de 1930, no Le Petit Vingtième, suplemento infantil semanal do jornal católico belga Le Vingtième Siècle, um ano depois da aparição de Tintim (note que ele e seu cão Milu aparecem ao fundo da capa deste volume).
Inspirado nas suas reminiscências infantis pelas ruas de Bruxelas, nos cartuns norte-americanos, a exemplo de Krazy Kat, de George Herriman, e no cinema de Chaplin, a série criada por Hergé era produzida inicialmente em preto e branco – assim como Tintim. Só depois da Segunda Guerra Mundial é que o material foi colorido e compilado em álbuns, onze no total, lançados originalmente entre 1949 e 1969.
Rezava a lenda que, na volta de suas férias, o artista belga foi surpreendido por uma “brincadeira” dos colegas do jornal. Sem avisar, haviam anunciado publicamente que ele lançaria uma inédita série de quadrinhos. Com poucos dias, Hergé juntou várias referências e criou os dois moleques, produzindo histórias em duas páginas semanais.
Situando a época, algumas situações parecem bastante inocentes, conservadoras e datadas. Outras, porém, mostram-se muito inventivas e engraçadas. As trapalhadas comuns do Capitão Haddock em As aventuras de Tintim podem ser projetadas na figura do Agente nº 15, um policial que vive no pé dos garotos e tem um bigode mais parecido com os Irmãos Marx – ou até os detetives Dupond e Dupont, de sua obra mais famosa – do que o Carlitos.
A capacidade de Hergé de desenvolver tramas longas com Tintim e companhia é antagônica em relação à brevidade das pílulas de travessuras de Quick e Flupke.
Assim como As aventuras de Tintim, as confusões da dupla serviram como base para uma série televisiva de desenho animado, exibida na década de 1980.
Com o humor nonsense, a arte clássica de Hergé e o uso vibrante das cores, o álbum cumpre seu papel de apresentar o artista sem o desvincular do estilo que lhe deu fama mundo afora e ser uma leitura que garante entretenimento.
A edição da Globo está à altura da grandeza de Hergé: capa dura, ótima impressão em um papel de altíssima gramatura, dando um volume muito maior ao livro. O preço também é outro atrativo para o leitor começar esta nova coleção.
O único e vital “porém” é a falta de um texto introdutório, explicando a importância do autor e sua obra para os quadrinhos mundiais ou apresentando e situando os “novos” personagens ao leitor brasileiro. Infelizmente, nem todos conhecem o trabalho de Hergé. Apesar de ser esteticamente bonito, não há nem uma linha sobre o assunto na quarta capa.
Independentemente disso, As diabruras de Quick e Flupke é um dos melhores resgates promovido por uma editora no Brasil.


Título: As diabruras de Quick e Flupke – vol. 1
Autor: Hergé
Páginas: 184 - Capa Dura 
Formato: 21cm x 28cm 
Preço: R$ 39,90


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 (Publicado originalmente no site Universo HQ no dia 07 de fevereiro de 2014)

sexta-feira, 28 de março de 2014

A explosiva arte de Alex Ross, de Alex Ross



A Explosiva Arte de Alex Ross apresenta as interpretações pintadas e realistas que o artista produziu de super-heróis icônicos para a Dynamite Entertainment

Reunindo todas as ilustrações de capa que o artista fez para a editora, juntamente com esboços, designs, layouts, trabalhos internos e a lápis (incluindo uma gama de artes jamais publicadas), e contendo comentários do próprio Alex Ross sobre cada trabalho, este portentoso volume não pode faltar em sua estante!

A edição vem acompanhada com um pôster calendário duplo.

Título: A explosiva arte de Alex Ross 
Autor: Alex Ross
formato 23,5 x 31 cm, 328 páginas, 
Preço: R$ 149,90


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quinta-feira, 27 de março de 2014

O processo, de Chantal Montellier


O Processo, adaptação em quadrinhos do famoso romance de Franz Kafka. Os desenhos são de Chantal Montellier, uma das principais quadrinhistas francesas, que procura capturar a atmosfera assustadora e o humor da obra original.

