sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O Ateneu, adaptado por Marcello Quintanilha




Por Jéssica Figueiredo


Convidados pela Editora Ática, uma turma de quadrinistas da nova safra brasileira se reuniu para colocar em ilustrações dez dos vários livros que definiram a literatura brasileira como um todo. Escritos, geralmente, nas épocas entre a colonização do Brasil e o império da aristocracia, a série “Clássicos Brasileiros em HQ” busca apresentar ao leitor uma nova forma de se envolver com histórias de autores como Machado de Assis, Raul Pompéia, Álvares de Azevedo, entre outros.

Deste grupo, O Ateneu, do Raul Pompéia, ganha uma nova interpretação – feita pelo roteirista e ilustrador Marcello Quintanilha( Sábados dos meus amores e Amores Públicos). Assim como o romance de 1888, o quadrinho conta a história do garoto Sérgio e suas experiências num famoso colégio interno da cidade – um dos primeiros tipos de instituições de ensino daquela época. Calouro, Sérgio começa na escola conhecendo outros garotos recomendados pelo diretor, que tem certa amizade com seu pai. Dessa forma, o garoto que até então só havia estudado em casa, com um professor particular, começa a perceber o ambiente de um internato, e, principalmente, os alunos – que parecem estar lá a muito mais tempo do que ele imaginava.

Marcello Quintanilha faz um ótimo trabalho de adaptação, mantendo a história num ritmo agradável que até difere um pouco da rebuscada linguagem usada no romance clássico. Apesar disso, o ilustrador usa mais das pinturas e desenhos quase em aquarela – e isso pode distanciar um pouco os fãs dos quadrinhos de linhas definidas e cores marcantes.

Contando uma das primeiras histórias de bullying já escritas, O Ateneu é uma história interessante principalmente por trazer de volta típicas situações de uma época em que o Brasil sequer pensava em se tornar uma república democrática. Aliás, logo no começo da história, o preconceito contra os republicanos fica claramente exposto, mostrando que a política do país – e principalmente daquela escola – ainda caminhava sobre as regras da aristocracia portuguesa.

Dessa forma, O Ateneu merece seu valor por retratar uma realidade escolar antiquíssima, e vale por estimular a discussão de que o ensino brasileiro, por mais precário que ainda seja atualmente, passou por modificações significativas e tornou-se muito mais democrático, acessível e moderno.
 

O Ateneu
de Raul Pompeia, adaptado por Marcello Quintanilha
96 páginas » Capa Cartão
Lombada Quadrada » Papel Couchê 
Formato 19,5 x 13cm
Editora Atica
R$ 36,00 

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