sábado, 29 de dezembro de 2012

Trilogia Nikopol, de Enki Bilal




Por Audaci Jr



No Brasil, o nome de Enki Bilal sempre foi associado aos dois primeiros álbuns da Trilogia Nikopol, intitulados, nos anos 1980, como Os imortais e A mulher enigma, ambos lançados pela Martins Fontes. Já o terceiro volume, Frio Equador, não foi publicado, mas chegou a ser distribuído em edição da portuguesa da Meribérica, no começo dos anos 1990.

Apesar de poucas obras do autor ganharem as bancas naquela época, vide algumas histórias na Heavy Metal ou álbuns como O Exterminador 17 (Graphic Globo # 11, escrito por Jean-Pierre Dionnet), o seu nome sempre foi anatomicamente ligado aos quadrinhos ficção científica.

No primeiro volume, A feira dos imortais, o leitor é apresentado ao futuro despótico da Paris de 2023, no qual uma nave espacial em forma de pirâmide toma os céus e as atenções do governo fascista de Jean Ferdinand Choublanc.

Dentro da nave, figuras poderosas, semelhantes às divindades egípcias, querem negociar combustível para seguir viagem. Em um momento delicado, quando eleições manipuladas garantirão a continuidade da direção, Choublanc exige o segredo da imortalidade em troca do favor.

Ao mesmo tempo em que o líder Anubis recusa a oferta, despenca do céu no meio da multidão um astronauta do Século 20, que estava congelado no espaço por anos a fio, Alcide Nikopol, que terá seu corpo tomado por Horus, divindade que deseja vingança de seus pares na pirâmide flutuante.

Com essa premissa, o quadrinhista sérvio (nascido na ex-Iugoslávia) estrutura sua narrativa cheia de reviravoltas, conspirações e ácida crítica política. O tom segue atual, mesmo passado mais de 30 anos da publicação original. Tal futuro estava mais "distante" da realidade, apesar de o autor querer mirar na situação política que a França passava em 1980, país onde reside desde os nove anos de idade.

Neste universo familiar, a Igreja assume seu papel no poder junto ao governo e mulheres são vistas como meras reprodutoras. Um mundo que evidencia mais as castas superiores e inferiores, onde homens do poder carregam uma imagem efeminada em maquiagens pesadas e criaturas aladas são chamadas de "querubins" para fortalecer a crença papal.

O mundo estranho e bizarro não é desassociado de humor: quando esperam a transação comercial, os deuses astronautas egípcios passam o tempo jogando Monopoly.

Outro destaque narrativo são as versões da "verdade" escancaradas nos jornais de esquerda e direita que ilustram a história com recortes.

Bilal muda o foco em A mulher armadilha. O segundo ato é centrado na Londres de 2025, na vida de Jill Bioskop, uma jornalista de pele alva e cabelos azuis que manda notícias do futuro interceptadas no passado pelo jornal Libération (mostrado em uma folha à parte do álbum).

Mesmo a protagonista servindo de rebite para o paradeiro de Alcides Nikopol, aqui o quadrinhista expande seus horizontes sobre a etnia que compõe o retrato europeu. No ritmo da escrita livre beat, Jill "vomita" tudo sobre tensões extremistas entre raças alienígenas e questões de imigração, além de desabafos sobre o amor e as drogas que consome.

Por fim, tudo se converge em Frio Equador. Em 2034, os personagens seguem para Equador-City, uma metrópole do centro-leste africano, localizada na Linha do Equador, com uma condição térmica que varia entre -21º e 47º e governada por uma megacorporação corrupta chamada KKDZO.

Sem querer revelar muito, as críticas pertinentes nos outros atos - a disputa pelo poder, fatores corporativistas e os percalços políticos - acompanham a conclusão da saga de Alcides Nikopol, um homem deslocado do seu tempo e títere do destino, podendo ser "trocado" pelo artista ou pelo próprio leitor.

A bela arte de Enki Bilal, valorizada no tamanho do álbum (24 x 31 cm), é praticamente a sua impressão digital. Suja, detalhada e fria. O autor privilegia o bem trabalhado uso do azul nas suas composições. Interessante notar a evolução do estilo nos 13 anos em que a série foi publicada originalmente.