O livro conta a história de Joseph K, preso sem explicação e forçado a enfrentar um sistema jurídico absurdo. O labirinto no qual ele acaba se perdendo é aquele que dá origem ao termo “kafkaniano”. Um retrato da burocracia autoritária, tão atual e relevante hoje quanto quando foi escrito.

Título: O Processo
Formato 16,7 x 24,2 cm, 128 páginas
Preço: R$ 34,90





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quarta-feira, 26 de março de 2014

Pré-Venda: Surfista Prateado – Parábola, de Stan Lee & Moebius


Surfista Prateado – Parábola, de ninguém mais ninguém menos que a dupla Stan Lee e Moebius!

Lançada nos EUA originalmente em 1988 (a primeira e única edição brasileira saiu em 1989, pela Editora Abril), Parábola narra uma história tipicamente grandiosa do Surfista, se aproveitando do talento criativo infinito e nada usual do gênio Moebius e da escrita épica/filosófica do sr. Lee. Utilizando um ataque do gigante devorador de mundos Galactus à Terra como pano de fundo, a lendária dupla constrói um conto que explora na verdade o lado menos agradável e nobre da humanidade. Não à toa, quandoParábola foi publicada originalmente, recebeu o Prêmio Eisner deMelhor Série Limitada.

Para aqueles não familiarizados, Moebius (ou Jean Giraud)  foi simplesmente um dos mais consagrados nomes dos quadrinhos europeus por décadas; um criador tão renomado, que chegou a colaborar com cineastas famosos como Ridley Scott, Ron Howard e James Cameron. Moebius faleceu em março de 2012.



Surfista Prateado – Parábola 
Autores: Stan Lee & Moebius
capa dura, papel couché, 92 páginas.
R$ 21,90

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terça-feira, 25 de março de 2014

Osmose – Brasil e Alemanha em quadrinhos, de Mawil, Paula Mastroberti, Birgit Weyhe, Amaral, Aisha Franz e João Montanaro (roteiro e desenhos)



