quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Asterios Polyp, de David Mazzucchelli



Por Haula Chaaban


Asterios Polyp é uma viagem sem fim. Digo isso, pois quando terminada a leitura, não é possível parar de pensar com maior profundidade em questões cruciais da existência humana, desde relações e sentimentos até as artes.

A trama começa quando Asterios Polyp, professor de arquitetura altamente metódico e rude - só para citar alguns traços de sua personalidade -, vê sua casa pegar fogo no dia em que completa cinquenta anos. Ele consegue salvar apenas alguns objetos pessoais e, a partir desse acontecimento, resolve viajar pelos Estados Unidos sem um destino específico.

Até então, pessoa acostumada a ambientes intelectuais, com um casamento perfeito e destruído no decorrer da história, Asterios vê-se em uma situação inteiramente nova, marcada por constante aprendizado, vivendo de maneira que nunca imaginou.


Asterios se depara com uma família mística e ao mesmo tempo simples, que lhe dá abrigo e um emprego de mecânico. Começa então uma grandiosa modificação em sua maneira de enxergar o mundo, mas ainda sem deixar de lado seu ceticismo, dando assim um toque bem divertido à trama.


A história é narrada pelo irmão gêmeo natimorto de Asterios e oferece ao leitor uma ampla possibilidade de imersão nos mais complexos sentimentos e situações da vida cotidiana.

A criação de David Mazzucchelli (também conhecido por seu trabalho em Demolidor e Batman: Ano Um), levou dez anos para ficar pronta e consegue, de imediato, sobrepôr-se a qualquer obra já vista nos quadrinhos, mesclando literatura, design e arquitetura, tanto na narrativa densa e inteligente quanto nas formas estilizadas que ajudam a compor as fontes e os balões de fala dos personagens.

Aliás, tanto o estilo quanto o real significado de algumas palavras e frases são difíceis de ser traduzidas em uma obra tão rica, simplesmente porque alguns trocadilhos, em se tratando de um quadrinho tão detalhado gráfica e linguisticamente como este, podem se perder no caminho. Mas o que acontece com a tradução de Asterios Polyp é exatamente o contrário.

O trabalho do editor André Conti e do tradutor Daniel Pellizzari, que estiveram em contato com Mazzucchelli para que a edição fosse traduzida com perfeição, é impecável. Inclusive, o autor só permitiu a tradução depois de conhecer a edição de Jimmy Corrigan que a Quadrinhos na Cia. também lançou por aqui.

Estes infinitos detalhes podem até parecer banais e é ai que está o encantamento. Não são. É tudo tão envolvente que é como se o mundo e suas intermináveis formas de vida, sofrimento e deslocamento estivessem somente representadas ali no papel, sem muito a acrescentar, mas basta um olhar mais atento para que se revelem cores, formas e estilos de grafia e cada desenho e em cada diálogo que, extraordinariamente criados por Mazzucchelli, expressam sentimentos doces, românticos, tristes, raivosos em todas as páginas ou simplesmente uma expressão do conformismo do personagem principal. Está tudo ali, é só ver e enxergar.


A obra também foi vencedora dos prêmios Eisner e Harvey, como Melhor Graphic Novel, além de vencer o prêmio HQMIX, que premia os melhores lançamentos no mercado nacional, como Melhor Desenhista, Melhor Roteirista Estrangeiro e Melhor Edição Especial Estrangeira.

Aos que desejarem, cliquem aqui e leiam as oito primeiras páginas.



Asterios Polyp
Autor: David Mazzucchelli(Roteiro e Arte)
344 páginas » Capa Cartonada 
Formato 19,7 x 26 cm
Editora: Companhia das Letras
R$ 63,00




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