Como outras publicações da Nemo, a coletânea não deve nada às mais luxuosas edições europeias: capa dura, ótima impressão em um papel couché de alta gramatura. Sem alarde, o lado negativo é não ter um texto introdutório para enfatizar a importância da obra ou uma apresentação biográfica maior do que a presente na quarta capa.

Trilogia Nikopol resiste ao tempo e continua sendo a obra que ainda faz o leitor lembrar quem é Enki Bilal, um dos nomes mais importantes dos quadrinhos europeus - e mundiais.

(Resenha publicada no Universo HQ)

A Trilogia de Nikopol
Roteiro & Arte: Enki Bilal
Editora Nemo
Capa Dura - Formato: 24cm x 32cm
Quantidade de páginas: 184 páginas
Miolo: colorido - Papel Couchê
R$ 69,00


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Telefone: (83) 3227.0656
Email: vendas@comichouse.com.br
Twitter: @Comic_House 
Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)







(Texto complementar)


Em 2004 Enki Bilal dirigiu a adaptação da Trilogia de Nikopol intitulada Immortal, que mistura CGI e atores. Assista abaixo o trailer do filme e da hq.







sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Toda Rê Bordosa, de Angeli



Por Flavio Caldas

A Rê Bordosa é uma personagem de criação do cartunista Angeli, surgida em 1984 em tiras publicadas pela Folha de São Paulo. Também integrou o mix da revista Chiclete com Banana (da Circo Editorial). Revista que é um marco editorial, não apenas pela vendagem absurda, mas pela proposta anárquica dos artistas que formavam o grupo. Esta publicação reuniu então a nova geração do quadrinho nacional e publicou material de gente como Glauco, Laerte, Luiz Gê, Claudio Willer, dentre outros.
Quanto à Rê Bordosa estamos falando de uma mulher por volta dos 40 anos, ninfomaníaca, alcoólatra, totalmente desprovida de moralismo ou bom senso em relação à direção que dá a sua vida. Uma existência regada a orgias, álcool, cigarros, abortos e noites mal dormidas. Por consequência o autor costuma “carinhosamente” descrevê-la como a “porralouca”!

A Quadrinhos na Cia nos presenteia com este belo álbum com as tiras ácidas (restauradas digitalmente) desta personagem que se confunde com o próprio criador. Para falar a verdade, não consigo olhar a personagem sem ver o rosto do Angeli sobreposto sobre o da Rê Bordosa. Muito provavelmente muitas situações foram inspiradas na vida pessoal do autor, o que só aumenta a ironia da coisa.
E o amálgama do criador/criatura chegou a ser um complicador para Angeli, fazendo com que o mesmo, ao ser constantemente confundido com a criação, realizasse o assassinato da personagem, apagando-a das páginas de sua prancheta e provocando a ira dos fãs...

Ocupação Angeli no Itaú Cultural
Angeli é um artista com trabalhos publicados na Alemanha, França, Itália, Argentina, Espanha e Portugal. Em Portugal a Devir (editora) publicou uma coletânea com seu material com grande sucesso, rendendo, inclusive, a exibição de uma série de animação (com personagens de Angeli) oriunda de uma coprodução da TV Cultura (Brasil) com a produtora lusitana Animanostra.

Foi premiado pelo HQMIX por seis anos consecutivos como o melhor chargista do Brasil. Ainda hoje é o responsável pelo cartum da Folha de São Paulo, publicando tiras no caderno Ilustrada onde veicula personagens como Rê Bordosa, Bob Cuspe, Wood & Stock, dentre outros.

Angeli é um artista que expõe suas opiniões sem pudor e utiliza de um humor muitas vezes pesado, para alguns ofensivo, mas de forma contextualizada, de maneira que não se deixa cair pelo mau gosto, como é muito comum no humor que presenciamos no mundo contemporâneo, em especial na televisão e seus programas de humor barato. Toda Rê Bordosa é uma aula de ironia, de crítica social, uma discussão à moral e seus meandros.   

Há possibilidade do título ser o primeiro lançamento de uma série de álbuns com a produção do artista. O álbum em questão é um item obrigatório para a estante de um leitor de quadrinhos. Trata-se de uma personagem clássica da nossa HQ nacional, bem como uma ótima oportunidade ter uma parte da obra de um dos autores mais importantes e polêmicos de nossa terra brasilis.