Por Audaci Jr

Seis quadrinhistas, sendo três brasileiros e três alemães, realizaram um intercâmbio artístico por quatro semanas, em cidades nas quais nunca estiveram, para criar uma história em quadrinhos sobre as experiências longe de casa.
Na Biologia, osmose é o fenômeno que se produz quando dois líquidos, de desigual concentração, separados por uma parede mais ou menos porosa, a atravessam e se misturam.
O projeto homônimo, idealizado e coordenado pelo Goethe-Institut Porto Alegre, resulta nas experiências de artistas de várias faixas etárias, que ultrapassaram as fronteiras de seus países para “misturar” e traçar suas perspectivas inseridas em uma nova cultura, língua, clima, paisagens e sensações.
Integrando as comemorações da Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014, o projeto contou com a curadoria do jornalista especializado em quadrinhos e tradutor Augusto Paim e a coordenação editorial do quadrinhista José Aguiar, cocriador do Gibicon – Convenção internacional de quadrinhos de Curitiba.
O luxuoso volume em capa dura conta com seis histórias de dez páginas cada uma, de um trio brasileiro e outro trio alemão, que trocaram de cidades por um mês, no segundo semestre de 2012.
A gaúcha Paula Mastroberti trocou Porto Alegre por Berlim, enquanto o alemão Mawil fez o itinerário inverso. Birgit Weyhe saiu de Hamburgo (destino do piauiense Amaral) para São Paulo. Já a alemã Aisha Franz trocou Berlim por Salvador e o jovem paulista João Montanaro deixou momentaneamente a “terra da garoa” e foi para Munique.
O resultado é um caleidoscópio colorido e em preto e branco norteado por vários estilos, direções e narrativas (documentais e ficcionais).
Quem abre o álbum é o berlinense Markus Witzel, conhecido como Mawil, único do trio alemão que já teve uma obra publicada no Brasil, Mas podemos continuar amigos (Zarabatana).
Na figura do baixinho Supa-Hasi (“super-coelho”), representado seu alter ego, o quadrinhista conta com bom humor sua passagem por Porto Alegre, onde questiona como o Goethe-Institut Porto Alegre ganha dinheiro por só verem gastarem com sua estada, elogia as paisagens naturais, fica desconcertado e surpreso por ser reconhecido em virtude da HQ Mas podemos continuar amigos e observa semelhanças entre os países.
Inspirada no conto Rosa Branca e Rosa Vermelha, dos irmãos Grimm, que a gaúcha Paula Mastroberti mostra sua visão da capital alemã. Unindo colagem e desenho, a autora faz sua dinâmica e surreal versão sem as amarras do documental.
Birgit Weyhe faz uma pegada mais antropológica e visceral de São Paulo, mostrando suas dez verdades sobre a metrópole brasileira. Muito inventiva, a alemã mostra um panorama de vários aspectos sob a ótica de uma estrangeira: a beleza e a feiura da selva de pedra, o barulho da cidade, seja do trânsito ou dos pássaros matutinos, os gostos e a comunicação.
O que mais se destaca na narrativa de Weyhe é seu questionamento histórico e antropológico presente na arquitetura e nas divisões de classes da “pauliceia desvairada”. A artista radiografa uma reflexão desde a presença de monumentos aos colonizadores até a ausência dos negros em castas sociais ou na ditadura da moda e da publicidade.
Representante nordestino no projeto, Antônio Amaral faz da sua experiência em Hamburgo uma extensão de seu trabalho experimental, visto em obras como a premiada Hipocampo.
Suas cores vibrantes e quentes fazem de suas abstratas páginas uma visão poética – mais sentida do que entendida – da cidade alemã. Uma grande experiência sensorial com a sempre ousada diagramação do piauiense.
Única história sem texto, a janela da alemã Aisha Franz, de Salvador, mistura um mosaico de brasilidades. O seu “fluxo narrativo” lembra um pouco a xilogravura do cordel e a arte naïf, ambas bem presentes na cultura nordestina.
Por fim, João Montanaro foi o único dos brasileiros que optou por uma HQ mais documental, com seu corriqueiro humor contrabalanceando com suas impressões (mais sérias) de Munique.
Os destaques são a sua forma despojada de retratar a cidade e a maneira criativa de narrativa (uma splash page mostra a complexa arquitetura de Marienplatz, uma praça do centro da cidade, e o “desanimado” quadrinhista se queixando de como é difícil desenhar o lugar).
Flertando também com as diferenças culturais, o “cidadão do Terceiro Mundo” pontua como os alemães lidam com a memória e a educação em relação ao Brasil.
Completando a edição bilíngue, uma apresentação de José Aguiar e um posfácio do curador Augusto Paim sobre como foi a metodologia aplicada para a seleção, ilustrado com estudos, esboços e artes do sexteto.
Além da obra impressa, cada quadrinhista abasteceu um blog do projeto com textos, artes e fotos durante suas experiências, complementando os bastidores do conteúdo produzido de Osmose.

Osmose - Brasil e Alemanha em quadrinhos
Autores: Mawil, Paula Mastroberti, BirgitWeyhe, Amaral, AishaFrans e João Monteiro
Bilíngue: Português e Alemão
Formato 20,5 cm x 28 cm | 88 páginas | Capa Dura

Design Gráfico: Clô Barcellos
R$ 32,00


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                            (Publicado originalmente no site Universo HQ no dia 18 de outubro de 2013)

