segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Wolverine Noir, de Stuart Moore e C.P. Smith


Por Flávio Caldas


“O homem é o lobo do homem”. Assim dizia o filósofo inglês Thomas Hobbes que, em sua teoria denominada de “Estado de Natureza”, caracterizava o ser humano em um estado de eterno conflito, onde o alcance da paz se daria apenas através da guerra, do afloramento de seus desejos mais primitivos.  

Quando nos deparamos com um personagem como Wolverine o conceito cai como uma luva, pois nos referimos a um ícone do universo dos quadrinhos com um histórico marcado pela oposição entre o lado humano e o lado animal. Um conflito moral que mexe com suas estruturas a ponto de incomodar o seu estado de sanidade, abrindo precedentes para seu próprio questionamento sobre qual face de sua psique seria a predominante? O homem ou o animal?

A minissérie Wolverine Noir, de autoria de Stuart Moore com arte de C. P. Smith, transporta o personagem para a Nova York de 1937, para ser mais preciso, o bairro de Bowery, região decadente, recheada de tipos marginais e perigosos, um território de uma Nova York já preocupada com questões internacionais que culminariam na segunda guerra mundial.
 
Os conflitos internos referidos acima se fazem mais do que presentes, em uma história que se passa em dois momentos: o primeiro no final dos anos 30, com Logan trabalhando como detetive em um escritório de investigação, tal qual um personagem do saudoso Humphery Bogart, em sociedade com seu parceiro Cão. Logo de imediato, os detetives recebem a visita da sedutora e misteriosa Mariko Yashida, que os contrata para resolução de um caso de seu interesse pessoal, aqui representando a tão famosa femme fatale, uma figura por demais marcante na literatura e nos filmes noir; em um segundo momento, a história é entrecortada por flashbacks da infância do personagem, marcada pela presença de uma pai religioso, duro e incompreensivo. Um outro elemento crucial para a trama neste período temporal é a sua paixão adolescente, representada pela vizinha Rose. Um relacionamento que envolve a concorrência de Cão pela atenção da moça. Todos esses elementos contribuem para sua futura personalidade no dueto homem/animal, ratificando o comportamento do personagem em sua fase adulta.


O avanço da história nos brinda com as versões noir de personagens importantes para a mitologia de Wolverine, como Victor Creed, também conhecido como Dentes-de-Sabre e Yuriko Oyama, a Lady Letal. É uma trama dramática, realista dentro de seu campo de atuação, com uma resolução bela e poética. E grandes momentos da biografia do personagem são homenageados, como as clássicas minisséries Origem (Paul Jenkis, Bill Jernas e Joe Quesada) e Eu, Wolverine (de autoria de Frank Miller nos anos 80).

  Um encadernado recomendadíssimo, acessível para fãs ou não do personagem, seja você parte do grupo de iniciados ou de leitores que não possuem o menor contato como o material original. 



Wolverine Noir
Autores: Stuart Moore(roteiro)e C. P. Smith(arte)
Capa Dura, 104,
Formato 17x26cm
  Editora Panini 
R$ 19,90
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Av. Nego, 255, Tambaú (João Pessoa-PB)



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