 

Toda Rê Bordosa
Autor: Angeli (Roteiro e Arte)
Editora: Companhia das Letras
Capa Dura - 216 páginas
Miolo em preto e branco
Formato: 19,5cm x 26,5cm 
R$ 64,00


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(Texto complementar)

Em 2008 a personagem ganhou uma adaptação em stop-motion intitulado Dossíe Rê Bordosa(clique no link e visite o site), na qual são investigadas as razões por trás da decisão do cartunista Angeli de matar uma de suas mais famosas criações: a diva underground Rê Bordosa. Assista abaixo as duas partes que compreendem a animação completa.











quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Face Oculta, de Gianfranco Manfredi






Por Flavio Caldas
A Face Oculta, no original Volto Nascosto, é o primeiro título da Sergio Bonelli Editore publicado pela Panini Editora no Brasil. Um título do ótimo Gianfranco Manfredi, autor do título “bonelliano” Mágico Vento. A publicação se situa no final do século 19, retratando uma Itália com ambições expansionistas, voltando sua atenção para os países africanos. 

A Etiópia é o país em questão para a trama, que se passa entre os anos 1889 a 1896, com o Tratado de Wuchale sendo a mola matriz para os acontecimentos, um acordo que seria de utilidade para estabelecer a prática de colaborações mútuas entre as duas nações. É neste cenário que ingressam o personagem de Ugo Pastore e seu pai, que são encarregados de participar deste capítulo da história colonialista italiana.

Ugo é um jovem versado em várias línguas, que não se deixa convencer facilmente pelas boas intenções do tratado, se envolvendo na descoberta de um combinado com interesses escusos.
Para complicar a situação existe a figura do Face Oculta, um homem que se apresenta como sagrado e configura-se um misto de líder religioso e político, trazendo consigo um número expressivo de soldados aderentes à sua causa. 

Esta minissérie foi publicada na Itália em 14 partes, em 2007. É uma leitura de ótimo nível, como já é peculiar à obra do autor, sempre preocupado em discutir questões mais maduras e realistas. Mesmo tratando-se de uma obra de ficção há a presença de elementos históricos importantes que servem de recheio e espinha dorsal para a trama em seu desenrolar.

A Panini fez um trabalho gráfico bem bonito, com um formato interessante que pode ser uma pista para o futuro das publicações Bonelli sobre suas asas. Esperamos que seja o primeiro título de muitos voos “bonellianos” deste calibre. Há muito material disponível a se lançar e proporcionar variadas opções de leitura para leitores de bom gosto.

 

Face Oculta – Os saqueadores do deserto (Volto Nascosto)
Autor:  Gianfranco Manfredi
Editora Panini
Capa Cartão - Formato: 16×21 cm
100 páginas - miolo em papel off-set
R$ 12,90




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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Angela Della Morte, de Salvador Sanz



Por Audaci Junior

Angela trabalha para os Laboratórios Sibelius. Sua função é bastante peculiar: ela morre, literalmente. Sua consciência é transferida para um corpo à disposição da empresa. De posse da nova forma, ela realiza espionagem industrial, principalmente contra o principal 'rival', o Governo Fluo. Caso 'morta' durante as missões, Angela tem apenas 35 minutos para retornar ao seu corpo original, antes que a entidade morte encontre e 'devore' a sua alma. Esse enredo que mistura e existencial ismo partiu da cabeça e pena de Salvador Sanz, quadrinista argentino que está lançando no Brasil seu segundo álbum, Angela Della Morte.

O lado sci-fi da HQ tem seu clímax na lua, onde o parceiro da protagonista – encarnado provisoriamente em um macaco – usa um robô gigantesco para combater a megacorporação inimiga. “Angela Della Morte surgiu na busca de um personagem para desenvolver em diferentes cenários e histórias”, conta o autor ao JORNAL DA PARAÍBA.
“Quando me ocorreu que Angela poderia migrar sua alma para corpos diferentes percebi que tinha uma personagem com muitas histórias para contar”.Apesar de ser uma história fechada, a série continua sendo publicada na Argentina em capítulos através da revista  Fierro, com o segundo arco intitulado Baron Fluo. Provavelmente  também será publicado por aqui quando concluído. “Minha inspiração vem de muitos lugares. Eu sempre fui  interessado no gênero horror na literatura e no cinema, mas a música é uma grande influência para mim”, confessa Sanz. “A música se assemelha à escuridão”. Para seu traço hiper-realista, o autor enumera uma variedade dos artistas consagrados que o inspiram: MoebiusCrepax, Takehiko Inoue, Charles Burns, H. R. Giger, Wayne  Barlowe, Frank Frazetta, entre outros. “Eu gosto de muitos autores da Argentina, Europa, Japão e Estados Unidos”. 

