quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Dália Azul, de Raymond Chandler e Filippo Scózzari

Muitos foram os artistas que trocaram farpas durante a composição de uma obra conjunta. Com o escritor americano e o desenhista italiano, não foi diferente. O roteiro original de A Dália Azul foi concebido às pressas, para o cinema. Chandler detestou tudo no final. O filme foi bem aclamado pela crítica, mas o roteirista, afundado na bebida, odiou cada passo da produção, desde a escolha dos atores, até a finalização. 35 anos depois, Scózzari tira a história do buraco do esquecimento no qual Chandler fez questão de colocá-la e relança-a como história em quadrinhos. Raymond Chandler ao lado de Dashiell Hammett é dos maiores escritores da literatura policial noir. Ele criou um dos personagens mais emblemáticos da literatura, o detetive particular Philip Marlowe, eternizado nas telas de cinema por Humphrey Bogart.



Não foi por conta própria ou por causa de Raymond Chandler, no entanto, que Filippo começa o projeto para a quadrinização de A Dália Azul. Foi por causa de Oreste Del Buono, uma figura importante para o mundo editorial italiano, que queria ver a obra na revista que estava financiando. Scózzari brigou com Chandler sozinho, em sua cabeça, é verdade. E brigou também nas páginas deste álbum.

Além de ter feito suas alterações na história, dando-lhe tons de sarcasmo, humor e ironia, que não estão presentes no original. Tal toque, claríssimo a cada início de capítulo, deixa o noir ainda mais instigante, dando maior tempero ao mistério da história. Trata-se do assassinato da mulher de um oficial da Marinha americana, Johnny, que chega da guerra e descobre que sua esposa não lhe tem sido fiel. Sai de casa após uma briga e, na manhã seguinte, torna-se um foragido, pois Helen foi morta por uma arma que carrega as iniciais do marido. Começa então a busca pelo assassino. As suspeitas pairam, inicialmente, sobre Johnny e recaem no amante de Helen, mas há muito mais investigações a serem feitas.


Scózzari dá um tom de metalinguagem à narrativa, ao reclamar com o autor do roteiro original no início dos capítulos e ao incluir alguns detalhes na história. Acabamos, portanto, acompanhando duas narrativas no lugar de uma: a história do assassinato e a da feitura dos quadrinhos. São estilos diferentes que se entrelaçam e dão um sabor especial à obra.

A Dália Azul, de Raymond Chandler e Filippo Scózzari
Título original: La Dalia Azzurra
Publicado pela Conrad em 2004
Brochura, 21 x 27 cm
104 páginas em preto e branco
R$ 32,00

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