segunda-feira, 24 de março de 2014

Imperdoável – Volume Um, de Mark Waid & Peter Krause





Por Audaci Jr

Quando o Plutoniano, o maior super-herói da Terra, enlouquece e se torna o pior vilão do planeta, apenas os seus ex-aliados de combate ao crime têm uma chance de deter a sua onda de violência.
Mark Waid é mau”, foi o que se estampou a publicidade da Boom! Studios, na época do lançamento nos Estados Unidos, em 2009, da nova série do autor.
A premissa não é original: o que aconteceria se o maior super-herói do mundo se voltasse contra a humanidade e seus colegas de capa e colante?
Waid – que chegou a ser editor-chefe e editor-criativo da editora norte-americana – destila a sua “maldade” fechando um ciclo sombrio no gênero, iniciado em O Reino do Amanhã (junto com Alex Ross) e Empire (minissérie inédita no Brasil, com o traço de Barry Kitson, na qual o heroísmo puro e nobre não existe).
O mais interessante em Imperdoável não é a sua batida proposição, mas o caminho que o escritor pavimenta para mostrar como um “escoteiro” com superpoderes equivalente aos do Superman pode ser corrompido pelo mal.
Como o autor fala na sua introdução para este primeiro volume com os quatro primeiros capítulos (que terminou lá fora no número # 37, em 2012), não existe um interruptor para a vilania. Consiste em uma série de fatores que, aos poucos, vai edificando-a, como suas perdas, fraquezas, traições e decepções.
Um exemplo a que a situação remete é a fase do Alan Moore em Miracleman/Marvelman, na qual seu parceiro-mirim se torna vilão por ter sido “abandonado” pelo mentor às portas de sua adolescência.
Mas as semelhanças param por aí, já que Moore não mostrava os detalhes do processo de deturpação ideológica do personagem, o foco de Mark Waid em Imperdoável.
O ponto positivo vai para os motivos serem descortinados aos poucos com a investigação e lembranças dos seus ex-aliados do Plutoniano, uma espécie de Liga da Justiça que é caçada pelo vilão, ao mesmo tempo em que procura uma solução para detê-lo.
As peças do quebra-cabeça mostradas em flashbacks vão de sutilezas escutadas pela superaudição do protagonista até a revelação de sua identidade secreta para o amor de sua vida, sua “Lois Lane”, mas de maneira desastrosa.
Outros fatores que garantem a atenção na série são os mistérios que orbitam o Plutoniano: não se sabe sua origem (ele é um mutante? Alienígena?) ou seus verdadeiros motivos por parecer brincar e se divertir com a destruição paulatina dos super-heróis e da humanidade (a sequência de Cingapura no final do volume mostra como Waid é um “cara mau”).
Em contrapartida, a arte de Peter Krause é a mais funcional possível. Lembrado pelo seu traço na revista em formatinho Shazam! (Abril), com argumento de Jerry Ordway, o artista peca muitas vezes pela desproporção anatômica dos personagens e pela falta de criatividade nos seus enquadramentos e diagramações.
Além do primeiro arco de histórias e da introdução de Mark Waid, a edição da Devir apresenta um posfácio assinado por Grant Morrison e as capas (originais, alternativas e promocionais) de nomes como John Cassaday.
Vale lembrar que o volume em brochura, laminação fosca com reserva de verniz e orelhas possui as dimensões menores que o tradicional formato americano (16 x 23 cm).
Com um bom gancho, que mantém o interesse para os próximos volumes, Imperdoável (indicado a prêmios como o Eisner e o Harvey, em categorias como Melhor Escritor e Melhor Série) se revela uma alegoria bem cuidada sobre o lado sombrio e corruptível do poder absoluto.

Imperdoável - Volume 1
História: Mark Waid
Arte: Peter Krause
Miolo: 128 páginas coloridas em papel cuchê 90g
Formato: 16,0 cm × 23,0 cm
Preço: R$ 45,00


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(Publicado originalmente no site Universo HQ no dia 18 de outubro de 2013)

domingo, 23 de março de 2014

Os livros da magia – Edição definitiva, de Neil Gaiman, John Bolton, Scott Hampton, Charles Vess & Paul Johnson