Atualmente, as prateleiras brasileiras de quadrinhos têm espaço para mais obras 'hermanas' que vão além da Mafalda de Quino e das Mulheres Alteradas da Maitena. Clássicos platinos como O Eternauta e novidades como coletâneas da revista Fierro e o próprio Sanz ganham edições nacionais gradativamente. Em outubro, Salvador Sanz autografou Angela della Morte na 1ª edição da GibiCon, convenção de quadrinhos que  aconteceu em Curitiba. Foi sua segunda vinda ao país. “O Brasil está abrindo a porta para a Argentina de uma maneira genial”, analisa. “Toda vez que estou aí sinto que meu trabalho é muito bem-vindo e autores como Liniers (Macanudo) são conhecidos e respeitados”.

(Matéria publicada no Jornal da Paraíba em 09/12/2012)

Angela Della Morte
Autor: Salvador Sanz(Roteiro & Arte)
Formato: 21cmx28cm - Capa Cartão
96 páginas - Miolo: Preto e Branco
R$ 39,00




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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

DVD Profissão Cartunista Ziraldo




 

Ao pensarmos em mestres Cartunistas no Brasil, Ziraldo certamente é o nome na linha de frente. Referência e formador de tantos discípulos, estimulou com sua obra, várias gerações de artistas em diversas áreas, cinema, televisão, teatro, literatura, não há fronteiras para o trabalho deste grande artista.

ZIRALDO EM PROFISSÃO CARTUNISTA www.professioncartoonist.com faz parte da premiada serie de documentários realizado pela documentarista Marisa Furtado de Oliveira (Prêmio HQMix 2000 e 2002) que também biografa Henfil, Jerry Robinson e Will Eisner e já foi exibida em TVs de mais de 40 países.

Dividido em dois episódio o documentário sobre Ziraldo conta a trajetória do maior artista gráfico brasileiro vivo, abrangendo 70 anos da história do Brasil. Retratando sua infância, suas maiores influências, seu sonho em fazer histórias em quadrinhos, suas prisões na época da ditadura, seu trabalho na educação infantil e sua luta por um Brasil melhor.

No DVD há também dois extras, onde se vê um pouco mais sobre o versátil artista, que além de escritor, desenhista, cartunista, jornalista, apresentador, também compõe, canta e trabalha intensamente como pintor.
 
Entrevistados:  

Paulo Caruso, Miguel Paiva, Sérgio Cabral, Gerald Thomas, Fernando Barbosa Lima, Fernando Pamplona, Ique e ainda seus filhos Antônio Pinto, Fabrizía Pinto, Daniela Thomas, a turma do Pererê (amigos de infância de Ziraldo que viraram personagens) e seus irmãos, Geraldinho, Ziralzi e Zelio.
 

DVD Profissão Cartunista Ziraldo
Idiomas: Português
Colorido
Duração: 104 minutos
Região Livre
R$ 30,00



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Joe Bennett Sketchbook - Venda




Os fãs dos quadrinhos e ilustração não perderão o lançamento do  “Joe Bennett Sketchbook”, um livro com desenhos inéditos, capas e estudos  do maior ilustrador brasileiro da DC Comics e Marvel. O livro é uma edição limitada de 500 exemplares, todos numerados, com capa dura em soft touch e com hot stamp, papel couché e bilíngüe (inglês-português).

O Albúm apresenta várias técnicas do ilustrador, sobretudo o uso sofisticado do chiaroescuro.

Segundo Gian Dalton, podemos passar horas e horas olhando para as imagens construídas por Joe , que são uma mistura da força do desenho expressionista de Jack Kirby e o dinamismo anatômico de García-Lopes

Joe Bennett Sketchbook
Páginas: 128
Formato: 27,5 cm X 20,5 cm
Capa: Dura em soft touch com Hot Stamp
Miolo: Preto e Branco em Couché 120 gramas
Preço: R$ 80,00





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