Por Audaci Jr


Apesar de parecer um típico garoto de 13 anos, Timothy Hunter tem o potencial para se transformar no maior mago da Era Moderna.
Mas para escolher entre aceitar a sua poderosa sina ou dar as costas e viver como um mundano, Tim deve ser apresentado para a magia, mesmo não acreditando nela ou sendo alvo involuntário de quem a pratica, em especial uma irmandade denominada Chama Fria.
No intuito de proteger e, ao mesmo tempo, instruir o garoto sobre seu possível futuro, quatro dos maiores e mais misteriosos magos preparam uma jornada para demonstrar os perigos, o preço e as recompensas da magia.
Um jovem inglês de cabelos escuros, óculos e com uma coruja a tiracolo, com potencial para ser o maior bruxo de todos os tempos. As características pertencentes a Timothy Hunter poderiam muito bem se encaixar a Harry Potter, personagem criado pela britânica J.K. Rowling posteriormente à minissérie criada por Neil Gaiman, originalmente lançada entre os anos 1990 e 1991.
Para quem ainda acredita na polêmica, o próprio Gaiman já sentenciou o suposto plágio. “Eu disse a Rowling que achava que nós dois estávamos roubando de T.H. White (famoso escritor britânico da série Outrora e Futuro Rei): bem diretamente”, afirmou o criador de Sandman, em entrevista a revista January, em 2001.
Sobre o tema, Gaiman já rasgou roteiros por causa dessas coincidências, visto na introdução para a edição brasileira do Sandman # 32 (Editora Globo), o início do arco Um jogo de você. O motivo foi estar sintonizado involuntariamente com as ideias do romancista Jonathan Carroll, que o incentivou a continuar lembrando que todas as histórias já foram contadas e o mais importante é como cada escritor as abordará.
Independentemente da discussão de quem surgiu primeiro, a Panini publica a edição definitiva da minissérie que não só apresenta o protagonista adolescente, mas também vislumbra o universo mágico do Universo DC três anos antes da criação do selo Vertigo, emancipando personagens “para leitores maduros”.
De certa forma, é a “primeira” vez que a obra é produzida já compilada no Brasil. Tanto a Abril(que lançou a minissérie em 1991) quanto a Opera Graphica (que republicou o material em 2002) aproveitaram os encalhes das quatro edições e colocaram nas prateleiras (em 1992 e 2005, respectivamente) os encadernados das sobras das bancas e livrarias.
A ideia inicial da obra partiu da editora Karen Berger, que perguntou por telefone para Gaiman – o jovem escritor que já chamava atenção na época por causa de Sandman – se ele não gostaria de fazer um “quem é quem” no lado mágico da DC. Depois de desligar alertando a editora para “deixar de ser boba”, o autor refletiu uma maneira de a proposta dar certo e voltou a telefonar para Berger.
O resultado não é apenas um “passeio” pelos seres e praticantes da arte e ciência da magia, mas uma história sobre escolhas e um canal para outras narrativas de Neil Gaiman, principalmente sua maior criação, o Lorde Morpheus.
Pela primeira vez foi reunida a Brigada dos Encapotados (que teve uma minissérie homônima publicada no Brasil em 2001, pela Brainstore), formada por Vingador Fantasma, John Constantine (responsável pelo batismo do quarteto), Doutor Oculto e Mister Io (esses dois últimos mais “obscuros” como personagens do Universo DC).
O Vingador, inclusive, foi uma dos personagens que Gaiman queria escrever na época em que foi contratado pela editora norte-americana, mas ele já estava nas mãos de Alan Kupperberg. Sobrou para o escritor e o artista Dave McKean a Orquídea Negra e o que restou foi história.
Cada capítulo da jornada de Tim Hunter em Os livros da magia foi feito por um artista diferente, sendo protagonizado por um “tutor” diferente. Gaiman chegou a explicar que não concedeu a obra como Sandman, em que ele era um “ditador benevolente”: desta vez, deu mais liberdade narrativa para cada desenhista brilhar.
A primeira parte traz a pintura hiperrealista de John Bolton, responsável pela arte de A paixão do Arlequim (com roteiro de Gaiman) e Marada – A mulher-lobo (cocriação de Chris “X-Men” Claremont), dentre outras.
Junto com o Vingador Fantasma, Hunter viaja ao passado, descobrindo a gênese da magia e fatos como a verdade sobre a Atlântida e a queda dos anjos que se rebelaram contra Deus, incluindo Lúcifer Estrela da Manhã, que desempenhou papel importante em um dos principais arcos de SandmanA estação das brumas, e protagonizou um título solo da Vertigo.
Bolton faz o passeio pelas civilizações com enquadramentos mais abertos e splash pages(quadros de página inteira), com momentos cheios de simbolismo e participações de um jovem Merlin, Sr. Destino, o ilusionista Zatara (pai de Zatanna) e Sargon, o feiticeiro.
No segundo capítulo, o cinismo de John Constantine conduz o jovem ao mundo da magia no presente. Os perigos são mais palpáveis e Tim Hunter sai do comodismo de um espectador, já que o culto Chama Fria coloca sua cabeça a prêmio.
O desfile de personagens é maior nesse tomo, com a arte mais impressionista de Scott Hampton (da série Lúcifer) apresentando personagens como Espectro, Madame Xanadu, Barão Winter, Jason Blood (que está preso fisicamente ao demônio Etrigan) e Zatanna, além das pitadas de humor promovidas por Boston Brand, vulgo Desafiador.
O ápice da edição é uma assustadora festa de Halloween frequentada por vilões sobrenaturais do Universo DC, na qual Neil Gaiman dá muita moral a Constantine.
O mundo “encantado” de Faerie mostrado pelo Dr. Oculto é a premissa da terceira parte, com a delicada arte de Charles Vess.
Essa é a deixa para que Gaiman entrance o universo de Sandman, com a aparição do próprio. Quando Tim Hunter visita o palácio da Rainha Titânia, o leitor descobre o que aconteceu com Hamnet, filho de Shakespeare. Na história Sonho de uma noite de verão, em Sandman # 19(edição desenhada por Vess e vencedora do World Fantasy Awards), o autor deixou nas entrelinhas que a sorrateira e maliciosa soberana de Faerie tinha levado o garoto para servi-la.
O mercado em Faerie serviu também de base futura para Stardust, livro ilustrado de mais uma parceria Gaiman e Vess, lançado no Brasil em 2001, pela Conrad, e em 2007, pela Pixel Media.
Alguns elementos também apareceriam na série mensal de Os livros da magia – já sob o seloVertigo – que durou 70 números nos Estados Unidos (de 1994 a 2000). Por aqui, algumas edições escritas por John Ney Rieber (da fase do Capitão América posterior ao 11 de setembro e da minissérie A Brigada dos Encapotados) e Peter Gross (desenhista de Chosen e O Inescrito) foram publicadas pelas editoras AbrilMetal PesadoTudo em Quadrinhos e Atidude.
No último tomo, com uma diagramação pouco inspirada de Paul Johnson, Mister Io leva Hunter para o futuro até o final dos tempos, onde o garoto encontra mais dois dos Perpétuos, os irmãos de Sandman.
Verdadeiro guia, a maneira como Neil Gaiman conduz a narrativa tem uma eficiente química nos diferentes traços dos artistas, mesmo para quem não sabe sobre as origens dos personagens que passeiam pelas páginas do encadernado. Mas a obra funciona melhor para quem tem um conhecimento maior dos horizontes da ala mágica da DC.
Completando a edição luxuosa de Os livros da magia, com direito a um preço atrativo e capa dura, as capas originais divisando as quatro partes, uma introdução assinada por Roger Zelazny – autor de fantasia e ficção científica morto em 1995 (dois anos depois de escrever o texto) –, e esboços inéditos de Vess e Johnson.
Lá fora, o trabalho de Gaiman rendeu várias séries inéditas no Brasil, como Hunter – The age of magic e Books of magic – Life during wartime, além de seis adaptações em prosa (incluindo a minissérie original) por Carla Jablonski, lançadas em português pela editora Europa-América.


Os Livros da Magia
Autores: Niel Gaiman(Roteiro), John Bolton(desenhos), Scott Hampton(desenhos), Charles Vess(desenhos) & Paul Johnson(desenhos)
Capa Dura - 212 páginas
Formato: 17x26cm
R$ 25,90


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(Publicado originalmente no site Universo HQ no dia 01 de novembro de 2013)

domingo, 9 de março de 2014

Venda: Sandman Apresenta: Pequenos Perpétuos, de Jill Thompson


A pequena Delirium está perdida!

Barnabás, seu cãozinho favorito e protetor, já percorreu o mundo desperto em busca de sua pequena princesa, mas não teve sucesso. Sua única alternativa é percorrer os estranhos reinos dos outros Perpétuos, os misteriosos irmãos de Delirium, para descobrir se eles sabem o paradeiro de sua dona… Atendendo às demandas dos fãs do mundo inteiro, Jill Thompson finalmente revisita os Pequenos Perpétuos – versão infantil dos personagens de Neil Gaiman que criou para a série Sandman e torna os sonhos de todos uma realidade. Esta edição inclui ainda esboços originais e os segredos por trás da história.



Título: Sandman Apressenta: Pequenos Perpétuos
Autor: Jill Thompson(Roteiro & Arte)
Formato: 17 x 26 cm
64 páginas. 
Capa: Dura
Lombada Quadrada
Papel: Couché
R$ 16,90

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